Publicidade
Entretenimento
TROCA DE COMANDO

Classe artística diz o que espera da próxima gestão da Secretaria de Cultura

O empresário e produtor cultural Marcos Apolo Muniz assumirá o comando da pasta no governo Wilson Lima 27/12/2018 às 14:43 - Atualizado em 27/12/2018 às 14:44
Show 767311 3e15af2d ec3c 47bb ad1f cb4d5105395d
Juca Queiroz/Divulgação
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

A indicação do empresário e produtor cultural Marcos Apolo Muniz para assumir a gestão da Secretaria de Cultura do Amazonas a partir de janeiro de 2019 repercutiu bem entre os vários segmentos do movimento artístico. O nome escolhido pelo governador eleito Wilson Lima gerou até certo alívio em quem é da área, já que Apolo tem currículo e conhece a estrutura da SEC, onde atuou durante anos como diretor técnico de eventos como o Festival de Ópera.

Agora, a expectativa é que o próximo secretário – que vai gerir um orçamento de R$ 100 milhões – fortaleça os instrumentos de diálogo com a sociedade e consolide políticas públicas contínuas para o setor. Isso é o que esperam artistas como Elisa Maia, produtora cultural do Coletivo Difusão, responsável por ações como o festival de artes integradas Até o Tucupi. 

Para ela, a gestão da cultura no Amazonas vem passando por um processo importante de ruptura de ciclos desde a saída de Robério Braga da pasta, em 2017, depois de 20 anos como secretário. “Agora teremos um novo ciclo, uma nova história a ser escrita. Esperamos que os próximos quatro anos sejam de diálogo, com o fortalecimento das ferramentas de participação, como a lei estadual de cultura e o conselho, que precisa ganhar outro formato para ter voz e capacidade de articulação”, opina a cantora. “Nossa cobrança vai ser por uma política pública concreta, que dê autonomia aos artistas”.

Representante do Fórum de Dança do Amazonas, Verlene Mesquita também vê a troca de comando na SEC como o momento de manter o que deu certo e sistematizar o que há por fazer. Segundo ela, o foco deve ser na assistência, orientação e difusão: “Essa relação com o Estado é um desafio não só para a dança, mas para todas as linguagens artísticas. Contamos que o espaço de diálogo com o Fórum de Dança seja ampliado, para que os profissionais se sintam assistidos e possam desenvolver seus projetos em todo o Amazonas”.

Fomento

Representando o Instituto Ganga Zumba, que atua na promoção de políticas afirmativas e difusão da cultura afrodescendente, Luiz Fernando Costa reconhece a experiência de Marcos Apolo com a cultura e espera que o futuro secretário abrace a ideia de um calendário mais “black”. “Temos uma série de datas e manifestações importantes que passam despercebidas, como o próprio maracatu. Torço para que ele chame pessoas que militam no movimento negro há bastante tempo para ajudar a delinear isso”.

Dentre outras pautas que o Ganga Zumba pretende discutir com a SEC a partir de 2019 estão a maior articulação dos movimentos culturais com as escolas e a oportunidade de formação musical no Liceu Cláudio Santoro para pessoas mais velhas. “Também vemos como necessária a criação de um curso extensivo ou em parceria com a universidade para preparar mão de obra qualificada em sonorização, musicalização, etc. Tem todo um mercado que precisa ser lapidado, e isso ainda ajudaria a oxigenar as carreiras de quem já está nele”.

Produtor ligado ao Centro Popular do Audiovisual, Allan Gomes destaca a necessidade de a SEC encampar a recuperação do curso de Tecnologia em Produção Audiovisual oferecido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA). “Como foi uma graduação incentivada pela secretaria, ela tem que assumir a responsabilidade de incentivar a abertura de novas turmas e promover a diversidade dos ingressantes”, comenta.

Ele ainda defende a criação de um núcleo para auxiliar na produção executiva de projetos audiovisuais, bem como a realização de um estudo de mercado para identificar que tipo de cursos e intercâmbios fomentar. “As últimas gestões também pecaram no aproveitamento de recursos do Fundo Setorial do Audiovisual [ligado ao Ministério da Cultura]. Por meio dele, a cada R$ 1 investido pela SEC, o Fundo investe R$ 5. Seria algo bastante positivo, que movimentaria a economia amazonense e posicionaria o audiovisual como uma indústria local”.

Por fim, mais que a retomada de um grande festival realizado pelo Estado, nos moldes do antigo Amazonas Film Festival, Allan acredita que a secretaria pode apoiar  iniciativas já realizadas pela sociedade civil, como o Matapi - Mercado Audiovisual do Norte e a Mostra de Cinema Amazonense.

Publicidade
Publicidade