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Método afirma que uso das mãos ao comer pode aumentar chances de bebês aceitarem alimentos

Independência está ligada ao método Baby Led Weaning, ou ‘desmame controlado pelo bebê’. Pediatra garante que os benefícios da prática são reais e pode desenvolver o paladar dos pequenos por toda a vida 21/09/2014 às 18:57
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Ao comerem sozinhas, crianças podem adquirir maior aceitação aos tipos de comida
LAYNNA FEITOZA Manaus (AM)

Muitas mães experientes garantem que é por meio das mãos que os bebês começam a sentir o mundo. Não é à toa que muitos deles, aos primeiros movimentos, pegam os objetos que veem pela frente e não hesitam em colocar na boca. E quando se fala de alimentação, não é diferente: a curiosidade natural acerca de gostos, formas e cores faz com que os pequenos tentem buscar a primeira independência: o ato de comerem sozinhos.

Talvez muitas mamães desconheçam que, ao incluir frutas ou outros alimentos sólidos no pratinho do bebê - no momento em que eles estão aprendendo a comer sozinhos - e que independam do uso de colher ou demais papinhas, estão praticando indiretamente um método chamado Baby Led Weaning (ou ‘desmame controlado pelo bebê’, em português). O método visa com que o bebê, a partir do contato do próprio alimento com as mãos, desenvolva uma maior aceitação ao que come.

A zootecnista Expedita Pereira, 39, costuma dar ao seu pequeno Vicente, de um ano e sete meses, pedaços de frutas como abacaxi, bananas, bolachas e pães. “Desde que ele começou a segurar as coisas com mais firmeza, ele se vira”, coloca a mãe. Expedita nem sabia que essa prática tinha nome.

“Foi assim com minha sobrinha Layla, hoje com cinco anos, é assim com o Vi, e a Manu de um ano está no mesmo caminho. Achamos que essa história de dar papinha na boquinha e não deixar a criança comer sozinha cria dependência”, enfatiza.

A experiência com a sobrinha a deixou pensativa. “Quando a Layla explorava, ela experimentava de forma mais natural as comidas e acabou desenvolvendo um leque grande de aceitação de alimentos... isso foi até os três anos. Daí ela passou a vivenciar mais os hábitos alimentares dos pais e a querer comer mais o que eles comem”, pondera. Sobre o filho, Pereira garante que a política se repete.

 “Vicente come sozinho desde que aprendeu a agarrar as coisas. Deixamos ele tentar desenvolver o gosto por coisas legais e procuramos sempre comer coisas saudáveis com ele. No começo, ele mais derrubava ou errava a boca, mas agora t craque... é ligeiro para tirar do seu prato o que gosta”, destaca.

Indicação

De acordo com a pediatra Sônia Almeida, o BLW ou “desmame controlado pelo bebê” consiste em um método desenvolvido por Gill Rapley, uma enfermeira inglesa que, ao trabalhar com saúde pública, decidiu experimentar a introdução de alimentos sólidos colocados ao alcance dos bebês, evitando o uso da colher e das papinhas. A postura do bebê é fundamental para a introdução do hábito na vida da criança.

“A idade ideal para o início da oferta de sólidos na dieta deve ser em torno do sexto mês de vida, quando o pequeno já consegue se manter sentado”, pondera a doutora.

Ainda que alguns profissionais indiquem a prática no período do desmame, Sônia alega que o aleitamento materno pode ser mantido neste período sob livre demanda. “A escolha dos alimentos deve ser sob forma de palitos ou ao natural, no caso das frutas de consistência macias ou legumes cozidos sem sal”, aponta.

Com a introdução da prática, os benefícios são reais, conforme a médica. “Alguns bebês adquirem desenvolvimento motor mais ou menos precoce, demonstrando interesse pelos alimentos consumidos pela família, sendo um bom indício de que este é o momento ideal para iniciar a estimulação”, orienta.

Banana, pera, manga, batata, tomate, cenoura, abacate, uva, couve-flor e brócolis são alguns dos alimentos sob o sinal verde no que diz respeito à introdução de sólidos por meio do BLW. “Outras vantagens que o método inclui são a auto-alimentação, ingestão auto-regulada, possibilidade de gratificantes experiências sensoriais e nutricionais, desenvolvimento de independência e bons hábitos alimentares”, explica ela.

Almeida comenta que, como o bebê – sob o método – comanda a ação, controlando a colocação do alimento em sua própria boca, dificilmente se engasgará, o que foi inclusive estudado. “E a obesidade é mais comum nos bebês alimentados com o uso da colher”, lembra Sônia.

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