Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2019
ENTREVISTA

'Múltiplo e misturado', João Suplicy dá novo fôlego à carreira solo

Músico descreve reação do irmão Supla quando ele anunciou que sairia da banda Brothers of Brazil



b0114-16f.jpg João Suplicy acaba de lançar novo disco solo (Edu Pimenta/Divulgação)
14/08/2017 às 13:51

Nos últimos oito anos, João Suplicy se apresentou em palcos do País e do mundo ao lado do irmão Supla, com quem montou a banda de pop rock Brothers of Brazil. Mas, do ano passado para cá, o desejo de retomar a carreira solo acabou falando mais alto, e o resultado disso é o disco “João”, que o cantor e compositor acaba de lançar. Com 14 faixas, quase todas produzidas pelo próprio músico, o álbum vem para suceder “Caseiro”, último trabalho solo e autoral gravado por João no longínquo ano de 2005.

Nessa entrevista, o artista fala abertamente sobre esse processo de mudança e dá detalhes sobre a sonoridade de “João”, que transita com leveza entre a MPB, o pop e o rock. “Minha identidade é múltipla e misturada, assim como a do Brasil”, afirma.



As turnês e os mais 300 shows com o Brothers of Brazil te transformaram em que sentido?
De várias formas. Não sou mais o que era oito anos atrás e, de certa maneira, esse momento atual é um reencontro comigo mesmo, por isso batizei o CD de “João”. Mas com certeza trago muito da experiência com o Brothers, das turnês longas, dos 30 ou 40 dias dias tocando toda noite, principalmente em circuitos mais roqueiros. Isso tudo afetou minha maneira de tocar, de ser, de performar no palco. Passei a tocar outros instrumentos também, o que me deu confiança suficiente para fazer isso no meu próprio CD.

Quando percebeu que tinha chegado a hora de retomar a carreira solo?
Esse momento quase chegou várias vezes durante esse período. Sempre compus muitas coisas espontaneamente, mas essas músicas não cabiam no conceito da banda, então ela foram acumulando e eu acaba adiando o retorno solo. A banda também me tomava tempo, mas era algo que deu muito certo, sempre tinham coisas acontecendo, como turnês, discos, programas de TV... Até que chegou um momento em que pensei: ‘se eu esperar uma brecha, não vai aparecer nunca. Preciso fazer agora’”.

Como o Supla reagiu à sua saída da banda?
O Supla entendeu, mas não aceitou bem, ficou muito bravo. Comecei a fazer alguns shows sozinho de novo e estava dando para conciliar com a banda, mas quando o Supla viu que eu estava com mais tesão no meu trabalho solo, ele disse que também não queria levar a banda sozinho. E com toda razão ele partiu pro solo dele também. Aí a banda parou de vez. Podemos até voltar um dia, mas as energias dos dois estão em outra agora.

O novo disco não é propriamente de rock. O que te influenciou em “João”?
Tem algumas faixas que puxam para o rock, mas sinceramente não sei em que prateleira ele estaria, se rock, pop ou MPB. Talvez entre os três, mas não me guio por isso. Misturo os estilos, tem blues no meu baião, rock na minha bossa... Utilizo essas influências da maneira que me sinto mais à vontade, até porque cresci ouvindo de tudo. Minha identidade é múltipla e misturada, assim como a do Brasil.

Tirando as percussões, você tocou todos os instrumentos no disco. Algum motivo especial?
Adquiri confiança para fazer isso. Eu sabia como queria ouvir o instrumento e sabia executar, então não tinha por que chamar alguém. É um exemplo, mas no disco tem duas faixas com o baixista Fernando Nunes. Também produzi a maioria das faixas, mas outras foram produzidas pelo Edson Guidetti e pelo Luís Carlos Maluly.

Zeca Baleiro é um dos convidados na faixa “Um abraço e um olhar”. Quem mais participa do disco?
Marina de la Riva na regravação de “Dicionário do amor”, que eu havia lançado no “Caseiro”. Quis regravá-la para o Dia dos Namorados e achei que ficaria legal com uma cantora junto. Gostei tanto que entrou no disco e agora está na trilha da novela “Carinha de Anjo”, do SBT.


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