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Mosaicos: técnica milenar tem adeptos entre artistas locais

Raymond de Sá e o casal Helen Rossy e Buy Chaves desenvolvem trabalhos e até fazem oficinas para ensinar técnica 24/08/2013 às 13:56
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Criações resultantes de oficina vão decorar escola
Jony Clay Borges ---

A arte é feita de fragmentos – de ideias, de elementos, de observações sobre o mundo e as coisas. Mas uma técnica que remonta a muitíssimo antes do surgimento da moderna noção de arte parece levar a ideia ao pé da letra: o mosaico, que utiliza fragmentos de materiais e pequenas peças para a criação de pisos, murais e outras obras decorativas.

Os mais antigos mosaicos conhecidos datam de milênios atrás, e desde lá a técnica evoluiu com diferentes materiais e aplicações. A também chamada arte musiva vem conquistando adeptos ainda nos dias de hoje. Exemplos disso são Helen Rossy, Buy Chaves e Raymond de Sá, que desenvolvem trabalhos com a arte dos fragmentos, tanto em paredes e pisos quanto em peças de mobiliário e outras.

Do viaduto à escola

O mosaico entrou na arte de Helen e Buy há 15 anos, um tanto por acaso, quando um amigo os convidou a dar uso a algumas sobras de azulejos. “Ele disse, ‘Por que vocês não vão lá fazer uns mosaicos?’ O Buy foi o primeiro a fazer, e criou uma mandala de botos, bem rústica”, recorda Helen.

A criação informal foi um achado: um arquiteto viu o resultado e encomendou outras peças. O casal continuou trabalhando com a técnica mesmo depois de se mudar para Santa Catarina, meses depois. Em Itajaí, no interior do Estado, receberam o primeiro desafio em grandes dimensões ao serem convidados para decorar um viaduto prestes a ser inaugurado.

“Fizemos um trabalho com motivos de peixes, pois é uma cidade pesqueira”, conta. Foi o primeiro de vários viadutos decorados pelo casal na região – o maior deles foi um de 11 x 6 metros, com o tema “Festa do Divino”.

Pelo tamanho dos trabalhos, o casal não podia trabalhar sozinho. Assim, contratavam ajudantes de áreas próximas, que de quebra aprenderam a trabalhar com a técnica. Foi a primeira experiência deles com ensino. Ainda no Sul, realizaram um projeto com jovens e adultos, e de volta a Manaus, fizeram oficina com alunos do Liceu Cláuidio Santoro, no ano passado. Hoje, eles ensinam a arte a estudantes de uma escola da Zona Leste, via projeto Jovem Cidadão (veja o Saiba Mais).

“O mosaico exercita o raciocínio, desenvolve a criatividade, trabalha as cores como terapia”, diz Buy. “O mosaico é tudo de bom”.

Curiosidade

Outro adepto do mosaico, Raymond de Sá conta que a técnica surgiu de forma natural em sua arte. “Sempre pintei como se fizesse mosaicos, com grafismos em minhas obras”, declara ele. A curiosidade em se aprofundar veio das obras do catalão Antoni Gaudí, 13 anos atrás. “Comecei a fazer peças, e as pessoas começaram a gostar e encomendar peças”.

Raymond faz mosaicos desde então, seja em Manaus, na oficina que mantém em casa, ou outras cidades por onde viaja, de Boa Vista a Belo Horizonte. Ele desenha as peças segundo o desejo do cliente, e confecciona com espírito de brincadeira, por assim dizer: “Se você consegue ‘casar’ as peças direito, consegue convencer quem vê que aquilo era algo que estava inteiro e se quebrou. O mosaico é como uma brincadeira com o olho”.

Trabalhos em estúdio

Tanto Raymond de Sá quanto Helen Rossy e Buy Chaves produzem trabalhos em mosaico sob encomenda em seus estúdios (veja o Serviço). Aí se incluem criações para muros, paredes ou pisos, e decorações para piscinas, áreas externas e até mobiliários (como tampos de mesa), além de peças artesanais, como porta-chaves e pratos decorativos.

No caso de criações de grandes dimensões, o grosso do trabalho é feito nos ateliês dos próprios artistas, com a aplicação dos fragmentos sobre uma tela. Mais tarde, a obra inacabada é levada e finalizada no próprio local.

Azulejos e cerâmicas são a principal matéria-prima. “Desenhamos na tela, separamos as peças por cor e vamos quebrando com uma torquês”, resume Buy, que mais raramente também usa pastilhas de vidro. Raymond experimenta também materiais como sementes de açaí e até de tucumã: “Dá um trabalho enorme, mas ficam uns cacos interessantes”.

Serviço

O que é: Oficina Todo Mosaico – Helen Rossy e Buy Chaves

Onde: Rua A, Jardim Oriente, Parque 10 de Novembro

Informações:  www.facebook.com/helen.rossy.9

O que é: Usina da Cor Ateliê de Artes - Raymond de Sá

Onde: Rua Diamante, nº 9, Conj. Manauense, N.S. das Graças (temporário)

Informações:  www.facebook. com/raymond. desa.3

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