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Entretenimento
'Ato de Comunhão'

Monólogo que conta a história de um canibal está em cartaz no Teatro Amazonas

Ator gaúcho se apresenta no Teatro Amazonas, às 20h, com monólogo indicado para maiores de 18 anos 16/06/2016 às 15:01
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A circulação tem patrocínio do Programa Petrobras Distribuidora de Cultura. Foto: Jorge Etecheber
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

Um conhecido caso de canibalismo ocorrido no início dos anos 2000, no interior da Alemanha, serve como pano de fundo para o monólogo “Ato de Comunhão – Login/Logout”, que fica em cartaz no Teatro Amazonas nesta quinta e sexta-feira, com sessões às 20h e ingressos a preços populares. O espetáculo é estrelado pelo ator Gilberto Gawronski e tem dramaturgia assinada pelo autor argentino Lautaro Vilo, com tradução de Amir Harif.

Apesar de ser inspirada na história real de Armin Meiwes, condenado à prisão perpétua depois de confessar ter matado e comido (a pedido da vítima) um homem que conheceu pela Internet, a peça aborda uma trama de complexidades próprias da vida contemporânea. Assim é que as relações entre tecnologia e solidão, instinto e civilização aparecem em cena como um “sinal dos nossos tempos”, como ponta Gawronski.

“Hoje em dia as pessoas tão buscando muito por personagens reais, não só no teatro como cinema. E o que atrai o público na peça é justamente o fato de o autor ter tido a liberdade de transcender o que o jornalismo trouxe de informações sobre esse caso na Alemanha”, diz o ator, que também ministrará em Manaus uma oficina sobre o assunto.

Grawronski adianta que o texto de Lautaro Vilo é escrito em versos livres que espelham em profundidade a personalidade do canibal alemão. “A construção dramatúrgica desse personagem impõe uma verossimilhança tal que, logo quando lançamos o monólogo, há cinco anos, sete pessoas chegaram a entrar em convulsão durante as apresentações. Mas foi algo que aconteceu não pelo que estava sendo visto no palco, mas pelo poder do que é narrado. É um poder de oralidade típico do teatro”.

Para ele, a peça permite que os espectadores se reconheçam como parte dessa vida contemporânea medida pela Internet, e é isso que pode assustar ou causar repulsa num primeiro momento. “É um elemento ainda novo e não estamos sabendo usar a potencialidade que ela tem, por isso muitas vezes se veem completamente imersas nesse universos quando assistem ao monólogo. Claro que muita coisa mudou, mas o princípio ainda é o mesmo: a busca de um prazer determinado, imediato e sem interlocutores”.

UMA HISTÓRIA A CONTAREm “Ato de Comunhão”, Gilberto Gawronski transmite essas e outras ideias sem apelar ao choque gratuito. Isso fica claro quando ele diz que ninguém vai ver carne no palco, pois há muita sutileza artística envolvida na tarefa de retratar um caso tão bizarro.

O uso de recursos audiovisuais e uma mesma cadência rítmica na voz contribuem para o objetivo de rememorar três momentos da vida do protagonista: o seu aniversário de oito anos, a morte da mãe dele e um jantar insólito com um homem que conheceu pela Internet.

Para chegar a esse resultado, porém, o ator contou com a colaboração de Warley Goulart na direção do monólogo. O fato de Goulart fazer parte de um grupo de contação de histórias influenciou na parceria, admite Gawronski.

“Na peça, o protagonista diz que a história preferida dele é a de João e Maria, e se formos parar para pensar, as histórias infantis vêm carregadas de elementos bem fortes, como o lobo que come a vovozinha e depois tem a barriga aberta. Por isso, achei importante que a minha encenação do texto do Lautaro Vilo não exacerbasse essa questão emotiva e fosse algo próxima da contação de história”, revela.

“Esse é o grande lugar do teatro, o de não ser maniqueísta no julgamento dessa figura. O julgamento cabe a cada um. O gostoso é sair do teatro discutindo a visão de um e de outro”.

Acessibilidade

Nas duas sessões de “Ato de Comunhão” será oferecida a possibilidade de tradução para libras.

Volta ao Amazonas

Em 2013, Gilberto Gawronski foi jurado em Itacoatiara (AM) da décima edição do Festival de Teatro da Amazônia, realizado pelo Governo do Amazonas e da Federação de Teatro do Amazonas.

No Uruguai

O ator foi o primeiro a encenar um texto do escritor Caio Fernando Abreu - Gawronski apresentou “A dama da noite” durante 15 anos. Foi enquanto passava pelo Uruguai com outra peça do autor que ele conheceu o texto de “Ato de Comunhão”, indicado a ele por um crítico de teatro.

Inscrições abertas

Amanhã, Gawronski também realiza a oficina “Crônicas de um testemunha quase emocionada”, a partir das 14h. Da leitura de textos jornalísticos, crônicas, relatos, contos e textos dramatúrgicos, a oficina tem por objetivo fazer vislumbrar um processo de criação de personagem ou narrador a partir de pontos de vista múltiplos: a do cronista, a dos que “sofrem” o fato, a dos que “vivenciam” a história. Para narrar o conto, os participantes também trabalharão com objetos e elementos de significado poético que sofrem transformações lúdicas no seu uso cênico.

Partindo da crônica como gênero literário, a oficina disponibiliza aos atores dinâmicas que estimulam seu processo de pesquisa e trabalho sobre a palavra oral, as práticas narrativas, o ofício do contador de histórias e seus desdobramentos na performance e na cena teatral contemporânea. Com carga de três horas, a oficina é voltada para atores, performers, escritores, músicos, professores e artesãos. As inscrições são gratuitas e ainda podem ser feitas pelo e-mail produzindo2011@gmail.com

Serviço

Oquê: Monólogo “Ato de Comunhão”, com Gilberto Gawronski

Quando: Dias 16 e 17h, às 20honde Teatro Amazonas, Centro

Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)Classificação indicativa: 18 anosinfo (92) 3232-1768 e (92) 99331-7090Oficina “Crônicas de uma testemunha quase emocionada”quando Amanhã, das 14h às 17h

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