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Memorial Thiago de Mello é aberto para visitação no Paço da Liberdade, em Manaus

Espaço é composto por 30 quadros do acervo do próprio poeta, formados durante o período que Thiago morou e se exilou em cidades da América Latina 04/08/2015 às 15:27
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Peças foram doadas pelo artista à Prefeitura de Manaus
acritica.com ---

Uma das maiores homenagens em vida já prestadas ao poeta amazonense Thiago de Mello está aberta para visitação no Paço da Liberdade, localizado na praça Dom Pedro II, no Centro Histórico de Manaus. Na manhã desta terça-feira, 4, foi inaugurado o mural com um retrato do literário esculpido em bronze e textos de artistas e personalidades manauaras.

A obra integra o “Memorial Thiago de Mello”, composto, ainda, por 30 quadros do acervo do próprio poeta e que foram doados para a Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult). As peças fazem parte de uma coleção formada durante o período em que Thiago de Mello morou e se exilou em cidades da América Latina, quando fez amizade com grandes nomes da arte mundial, como Joan Miró e Pablo Neruda.

“Foi um ato de extrema generosidade, poucos milionários têm uma coleção tão rica como a que estamos expondo. O Thiago de Mello é uma pessoa muito maior que sua poesia e nos brinda com uma pequena amostra do que será o nosso Museu de Manaus, que funcionará aqui após a ampliação do Paço da Liberdade”, disse o prefeito Arthur Virgílio Neto, durante a solenidade de descerramento do mural.

Com dois metros de altura e cerca de três metros de largura, o mural conta com trechos de famosas escrituras do poeta amazonense, como  “Os Estatutos do Homem”, além de frases de pessoas marcantes na vida do homenageado, como o escritor Zemaria Pinto, membro da Academia Amazonense de Letras, o artista plástico Óscar Ramos, entre outros. O retrato inédito foi esculpido pelo artista Bruno Giorgi.

Em seu registro, o prefeito Arthur Virgílio Neto destacou a posição do poeta na conjuntura política da década de 1970, quando ele foi exilado, e seu jeito simples e caboclo de ser. “Thiago polêmico, generoso, capaz de raiva, incapaz do ódio, escravo do perdão. Thiago amazonense, sempre de branco, misturando uma eterna contemporaneidade com ares do século passado”, gravou no mural.

"A gente planta o amor e ele floresce. Desde o instante em que recebi das mãos de pessoas tão queridas essas peças tão valiosas, eu vi o sinal do amor. Hoje, aqui compartilhamos esse sentimento, na certeza que a nossa alegria irá se multiplicar no rosto de tantas outras pessoas que vierem prestigiar essa exposição", comentou Thiago de Mello.

Ainda na inauguração, foi exibida uma entrevista exclusiva com o homenageado, cedida ao poeta Óscar Ramos, estreando o projeto da Manauscult que realizará uma série de entrevistas com artistas e personalidades da cultura local.

"Isso servirá para novas gerações de artistas que estão começando a vida cultural. O ato de generosidade do Thiago de Mello é um exemplo de como uma pessoa pode tornar um espaço em uma casa de arte. É isso que queremos com a criação do Museu de Manaus, a partir das Olimpíadas”, destacou Bernardo Monteiro de Paula, diretor-presidente da Manauscult.

O Paço da Liberdade funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

Biografia

Nascido à margem direita do Paraná do Ramos, na cidade de Barreirinha (AM), Thiago de Mello é um dos artistas amazonense de maior expressão no universo literário do Brasil e do mundo. O lirismo, a sensibilidade humana e o amor à Amazônia, além da luta em prol dos direitos humanos e pela paz mundial, são marcas de sua obra.

O autor foi perseguido pela ditadura militar, implantada no Brasil em 1964, situação que o obrigou a deixar sua terra, tendo se exilado no Chile, até a queda de Salvador Allende. Seus trabalhos foram publicados no Chile, Portugal, Uruguai, Estados Unidos da América, Argentina, Alemanha, Cuba, França e outros mais. Além disso, Thiago de Mello traduziu para português obras de Pablo Neruda, T. S. Elliot, Ernesto Cardenal, César Vallejo, Nicolas Guillén e Eliseo Diego.

Entre suas principais obras literárias estão “Faz Escuro, mas Eu Canto”, “A Canção do Amor Armado”, “Os Estatutos do Homem” e “Horóscopo para os que estão vivos”.

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