Sábado, 14 de Dezembro de 2019
VOANDO ALTO

Músico do AM Abner Viana fala sobre estudos e carreira fora do país

Amazonense se apresentará em Simpósio Internacional de Música Contemporânea na Argentina. Há mais de um ano longe de Manaus, ele aproveita para aperfeiçoar conhecimentos e experiências musicais na cidade de Rosário



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27/10/2019 às 09:19

Saxofonista, clarinetista e pesquisador amazonense, Abner Viana foi um dos responsáveis por movimentar a cena da música instrumental no Amazonas, com shows e tributos dedicados a grandes nomes do jazz e da música brasileira em geral, chegando a criar, juntamente com outros artistas locais, o Circuito de Música Instrumental Manauara.

Há mais de um ano longe dos palcos de Manaus para temporada de estudos e trabalho na cidade de Rosário, na Argentina, ele aproveita para aperfeiçoar seus conhecimentos e experiências musicais. É Clarinete Solo da Orquestra da Universidad Abierta Interamericana (UAI) e Saxofonista e Clarinetista da Orquestra de Câmara do Ensemble Contemporâneo de Rosário, grupo criado em 1996 e dirigido pela compositora, violista, violinista, a maestrina argentina Marisol Gentile.



No próximo dia 2 de novembro, ele se apresentará como solista no 35° Simpósio Internacional de Música Contemporânea. “Essa temporada de estudos e vivências musicais fora de Manaus e do Brasil está sendo muito gratificante porque conheci um leque de opções dentro da composição; como tenho apreço pela criação musical, é uma coisa que me proponho a estudar- arranjo, harmonia, contraponto, obras e suas estruturas musicais -, essa experiência tem sido de muito aprendizado de estilos que não tive muita oportunidade de ouvir no Brasil; de um modo geral, ritmos da América do Sul fora desse eixo nacional, como o candombe, ritmo uruguaio que tem uma reminiscência muito forte aqui na Argentina, bem como o llamamé e o próprio tango, a maneira como ele está sendo feito e refeito hoje é muito interessante. A influência de todos esses ritmos e estilos aplicados na música contemporânea e no jazz está me ajudando muito a compor mais”, revelou o artista em entrevista por telefone.

Concerto

No concerto do próximo dia 2, que acontecerá na Faculdade de Ciências Humanas e Artes de Rosário, Abner executará um arranjo próprio com um solo de saxofone na música Choro Negro, de Paulinho da Viola e Fernando Costa.  “A Marisol [regente] me pediu para escolher uma obra de um compositor brasileiro e eu selecionei esta, que é muito pouco conhecida aqui e será apresentada pela primeira vez em um concerto na Argentina. Nessa música serei acompanhado pelo contrabaixo acústico e violão. É muito bom poder tocar com esse grupo que toca tudo, trabalha com composições próprias e de compositores contemporâneos (grande parte ainda ativos na cena internacional, tais como: Hayg Boyadjian, Federico Miyara, Sérgio Parotti, Silvina Mazzolla e entre outros). Tocar com a Marisol é muito gratificante porque ela é uma compositora nata, muito organizada, profissional, rege muito bem, tem uma formação musical muito vasta na Europa e nos EUA. Além disso, poder  tocar e aprender com grandes nomes da música internacional, como o compositor Kees Arntzen e o violonista Wim Hoogewerf, ambos holandeses”,  completa.

A diretora do Centro de Estudos para a Difusão da Música Contemporânea de Rosário explica a ideia do projeto que possui além da orquestra, uma biblioteca e realiza vários eventos como seminários e o simpósio.

“Me propus a criar uma orquestra dedicada única e exclusivamente à execução da música atual e contemporânea. É bom observar que as orquestras interpretam sempre os mesmos repertórios, as mesmas obras de compositores conhecidos, e muitos maestros nem se dão ao trabalho de incluir nos programas obras de novos compositores. Então meu projeto foi criar um organismo que se dedicasse à música feita agora”, afirma Marisol Gentile.

Orquestra acadêmica

Na Universidad Abierta Interamericana (UAI), onde é clarinetista solista, Abner conta que foi convidado para escrever arranjos e incluir no repertório compositores brasileiros. “É uma orquestra que está fazendo por enquanto um repertório tradicional, mas ano que vem já vai começar a mesclar isso com elementos da música folclórica e tradicional argentina. Vou escrever também, dois arranjos para essa orquestra, uns choros, do grandíssimo Pixinguinha, que estão encomendados e ainda estou decidindo quais composições serão escolhidas. Tá sendo bem legal tocar com uma galera dedicada, a gente tem viajado bastante pela Argentina tocando obras de compositores tradicionais, Mozart, Beethoven, Fauré, Bartók... ”.

Mesmo voando longe, o artista amazonense diz que Manaus estará sempre em seus horizontes. “Tenho perspectivas de fazer projetos, de gravar em Manaus. A cidade tem um nicho de bons artistas, muito criativos que acho interessante para alavancar esse salto grande que a música do Norte do Brasil ainda precisa dar. Tem muitos nomes e muito talento aí”, conta.

Para o artista, para que a cena da música instrumental e produção musical local sejam mais movimentadas em Manaus é preciso mais iniciativa e buscar novas formas de apoio.  “Manaus teve muitos movimentos de música instrumental/vocal e afins nos anos 70, 80 e 90 (não só no jazz, mas na música brasileira em geral). E aí veio essa geração que foi a minha e continuou a dar sequência no âmbito. Mas sempre tem essa coisa, os movimentos vão e vem, ou seja, param, a classe musical ainda é muito desorganizada e desunida. Falo isso porque vivi e lutei ante a classe no meu dia a dia. Parei porque tive que ir embora, por opção pessoal.  Penso que falta mais conexão entre os artistas e o empresariado. Aqui na Argentina se faz festival sem dinheiro do governo. Com crise ou sem crise o que impressiona é o fazer sem esperar pelo aparato governamental. As pessoas aqui fazem. Isso é uma coisa que eu aprendi.  Tem que fazer, independente de qualquer coisa, lugar ou situação", opina.

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Jornalista de A CRÍTICA

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