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LITERATURA

Crítica: livro sobre o mistério das luminárias é uma opção cativante

'Para Continuar', romance de Felipe Colbert, tem uma narrativa delicada, sensível e com um toque de mistério 18/04/2016 às 20:09 - Atualizado em 19/04/2016 às 11:51
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Luiz G. Melo Manaus (AM)

Nesses dias chuvosos, se você procura um romance que proporciona uma leitura rápida e fácil, Para Continuar (Novo Conceito, 224 páginas), do coach literário Felipe Colbert, é uma opção perfeita.

A narrativa de Colbert é delicada, sensível e com um toque de mistério. Essencial esse último ingrediente nesse bolo narrativo, já que o restante é aquele armazém de água com açúcar da qual já estamos habituados. Vale adiantar: aqui também estamos diante de um casal que tem a morte iminente como obstáculo para a felicidade.

Leonardo César é um jovem universitário paulista de classe média, que tem um problema grave no coração – o que faz com que sua vida seja sufocada por uma bolha de superproteção por parte dos seus pais. Em uma viagem de metrô ele conhece a jovem Ayako, moça de ascendência japonesa, moradora do famoso bairro da Liberdade. A partir daí começa o redemoinho que envolve encontros, desencontros, conflitos diversos e um segredo escondido no porão de uma loja de luminárias, onde a jovem trabalha com o avô e um rapaz chinês - o terceiro elemento de um triângulo amoroso mal sucedido.

No final das contas, é o mistério das luminárias que cativa o leitor (além da diagramação caprichada). E histórias que prendem da primeira à última página habitam no inusitado. Nisto Felipe Colbert acerta o alvo.

Uma proeza considerável, mas, em se tratando de um caso de amor, soa muito pouco. Ou seja, o casal principal tem capacidade de despertar a simpatia do leitor, sim, contudo, não empolga a ponto de nos envolvermos com a relação deles visceralmente.

A ousadia de Leonardo em caçar às cegas uma completa desconhecida pelas ruas de São Paulo, que ele encontrou apenas uma vez, pode ser explicada pela urgência com que a personagem vive a vida, mas não é o suficiente para nos convencer por inteiro. E um relacionamento nascer de uma perseguição que poderia facilmente ser mal interpretada, ou no mínimo, despertar ligeiras desconfianças em Ayako acerca das reais intenções do rapaz, não se sustentam em uma realidade bem mais pragmática, dura até, com paixonites avassaladoras como a do protagonista.

É o tal segredo do porão da loja mesmo que nos move a comprar a história - narrado em primeira pessoa por Leonardo e parte em terceira sob o ponto de vista das demais personagens (o que nos permite uma visão bem ampla de tudo o que acontece).

Agora, o grande mistério, quando equiparado ao casal, pode causar duas reações imediatas possíveis no leitor: uma profunda ternura ou uma retumbante frustração. O que vai depender, claro, do perfil de quem lê e de suas expectativas.

Mesmo assim, dependendo da sua reação ante o desenrolar da trama, ponha na conta do Colbert, que consegue nos puxar até o fim pela mão com uma linguagem apetitosa. Uma qualidade que faz com que o autor não deixe de ser uma grata surpresa.

*jornalista e repórter colaborador do caderno Bem Viver

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