Sábado, 19 de Junho de 2021
ALÉM DAS TELAS

Mostra de cinema e artes visuais CUIR recebe artistas amazonenses

Em 14 dias de programação, mostra on-line e gratuita reúne 42 trabalhos que conectam o cinema independente e as artes visuais



Uyra_Sodoma-MANAUS_CIDADENALDEIA-3_26BB8558-D29E-43E4-9468-3708ED718184.jpg Foto: Divulgação
04/06/2021 às 10:59

Entre os coletivos e artistas com trabalhos na programação da CUIR — FILME E EXPERIMENTO — AMÉRICA LATINA, dois representantes do estado do Amazonas destacam-se. O programa “Corpos-árvore nascem de costas” enfatiza o trabalho do biólogo e arte-educador Emerson Munduruku (convidado) e da multiartista Keila Serruya Sankofa (indicada). Nesse programa, serão exibidos três curtas que se juntam às demais obras que conectam o cinema independente e as artes visuais, todos com legendagem descritiva, para pessoas com deficiência auditiva.

 

Entre os dias 07 e 20 de junho, a CUIR exibirá gratuitamente e no formato on-line 42 trabalhos de mais de 30 artistas. A programação apresenta visões artísticas da dissidência sexual e de gênero no subcontinente sul expressas em criações audiovisuais assinadas por artistas nascidos no Brasil e em outros seis países da América Latina: Chile, México, Colômbia, Argentina, Cuba e Uruguai. As produções em cartaz na CUIR estão organizadas em dez programas, além de uma série de debates, formada por oito encontros entre artistas, pesquisadores e pesquisadoras e o público.

 

Presença amazonense

 

Munduruku dá vida à drag queen amazônica Uýra Sodoma, “uma árvore que anda”. Uýra Sodoma vem cruzando espaços da arte contemporânea com uma pedagogia que reintroduz experiências indígenas como evento ao mesmo tempo singular/coletivo, material, contra-histórico e performático, destituindo em ato os especialismos da crítica da dissidência. Em Manaus, uma cidade na aldeia, a árvore que anda invade de volta o território onde a cidade colonial foi obrigadaenquanto a voz da artista desvenda na paisagem arquitetônica moderna uma coleção de ataques do projeto país — e sua atualização no bolsonarismo. O curta “Manaus, uma cidade na Aldeia” está em cartaz na mostra CUIR. 

 

Uýra Sodoma é a artista convidada para esse programa que indicou para a composição do programa o trabalho da fotógrafa de seu filme, a realizadora amazonense Keila Serruya Sankofa. A multiartista partilha dois filmes que, na materialização da presença em imagem, dirigem-se a contextos afins e à vivência de uma geografia comum entre as duas artistas: ora com a imposição do corpo racializado e generificado num regime nacional — simbólico e audiovisual —‚ de violência e violação, ora com a retomada performática do espaço raptado pela forja manauara. Serão exibidos dois curtas com direção da multiartista: “SEM NOME / SEM (cem) MORTOS” e “Ancestralidade de terra e planta”.

 

Todas as obras convidadas e indicadas para a CUIR poderão ser vistas durante os 14 dias de programação diretamente na plataforma própria (cuirfil.me), nas versões português e espanhol. Também serão promovidos debates com transmissão ao vivo pelo canal da mostra no YouTube (@encurtador.com.br/kAL16). Toda a programação é aberta e não são necessários cadastro e/ou inscrição prévios para acompanhar as atividades programadas. O projeto foi aprovado nos editais da Lei Aldir Blanc, no âmbito do estado de Minas Gerais. A produção é da proponente Ana Carolina Antunes e, a curadoria, do pesquisador e programador de cinema Luís Fernando Moura.

 

Sobre a CUIR

 

A CUIR exibirá produções artísticas em formatos diversos, entre a ficção, o ensaio, a performance, a videoarte e o videoclipe, em sua maioria de curta duração. O curador Luís Fernando Moura explica que emblema do “cuir” surge como “uma resposta das políticas, da pesquisa e das artes do sul global a maneiras de descrever dissidências sexuais e de gênero – ‘queer’ –, pondo em relação movimentos de resiliência, de afirmação e de invenção”. Em suas palavras, “a mostra nota como essa reação, expandindo limites da imaginação coletiva, explora aqueles do que se entende por filme, sendo incontornável aos rumos contemporâneos das artes e das histórias das poéticas, das culturas ou do ‘cinema’. Ao fim, o que se cria em imagem extravasa o projeto da sua própria descrição”, completa.

 

A proposta da CUIR consiste em apresentar um recorte de filmes produzidos no âmbito dessas redes de criação e promover diálogos em torno delas, valorizando traços de invenção e proposição artística e política. A mostra aposta na introdução de filmes originais e particulares, muitas vezes com circulação reduzida a circuitos locais, e em diálogos desdobrados a partir destes trabalhos, por meio de cartas brancas de curadoria e através de conversas com as realizadoras e realizadores.

 

Programa Corpos-árvore nascem de costas

artista/coletivo convidado: Uýra Sodoma (Brasil)

artista/coletivo indicado: Keila Serruya Sankofa (Brasil)

 

“Manaus, uma cidade na Aldeia”, dir. Uýra Sodoma, Brasil (AM), 2020, 6', class. livre.

Somente o território de Manaus abriga o legado de ao menos 45 povos indígenas violados pela ofensiva da história branca. O corpo-árvore Uýra Sodoma incorpora e transfigura a perseverança de matéria e espírito enquanto denuncia na paisagem urbana a monumentalização de ruínas coloniais. Com a performance e a palavra, a artista promove um desterritório, retomando em criação de formas a permanência de habitantes antecedentes e presentes. D, Pe Emerson Uýra F Keila Serruya Sankofa, Alonso Junior TS/BS Mafel Matagal João Paulo Machado Francisco Ricardo e Amism Sateré Mawe.

 

“SEM NOME / SEM (cem) MORTOS”, dir. Keila Serruya Sankofa, Brasil (AM), 2019, 3', class. 14 anos. Ao som do hino brasileiro, a artista se banha de brilho e sangue, até que o presidente da república fala algumas coisas. Depois, ela se recompõe com uma outra imagem. Realizado antes da pandemia, o filme incontornavelmente se reatualiza em 2021. D, Pe, A Keila Serruya Sankofa F João Paulo Machado M Cris Silva.

 

“Ancestralidade de terra e planta”, dir. “Keila Serruya Sankofa”, Brasil (AM), 2018-2021, 5', class. livre. A artista realizadora leva tecnologias de ponta xamãs, yalorixás e babalorixás para o meio da capital amazonense, numa convocação da sabedoria oferecida pelas plantas e pela terra. O filme faz parte de uma pesquisa expositiva mais ampla, homônima, que explora linguagens da fotografia, da videoinstalação e da performance. D, P Keila Serruya Sankofa F João Paulo Machado, Alonso Junior Te Maria Dolores Rodriguez.

 

Serviço

CUIR – FILME E EXPERIMENTO – AMÉRICA LATINA

07 a 20 de junho de 2021

on-line | cuirfil.me | gratuita

 

Contatos:

Plataforma: cuirfil.me

Instagram: @cuirfilme

Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCEOkqTHrlf2k6nIZaXLKedw

(31) 99191-9344 | cuirfilme@gmail.com

 



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