Terça-feira, 23 de Julho de 2019
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Muralista brasileiro, Eduardo Kobra encanta o mundo com sua arte que ganha novos espaços

Kobra comentou em entrevista ao BEM VIVER sobre seu brilhante trabalho e a fase atual de grande aceitação das artes urbanas e do grafite no mundo



1.gif Eduardo Kobra "ganha o mundo" com suas obras
25/10/2014 às 13:51

Mesmo quem nunca pisou em Nova Iorque, Moscou ou em São Paulo, já deve ter visto e admirado o trabalho de Eduardo Kobra. Um dos maiores artistas urbanos da atualidade, o brasileiro ficou famoso por levar suas cores para murais e prédios de cidades pelo mundo. No início deste mês, esteve na Big Apple, onde concluiu um novo mural no Brooklyn com uma releitura da cena clássica de Andy Warhol e Jean Michael Basquiat; além disso, aproveitou para retocar seu famoso “O Beijo está no Ar”, em Manhattan, na região de Chelsea . “Foi muito bacana ver que as pessoas passeiam pela High Line e param para fazer fotos do mural e que tem até guia falando sobre o trabalho”, comentou.

A viagem aos Estados Unidos foi motivada pelo lançamento da coleção “Street Art” de latas e garrafas da Perrier, no dia 24 de setembro. Antes, houve um primeiro lançamento, dia 18 de setembro, no Palais de Tokyo, em Paris. Kobra pintou as latas, com três artes diferentes. Já o norte-americano JonOne e a japonesa Sassu pintaram rótulos das garrafas da Perrrier (Em 1983, os rótulos foram feitos por Andy Warhol). Até abril de 2015 serão vendidas 400 milhões de latas e garrafas em 100 países. Além dos rótulos, os três artistas pintaram em Paris carros (Renault 5). Dois dos veículos serão leiloados, com a renda revertida para entidades beneficentes. O terceiro ficará exposto no Museu Perrier, no Sul da França.

Em um intervalo rápido entre a intensa “turnê” internacional iniciada em 29 de agosto -Em 32 dias ele fez intervenções em cinco países-, Kobra respondeu a entrevista ao BEM VIVER, em que comentou a fase atual de grande aceitação das artes urbanas e do grafite no mundo. “Percebo que estas portas começaram a ser abertas na década de 1980, com os artistas de rua de Nova Iorque Jean Michel Basquiat e Keith Haring. Eles iniciaram a transição entre ruas e galerias por exemplo. Acredito que com a explosão da cultura Hip-hop na década seguinte, a arte de rua ganhou mais força, mas foi realmente passo a passo. Os artistas que permaneceram nas ruas e insistiram hoje ganharam notoriedade e seus trabalhos seguem alcançando voos ainda maiores em Museus tradicionais e países que até então mantinham política de tolerância zero para Street Art”, avalia.

É o caso da Suécia, que pela primeira vez abriu espaço para a arte urbana. Acompanhado por três artistas do Studio Kobra (Agnaldo Brito, Cesar Almeida e Marcos Rafael), ele pintou no dia 1º de setembro, na cidade de Boras - conhecida como a “Cidade Campeã Mundial em Limpeza Urbana” - o mural “Alfred Nobel”, de 16 metros de altura por 10 de comprimento. “Ocupamos o prédio com uma imagem em 3D e produzimos a medalha do Prêmio Nobel, valorizando assim a história do criador do prêmio, Alfred Nobel”, disse Kobra.

Arte engajada

A respeito do grande assédio para associar sua arte à campanhas políticas e publicitárias, ele afirma que só aceita trabalhos comprometidos com seus ideais e que respeitem o trabalho de criação artística. “Recebi convites para duas campanhas políticas de partidos opostos e decidi recusar ambas, embora a proposta financeira fosse tentadora. Percebo que meu trabalho não poderia ter este tipo de associação. O mesmo acontece com marcas e produtos. Hoje o assédio do mercado publicitário para artistas de rua é muito grande, mas penso nisso sempre com cuidado, analisando os casos, e mesmo após 20 anos nas ruas e pinturas em mais e 14 países, prefiro não me associar na maior parte das vezes”.

Com projetos que ajudam a resgatar a memória e refletir sobre o uso dos recursos naturais, como o Green Pincel e o Muros da Memória, ele diz que gosta de usar sua arte para dar visibilidade a causas importantes, como a proteção aos animais, discriminação racial e o cuidado com a natureza e que espera convites para conhecer e trazer seu trabalho à Região Amazônica. “Vejo fotos de artistas de rua nesta Região em sites de Street Art. Sou muito ligado à questão de preservação da natureza e esta região é maravilhosa e deve ser preservada como patrimônio mundial. Adoraria fazer um grande mural por aí. Estou aguardando convite”.

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