Publicidade
Entretenimento
Vida

Movimento difunde manifesto pró-Cultura com Carta Aberta ao governador José Melo

Mobiliza Cultura Amazonas vai entregar o documento ao governador do Amazonas, propondo reavaliação das políticas para o setor 13/02/2015 às 13:41
Show 1
Nova agenda para festivais está entre as preocupações dos artistas
JONY CLAY BORGES Manaus (AM)

O Mobiliza Cultura Amazonas, movimento capitaneado por representantes de vários segmentos da arte e da cultura no Estado, divulgou anteontem uma Carta Aberta ao governador José Melo, na qual faz uma avaliação das políticas culturais promovidas no âmbito estadual e oferece propostas e ações mais afeitas aos interesses da classe artística local. O documento, divulgado pelo movimento por meio das redes sociais, deverá ser protocolizado na sede do Governo do Estado no próximo dia 19, quinta-feira.

Entre as principais demandas expressadas pelo Mobiliza Cultura Amazonas na carta aberta, estão a efetiva implementação do Plano Estadual de Cultura e da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, a manutenção da programação nos teatros e espaços culturais da cidade, e a regularidade do edital do Programa de Apoio às Artes (Proarte), mantido pela Secretaria de Estado de Cultura.

No documento, assinado coletivamente por várias entidades representativas da Cultura, as políticas públicas destinadas ao setor têm “se mostrado insuficientes para responder à enorme demanda”. “É consensual a percepção de desalinhamento entre os encaminhamentos das políticas públicas, e as necessidades concretas e reais dos segmentos artísticos”, diz o texto, que aponta “a falta de diálogo dos entes públicos com os segmentos” como causa do desacordo. A carta sugere ainda um realinhamento dessas políticas com foco na valorização dos artistas profissionais, “situando-o mesmo no âmbito do setor produtivo empreendedor como agente de renda, emprego e desenvolvimento”.

Plano de cultura

O Mobiliza Cultura Amazonas cobra ainda na carta aberta esclarecimentos sobre a não implementação do Plano Estadual de Cultura, da regularização do Conselho Estadual de Cultura e Fundo Estadual de Cultura, e da Lei Estadual de Incentivo, que o movimento considera “peças fundamentais para que se desenvolva o empreendedorismo cultural no nosso Estado”. E pede ainda explicações sobre a mudança na agenda dos festivais realizados pela Secretaria de Cultura, anunciada no início deste ano, que tornaria os eventos bianuais, e não mais anuais.

“Sua programação fomenta a cadeia de produtores, artistas e técnicos”, destacam os representantes do movimento, apontando que a descontinuidade da agenda dos festivais “demonstra total fragilidade ao que sempre foi defendido pelos artistas: um plano de política cultural, ao invés de um plano de Governo”.

Apoio vs. Fomento

Outro ponto frisado no documento dirigido ao governador é o da “mudança do conceito de apoio cultural para o de ‘fomento cultural’”. No último caso, avalia o movimento, “não se pensa em dar um recurso irrisório para o artista, como forma de maquiar o incentivo cultural, mas em incentivar a produção autônoma através da criação de empresas culturais”.

O texto nota ainda que, desde a realização do Mundial de Futebol, em julho passado, os artistas locais têm perdido espaço na programação cultural mantida pelo Estado: “Estamos, desde a realização da Copa, sem teatros abertos, programação cultural, contratação de artistas, locais de ensaios”.

A carta aberta finaliza propondo o diálogo entre artistas e gestores públicos na busca por uma política que atenda a demandas da classe. “Promover mudança é, de fato, perceber que o que temos como modelo de cultura não contempla nossas ansiedades”, conclui o texto.

Publicidade
Publicidade