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FESTIVAL DE ÓPERA

Montagem de 'Tannhaüser' privilegia a contemplação, afirma diretor cênico

Ópera de Richard Wagner estreia no XX Festival Amazonas de Ópera neste domingo (14), no Teatro Amazonas 14/05/2017 às 05:00
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As duas óperas têm a participação da Amazonas Filarmônica (Bruno Zanardo/Secom)
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

Há cerca de um mês, Manaus se tornou a residência temporária do carioca Caetano Pimentel, que assina a direção cênica das duas únicas montagens da 20ª edição do Festival Amazonas de Ópera: “Tannhäuser” (1845), de Richard Wagner, e “Onde vivem os monstros” (1983), de Oliver Knussen. Entre um ensaio e outro, o diretor bateu um papo com a reportagem e revelou alguns detalhes sobre esses trabalhos. 

Quanto à ópera em três atos de Wagner, cuja estreia acontece neste domingo, dia 14, Pimentel se disse satisfeito com o resultado e ansioso por apresentá-lo ao público. “É minha primeiríssima vez com uma ópera do Wagner. Jamais esperaria que eu fosse enfrentar um compositor como ele a essa altura da carreira”, comentou.

Isso porque Pimentel redescobriu o palco – e o prazer de trabalhar com artes cênicas e ópera – há apenas quatro anos. Antes disso, ele atuou durante um tempo como tradutor e advogado, sua profissão de origem, e hoje ocupa o cargo de diretor de palco e diretor cênico residente do Theatro São Pedro (RJ).

“Sempre fui muito ligado às artes. Minha tia-avó [a mezzo-soprano Carmen Pimentel] foi uma cantora lírica com certo sucesso no Rio, e desde cedo acompanhei o trabalho dela. Cheguei a fazer canto lírico e teatro, mas minha entrada na vida artística, fazendo o que faço hoje, foi um tanto tardia. Por isso é que considero essa minha fase como um resgate, depois de passar por tantas coisas diferentes na vida”.

“Tannhäuser” veio para coroar esse momento da trajetória de Pimentel. A ópera wagneriana foi desafiadora em muitos aspectos, segundo o diretor: “O Wagner trabalha com muitos símbolos e referências de divindades pagãs e do cristianismo. Acabei tendo que ir longe na pesquisa para entender melhor quais eram as intenções dele ao compor essa ópera”.

Montagem

Inspirada em diversas lendas medievais, “Tannhäuser” conta a história de um trovador seduzido pela deusa Vênus, que o leva para morar em sua corte. Na volta à Terra, ele conhece uma virgem chamada Elizabeth (Daniella Carvalho, soprano), por quem Tannhäuser (Luis Chapa, tenor) tenta expurgar seus pecados. 

Na concepção cênica de Caetano Pimentel, a ópera de Wagner ganhou uma leitura mais psicológica, com algumas passagens remetendo a fantasias ou alucinações do protagonista. “Essa obra pode ser encarada sob dois aspectos: como uma lamentação, como se Tannhäuser e Elizabeth fossem vítimas do obscurantismo medieval, mas também pode ser vista como uma ópera a ser contemplada”. 

Foi por esse último caminho que o diretor resolveu enveredar. “Até porque a música é muito bonita e tem coros bem relevantes, tanto cenicamente quanto historicamente”, afirma ele. “Levei a direção por uma ótica não necessariamente otimista, mas um pouco mais positiva, mostrando que nem tudo era para se lamentar”.

Lirismo e fantasia

A outra produção, “Onde Vivem os Monstros”, é uma história de Maurice Sendak que foi transformada em ópera de um ato por Oliver Knussen, em 1983, além de ter virado filme em 2009. A estreia no Festival Amazonas de Ópera acontece no dia 27 de maio.

Segundo Caetano Pimentel, esta é a mesma montagem que fez temporada no Theatro São Pedro, no ano passado – ele divide a direção cênica com Giorgia Massetani. “Essa foi uma ópera de muito sucesso na semana das crianças de 2016, e agora ela virá para Manaus com os mesmos efeitos e concepção”, conta.

De acordo com o diretor, a ópera se aproxima mais do livro do que da adaptação cinematográfica. “O filme trata de um assunto um pouco mais contemporâneo que é o da depressão, mas a história original está mais ligada à elaboração da raiva pela criança”.

Serviço

o quê:  XX Festival Amazonas de Ópera - “Tannhäuser”, de Richard Wagner
direção musical e regência:   Luiz Fernando Malheiro
quando:  Estreia – 14 de maio, às 19h; Récitas – 17 de maio, às 20h, e 20 de maio, às 19h
onde:  Teatro Amazonas, Largo São Sebastião, Centro
quanto: De R$ 5 (inteira) a R$ 60 (inteira), dependendo da localização do assento

o quê:  XX Festival Amazonas de Ópera – “Onde vivem os monstros”, de Oliver Knussen
direção musical e regência:   Marcelo de Jesus
quando:  Estreia – 27 de maio; Récitas – 28 de maio, 3 e 4 de junho, sempre às 11h e 17h
onde:  Teatro Amazonas, Largo São Sebastião, Centro
quanto:  De R$ 5 (inteira) a R$ 60 (inteira), dependendo da localização do assento

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