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Música para os olhos: a vez de 'Faroeste Caboclo' nos cinemas

Fãs de Legião Urbana prometem lotar os cinemas para conferir produção do brasiliense René Sampaio 29/05/2013 às 11:00
Show 1
Fabrício Boliveira interpreta o primeiro protagonista da sua carreia: João de Santo Cristo. Isis Valverde faz a mocinha: Maria Lúcia, que conhece João e se casa com Jeremias
a crítica Manaus, AM

Lançada em 1987 e com pouco mais de nove minutos de duração, “Faroeste Caboclo”, uma das letras mais famosas de Renato Russo (1960-1996), virou filme que tem pré-estreia nesta quarta (29) nos cinemas da cidade - e estreia marcada para esta quinta (30).

A direção é do cineasta brasiliense René Sampaio, que assina seu primeiro longa. O filme, que teve um orçamento de R$$ 10 milhões, foca sua narrativa no triângulo amoroso que envolve João de Santo Cristo (Fabrício Boliveira), Maria Lúcia (Isis Valverde) e Jeremias (Felipe Abib).

Apesar de ter servido como inspiração, a música teve diversos trechos excluídos do enredo. “Na hora de buscar o recorte, encontramos a história de amor entre João e Maria. Porém, o trecho mais importante da música é o duelo entre os personagens homens, então precisávamos achar uma forma de chegar a esse embate”, explica o cineasta.

Protagonista

Para isso, novos personagens foram criados. O longa mostra diversas fases da vida de João e seu contato com a violência, as drogas e o crime, que culminam no duelo final entre ele e seu rival, Jeremias. Fabrício Boliveira interpreta o primeiro protagonista de sua carreira. “Não queria viver um João só bom nem só mau. Queria que as pessoas refletissem sobre a vida desse homem e sobre como ele poderia ter tido outro destino”.

A produção foi acompanhada pelo filho de Renato Russo, Giuliano Manfredini, que diz ter gostado do resultado. “Acho que foi fiel e, ao mesmo tempo, tem uma via autoral. Meu pai ficaria muito feliz”. Segundo Boliveira, a presença de Manfredini foi fundamental. “Ele nos deu muita segurança.”

Uma mocinha que fuma maconha

Com uma carreira de sete anos na televisão, Isis Valverde faz sua estreia no cinema com “Faroeste Caboclo”. Na história, ela interpreta a mocinha Maria Lúcia. “Quando eu li o roteiro pela primeira vez, achei o texto irretocável e fiquei muito mexida com essa personagem, que vive no imaginário dos jovens da época e também de hoje”, conta ela. Se na música Maria Lúcia aparece apenas na segunda metade da letra, no filme ela se torna personagem principal.

“Ela vem com doçura e amor. É o papel feminino nessa história masculina, repleta de tiros, mortes e sangue”, descreve a atriz, que vive uma mocinha às avessas.

No enredo, ela é filha de um senador e não dispensa um cigarro de maconha. “Evito fugir dos rótulos, busco sempre que minhas personagens deixem pontos em aberto para que as pessoas reflitam sobre elas”. Assim como outros colegas do elenco, ela visitou a casa em que Renato Russo (1960-1996) morou e conversou com a mãe do artista, Carminha Manfredini. “Ela me mostrou diversas fotos da turma do Renato. Quando eu perguntei quem era Maria Lúcia, ela respondeu: ‘Não é a Maria Lúcia, são as Marias Lúcias. Ela é um pouco de cada uma das amigas dele’”, lembra Isis.

Sobre Marcos Paulo (1951-2012), que vive o pai de sua personagem e morreu antes de o filme ser lançado, Isis diz: “Era um ator que eu admirava muito. Ele ficava conversando comigo e me deu muita atenção, mesmo eu sendo uma atriz iniciante”, revela ela.

Veja as diferenças e semelhanças entre a música “Faroeste Caboclo” e o filme:

“Ia pra igreja só pra roubar  o dinheiro que as velhinhas colocavam na caixinha do altar”.  “Comia todas as menininhas da cidade. De tanto brincar de médico, aos 12 era professor”
No filme:  a infância de João é quase deixada de lado, com poucas referências a ela durante o longa

“Aos 15,  foi mandado pro reformatório,  onde aumentou seu ódio diante de tanto terror”
No filme:  João é preso por matar o policial que assassinou seu pai quando ele era pequeno

“Ficou cansado de tentar  achar resposta E comprou uma passagem, foi direto a Salvador”
No filme:  a viagem para Salvador não é mostrada; no longa, ele vai direto para Brasília

“Um peruano que vivia na  Bolívia e muitas coisas trazia de lá. Seu nome era Pablo e ele dizia que um negócio ele ia começar”
No filme:  João já conhece Pablo, ele é um primo distante; os dois começam a trabalhar juntos como traficantes

“Mas ele não queria mais  conversa e decidiu que, como Pablo, ele ia se virar. Elaborou mais uma vez seu plano santo e sem ser crucificado, a plantação foi começar”
No filme:  João esconde de Maria Lúcia seu trabalho como plantador de maconha

“Já no primeiro roubo ele  dançou e pro inferno ele foi pela primeira vez. Violência e estupro do seu corpo ‘Vocês vão ver, eu vou pegar vocês’”
No filme:  João é estuprado por um amigo de Jeremias e, a partir daí, decide se vingar deles

“Foi quando conheceu uma menina e de todos os seus pecados ele se arrependeu. Maria Lúcia era uma menina linda e o coração dele pra ela o Santo Cristo prometeu”
No filme:  Maria Lúcia aparece antes e conhece João quando ele invade sua casa, ao fugir da polícia

“Com Maria Lúcia Jeremias  se casou e um filho nela ele fez”
No filme:  ela se casa com Jeremias no período em que João está preso

“E João não conseguiu o que  queria. Quando veio pra Brasília, com o diabo ter. Ele queria era falar pro presidente pra ajudar toda essa gente que só faz sofrer”
No filme:  todos os trechos políticos da música foram ignorados no longa

Três perguntas para: Dado Villa-Lobos - Guitarrista

Em 1987, a Legião Urbana lançou o terceiro álbum de sua carreira, “Que País É Este 1978/1987”, com repertório que incluía inéditas e algumas canções pré-Legião, dos tempos de Aborto Elétrico e da trajetória solo de Renato Russo, como Trovador Solitário.
Além da faixa-título, o disco continha uma das músicas mais conhecidas da Legião, “Faroeste Caboclo”.

Mais de 26 anos depois, com o lançamento do longa-metragem “Faroeste Caboclo”, o guitarrista da Legião Dado Villa-Lobos comenta o impacto que a música causou quando surgiu.

1 - Você se lembra da primeira vez que o Renato Russo te mostrou “Faroeste Caboclo”? Como, quando e onde foi?
Você se lembra do impacto que a música causou em você?

DVL - A primeira vez foi ao vivo, Renato abrindo o show da Plebe Rude num parque na Asa Norte. Não prestei muito atenção no começo, mas quando o cara chega em Brasília a coisa foi pegando fogo e então aconteceu aquela hipnose total. Depois o Ico Ouro Preto que estava partindo para viver na Europa foi à casa de Renato e gravou no rádio gravador dele o repertório de Renato/Aborto Elétrico, essa fita era ouvida todos os dias por todos e “Faroeste” liderava o top five.

2 - Quantas cópias o disco “Que País É Este”, que continha “Faroeste Caboclo”, vendeu?

DVL - Disco duplo de platina, na época 500 mil cópias, acho que foi por aí.

3 - Dizem que vocês não tocavam ela muito nos shows porque a música era muito longa e pouco comercial. Isso acontecia também nas rádios, que tocavam versões cortadas?

DVL - A primeira vez que a tocamos no Rio antes do disco sair fomos vaiados no morro da Urca. Na sequência do lançamento, tocamos algumas vezes mas a tour foi interrompida no meio por causa do que aconteceu em Brasília no estádio Mané Garrincha. Ficamos um tempo sem tocar ao vivo e então lançamos o “As Quatro Estações”, com novo repertório, sem chance para “Faroeste” no setlist.

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