Quinta-feira, 22 de Agosto de 2019
Vida

Muito além dos jardins: a terapia e o bem-estar no quintal de casa

O paisagista Luiz Carlos Orsini chama atenção para o preparo antes de construir um jardim. “É importante levar em conta a estrutura, pois as plantas ficarão grandes, e o traçado, ou seja, as vias por onde as pessoas passarão. Afora isso, não existe tendência. O que há é o gosto do cliente adequado ao clima e a arquitetura”, ressalta



1.jpg “Adoro andar descalça, pisar na terra. Isso me traz energia e positividade. Não existe nada melhor do que viver em contato com a natureza”, diz Alice Lins
29/04/2013 às 08:44

Alice Lins tem um jardim invejável. São 18 palmeiras imperiais, flores belíssimas e árvores frutíferas que muita gente nem conhece ou viu de perto como algodão, avenca e abricó. E pasmem: tudo plantado por ela mesma, há 33 anos. É neste grande espaço da casa que a chanceler da Universidade Nilton Lins recarrega suas energias.

“Adoro andar descalça, pisar na terra. Isso me traz energia e positividade. Não existe nada melhor do que viver em contato com a natureza”, diz Alice.

Quem também projetou um jardim e desfruta de um belo visual quando acorda e do prazer de regar as plantas ao som dos passarinhos, é a professora Eliana Loureiro.

“Gosto de admirá-lo diariamente. Sempre digo que se você trata bem uma planta, ela te retribui em flor. E esse contato traz bem-estar”, afirma Eliana.


Jardinoterapia

Essas duas mulheres vivem diariamente o que Marcelo Faisal, reconhecido como um dos dez melhores paisagistas do Brasil, chama de jardinoterapia.

“Esse é um termo que eu uso para tratar do poder terapêutico do jardim. Ele possui um conjunto de sensações que desperta os cinco sentidos humanos. O perfume das flores, o sabor das frutas, o visual da paisagem, o som dos pássaros ou da fonte de água e o toque das plantas”, comenta Faisal.

Ele explica que quando tocamos numa planta, esta se transforma num fio terra, que descarrega nosso excesso de energia. “Esse é um mecanismo que nos ajuda a distensionar”, informa o paisagista.

Um jardim também influência a vida social. “Fui chamado para projetar e fazer um jardim de dois quilômetros de extensão na avenida Berrini, uma das mais movimentadas de São Paulo nos horários de pico. O que percebi durante os quatro meses de construção era que, em meio ao estresse do trânsito, as pessoas se detiam por algum momento em olhar o paisagismo que estava sendo feito. Isso naturalmente despertava uma sensação agradável em meio ao caos”, conta Faisal.

Cultivando

O paisagista Luiz Carlos Orsini chama atenção para o preparo antes de construir um jardim. “É importante levar em conta a estrutura, pois as plantas ficarão grandes, e o traçado, ou seja, as vias por onde as pessoas passarão. Afora isso, não existe tendência. O que há é o gosto do cliente adequado ao clima e a arquitetura”, ressalta.

E Faisal arremata: “para ter um jardim bonito sempre, adube corretamente, controle as pragas e trate-o com carinho”.
Fotos: Juca QueirozEliana Loureiro tem um jardim de Versallhes particular. Ela não plantou, mas coordenou todo o projeto do qual desfruta hoje

A saúde agradece

O paisagista Marcelo Faisal (foto) é um defensor de que o jardim contribui para reverter quadros clínicos. E a ciência confirma. A médica Cristina Borghi, autora do livro “O jardim que cura”, Ed. Giunti ( sem tradução para o português), em entrevista à revista Viva Saúde, lembra que os cuidados com um jardim diminuem o estresse porque permitem uma pausa que coloca a mente em estado meditativo.

“O encanto da beleza age diminuindo os sentimentos negativos, acalma, leva ao otimismo, à esperança e promove a confiança na cura: um jardim corresponde a um lugar belo, bom e encantado onde vige a harmonia. O que precisamos é exatamente disso e nada mais.”

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