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SEM TABUS

Mães encontram nas redes sociais um meio de trocar experiências

Mulheres usam blogs e canais no Youtube para abordar a maternidade sem preconceitos e romantismo 07/05/2017 às 07:00
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Liege Albuquerque é uma das editoras do blog Mães Cri Cri, do portal acritica.com
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

Nos últimos tempos as redes sociais têm revelado um novo nicho com altos índices de audiência: o das mulheres que usam as ferramentas digitais para compartilhar experiências da maternidade. Ao desmistificar essa fase da vida, youtubers e blogueiras ensinam e dão suporte a outras tantas mães espalhadas pelo Brasil, coisa que antigamente só era possível por meio de livros à moda dos manuais.

Para a professora Liege Albuquerque, uma das editoras do blog Mães CriCri, do portal acritica.com, o contato com as leitoras é sempre surpreendente. “Nosso círculo no mundo ‘real’ acaba se reduzindo a mãe, irmãs e amigas de trabalho, mas a Internet aumenta de uma forma absurda a nossa rede de contatos. Acho o máximo”, diz ela, que é mãe de Catarina, de nove anos.

“Quando você acha uma pessoa que passou por uma coisa parecida com a sua, já não se sente mais tão sozinha. A gente ri das mesmas coisas, chora também, e às vezes percebemos que o problema nem é tão grande quanto a mãe acha que é”.

Liege conta que o Mães CriCri, prestes a completar três anos de criação, nasceu com a ideia de divulgar a agenda de eventos voltada para os pequenos em Manaus, mas a proposta acabou se alargando. Com filhos em idades diferentes, as editoras (incluindo Karla Marinho e Fernanda Teixeira) começaram a escrever artigos sobre experiências pessoais, e o retorno logo veio.

“Temos leitoras que nos fazem perguntas, tentam tirar dúvidas, e a gente corre atrás de responder. O interessante nessa troca com o público é que percebemos o quanto cada gravidez é uma aventura nova, todo dia você vai vendo uma novidade no desenvolvimento do filho”, completaLiege, que também já foi uma leitora assídua de blogs sobre maternidade.

“Quando minha filha era menor eu acompanhava mais. Ficava direto na Internet buscando informações sobre desfralde, chupeta, etc. Mas acredito que quando a criança vai crescendo, vamos ficando mais seguras também”.


(As youtubers Helen Ramos e Raquel Minelli)

Participação

“Maternidade sem caô” – esse é o lema de Helen Ramos, criadora do canal HelMother, seguido por mais de 70 mil pessoas no Youtube. Problemas reais do dia a dia de uma mãe, sem tabus ou julgamentos, estão entre as pautas dos vídeos descontraídos que a youtuber produz. 

O HelMother surgiu porque Helen, jornalista e mãe do Caetano, sentiu necessidade de falar abertamente dos desafios da maternidade. Ao valorizar a autonomia e a criatividade das mulheres, ela acabou virando sucesso e hoje tem uma média de 100 mil visualizações por vídeo no canal.

Na próxima quinta-feira, dia 11, Helen estará em Manaus para participar de um bate-papo promovido pelo Manauara Shopping. A ação faz parte da campanha do centro de compras para o Dia das Mães, que com o mote “#Irmães” quer aproximar as mães umas das outras. “Fico feliz em participar de uma campanha que promove a reflexão do quanto a empatia é necessária para o bem-estar de uma mãe, e em consequência para a sociedade”, destaca Helen. 

Romantizar ou não?

Blogueiras e youtubers não têm se limitado à Internet quando o assunto é maternidade. Muitas acabam recebendo convites de editoras para registrar suas experiências num outro formato, o bom e sempre funcional livro. Foi o caso da carioca Raquel Minelli, que lançou recentemente “#Raka no Divã”. Há algumas semanas, Raquel falou à reportagem sobre o lançamento do livro e aproveitou para tocar num assunto que vem interessando muitas mulheres: a não romantização da maternidade.

“Mãe não tem que ser perfeita, mãe tem sim direito de reclamar, mãe sofre, mãe se arrepende, mas não sabe que para isso é um processo doloroso que requer paciência e muita garra. Mãe tem sim direito de ficar sozinha, mesmo na maioria das vezes não querendo fazer isso, pois ficar longe do seu filho também é doloroso... tudo isso não nos faz mais ou menos mães. O que falta na sociedade é respeito e mais verdade. Talvez assim, muitas não se sentissem tão depressivas e culpadas achando que tudo o que fazem, saindo daquela maternidade romântica, é errado”.

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