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Entretenimento
Lançamento literário

Movimento 'Vamos Juntas?' é transformado em livro e chega às lojas de todo o Brasil

Obra escrita por idealizadora da mobilização nas redes sociais fala sobre feminismo de maneira simples e incentiva mulheres a ajudarem umas as outras na luta contra o assédio 30/03/2016 às 10:58 - Atualizado em 30/03/2016 às 11:23
Natália Caplan Manaus

Voltar de ônibus, à noite, após mais um dia de trabalho, enfrentando uma rua escura e deserta para chegar em casa. Esse é o cotidiano de milhões de mulheres no mundo todo e também cenário que inspirou a jornalista Babi Souza a criar um projeto que já ultrapassou 300 mil seguidoras no Facebook, o “Vamos Juntas?”. Diante do sucesso, o movimento virou livro homônimo e chegou às lojas na última semana.

“Eu voltava de ônibus, à noite, de mais um dia de trabalho, em Porto Alegre [RS]. Precisava cruzar uma rua escura e deserta. Senti medo. E, ao olhar em volta, vi que diversas mulheres caminhavam da mesma forma, apreensivas. ‘E se fôssemos juntas?’, pensei”, lembrou a idealizadora, ao ressaltar a mensagem que pretende passar, agora, por meio da obra literária. “A sororidade existe e está acessível”, completa.

Em destaque na rede social, a página mostra às seguidoras o principal objetivo do movimento: “Na próxima vez que estiver em uma situação de risco, observe: do seu lado pode estar outra mulher passando pela mesma insegurança. Que tal irem juntas?”. Na linha do tempo, centenas de relatos de moças que tiveram a oportunidade de acompanhar ou ter companhia de “desconhecidas” em auxílio mútuo.

“Eu sentia que a página tinha um papel inspirador muito grande, deu muito certo. As mulheres lendo aquelas histórias se inspiraram a ajudar umas as outras na rua. Elas perceberam que a sororidade existe. Não tem como lutarmos por um mundo mais igualitário se estivermos perdendo tempo lutando entre si. Essa é a ideia central do movimento e o livro comunica isso de uma forma muito simples”, explicou.

De acordo com a escritora, a maioria das curtidas e depoimentos é de jovens e adolescentes, de todas as partes do Brasil, interessadas em aprender sobre feminismo e empoderamento feminino — devolver, tomar de volta o poder à mulher. Elas querem viver, na prática, o lema propagado pelo “Vamos Juntas?”. E, apesar do sucesso e do alcance da mobilização na Internet, alguma coisa parecia estar faltando.

“Percebi que ainda faltavam duas coisas: a primeira, ajudar as mulheres de uma forma mais prática. Com isso, surgiu a ideia do aplicativo ainda em desenvolvimento. A segunda, trazer uma contextualização maior, explicar para essas meninas de que revolução estão fazendo parte; como elas colocam o ‘Vamos juntas?’ em prática”, declarou. “O movimento tem o papel de democratizar o feminismo e todos esses assuntos”, completou.

Intuição e ‘mãos à obra’

Enquanto pensava na criação de um portal, a “resposta” de qual deveria ser o próximo passo veio de uma maneira inusitada. Babi sonhou com centenas de livros de capa amarela pela casa e, ao acordar, se deparou com o convite de uma agente literária para trabalhar no projeto. Não pensou duas vezes e, após fechar contrato com a editora Record em novembro, escreveu tudo em pouco mais de um mês.

“A sororidade existe e está acessível, quando colocamos o ‘Vamos juntas?’ em prática. Agindo com este sentimento, ressaltamos que não temos tempo para brigas. A rivalidade existe por ser uma construção social”, afirma. “Vamos além, quando nos ajudamos,  empoderando umas as outras. Tornei esses assuntos de fácil entendimento, independentemente da idade. A pessoa pode nunca ter ouvido falar sobre feminismo, ela vai entender”, enfatiza.

Fã de 4 anos de idade, Lua surpreendeu a autora do livro

Inspiração para as futuras feministas

Durante o lançamento do livro “Vamos Juntas? O guia da sororidade para todas”, em São Paulo e no Rio de Janeiro, Babi Souza recebeu fãs de todas as idades. Mas em meio a tantas mulheres, a pequena Lua surpreendeu a jornalista. Acompanhada da mãe, a menina de apenas quatro anos mal podia se conter de alegria na fila de autógrafos.

“Ela estava ansiosa. Antes mesmo de chegar a vez na fila, queria ver, afinal, o que eu estava escrevendo no livro das outras pessoas. Quando chegou a sua hora, entendi:  estava ansiosa para falar com a moça que, de certa forma, conta histórias pra ela todos os dias antes de dormir. A mãe lê os depoimentos da página para ensinar a ela sobre sororidade”, revelou.

Na obra, a autora conta a trajetória da iniciativa, que tem mais de 300 mil seguidores nas redes sociais e reúne histórias de mulheres que sofreram assédio ou conseguiram evitá-lo graças a ajuda de outras. Babi compartilha alguns destes depoimentos e apresenta conceitos básicos sobre feminismo, empoderamento e, principalmente, sororidade.

“As histórias têm a função de mostrar o quanto isso é possível. Não é a toa que o primeiro capítulo é sobre o ‘Vamos juntas?’ e o segundo é sobre sororidade. Quando as meninas colocam em prática, fica mais fácil de entender. Não é um conceito louco, mas é verdadeiro, está na rua e é necessário”, finalizou.

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