Quarta-feira, 21 de Agosto de 2019
Vida

Movimento ArteOcupa: artistas promoveram manifestações culturais na Praça Dom Pedro II

A capoeira rolou solta no coreto da praça. Algumas casas, espaços abandonados, ganharam uma alegria com a “ocupação” da galera do grafite. Com seus sprays, criatividade e união, eles fizeram o logradouro, considerado uma “área vermelha”, ganhar vida



1.jpg Muitos capoeiristas se apresentaram no coreto da praça Dom Pedro II. Alguns dos presentes ainda arriscaram alguns passos de luta
18/02/2013 às 09:13

Nem a chuva foi capaz de acabar com as “cores” e a energia dos artistas que participaram da primeira edição do Movimento ArteOcupa, realizado neste domingo (17) na praça Dom Pedro II  e em seu entorno, no Centro Antigo de Manaus. A ação, que iniciou às 9h, reuniu profissionais das artistas plásticas, do grafite, da poesia, da capoeira, entre outros.

A capoeira rolou solta no coreto da praça. Algumas casas, espaços abandonados, ganharam uma alegria com a “ocupação” da galera do grafite. Com seus sprays, criatividade e união, eles fizeram o logradouro, considerado uma “área vermelha”, ganhar vida. Muitos moradores da região, como Anne Cristiane Spencer, apoiaram a iniciativa.

“Aqui é muito bom. A área onde moramos é discriminada, o pessoal acha que, como é ‘área vermelha’, não tem moradores, crianças. Isso aqui é até uma animação para nós”, disse ela, que mora há 36 anos no local.

Aprovação

Muitos artistas acharam interessante realizar o projeto no Centro Antigo, devido à sua importância histórica, como explicou o fotógrafo Jimmy Christian, que levou para lá sua exposição “PlanopanoramaManaus”.

“Achei uma ideia formidável. Aqui, digamos, é o buraco negro, onde começou tudo. Ela sempre é morta (a praça). Todas as grandes cidades têm seus centros antigos movimentados, como por exemplo Curitiba, com um público legal, de universitários, de pessoas que gostam de cultura. Achei legal essa iniciativa reunir a moçada e de se manifestarem onde quiserem”, disse. “Expus no Palácio da Justiça, no Café Teatro e agora (ontem) estou no coreto. Vejo que atingi o público que queria, o que entende de arte”, complementou. Em abril, a “PlanopanoramaManaus” será exposta na cidade de Brasília.

Renatinha Peixe-Boi, à frente do evento, explicou que “é importante lembrar que está história (do Centro Antigo) está viva e não morta. Não podemos trancá-la nos museus. Temos que trazê-la às ruas, para que as pessoas possam partilhar disso”.

‘Sem amarras’

A queda de braço entre a liberdade do pensamento e o autoritarismo foi um dos temas destacados pelo escritor Márcio Santana, que também participou do ArteOcupa. “Não podemos fazer com que o autoritarismo vença. A poesia é que vai vencer. O autoritarismo desses descendentes de coronéis que acham que são os donos da cidade. Os donos somos nós, os poetas. Podemos transitar livres, não estamos fazendo mal a ninguém”.

Ainda segundo ele, Manaus vive uma época de apropriação (de espaços), mas que “não fazem nada”, ele diz, referindo-se aos governantes da cidade. “As pessoas estão transformando os espaços públicos de diversão e de manifestação da arte em hospitais. Vamos esquecer isso, a praça é nossa”, finalizou ele, que é autor de “O homem com a abertura na testa”, “A fuga”, “Doze contos amazônicos” e “Anotações para um conto”.


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