Sábado, 28 de Novembro de 2020
Vida

Mutantes voltam ao Amazonas para fechar a segunda edição do Festival Amazonas Rock (FAR)

Ícone da música brasileira, o grupo se apresenta na Praça da Vitória, a partir das 20h40 de domingo (6) em Presidente Figueiredo



1.jpg Os Mutantes são a atração mais esperada do line-up nacional
04/10/2013 às 08:40

Mais de 40 anos depois de tocarem em Manaus, no auge da Tropicália, Os Mutantes voltam ao Amazonas para fechar em grande estilo a segunda edição do Festival Amazonas Rock (FAR), que acontece neste sábado (5) e domingo (6) no município de Presidente Figueiredo.

Depois de ajudar a radicalizar a música nacional no fim dos anos 1960, tornando-se um dos ícones do rock e da psicodelia à brasileira, a banda voltou à ativa em 2006 com novos integrantes, tendo apenas Sérgio Dias (guitarras e vocais) como membro da formação original.



Em Figueiredo, eles devem apresentar seus maiores hits, como “Panis et circenses”, “A minha menina”, “Ando meio desligado” e “Baby”, além de composições da safra mais recente, que injetaram fôlego novo à carreira e deram forma aos dois últimos discos da banda, “Haih or Amortecedor” e “Fool Metal Jack”.

Os Mutantes se apresentam na Praça da Vitória, a partir das 20h40 de domingo (6), e são a atração mais esperada do line-up nacional, formado ainda por Madame Saatan, Devotos e Autoramas. Confira ao lado os outros shows que vão rolar.

A banda amazonense Malbec é uma das que vão “dividir” o palco com Os Mutantes no último dia do festival. “Tocar no mesmo palco que eles vai ser uma grande honra, tanto pelo fato de sermos muito fãs da banda quanto pelo peso histórico que eles têm na música nacional e internacional”, explica o baterista Natan Fonseca.

Segundo ele, Os Mutantes são uma grande referência para a Malbec, ainda que essa relação não esteja tão clara na sonoridade do grupo local. “É uma banda que nós ouvimos desde quando começamos a nos envolver com música”, conta ele.

ROCK PROGRESSIVO

Para a vocalista e guitarrista da Anônimos Alhures, Olívia de Moraes, os Mutantes também são referência quando o assunto é música progressiva no Brasil. “Lá fora, eles são colocados no mesmo patamar de bandas como Pink Floyd, por exemplo”, diz a roqueira.

Segundo ela, uma relação pode ser feita entre essa fase progressiva dos Mutantes, iniciada com o disco “O A e o Z” (gravado em 1973, mas lançado apenas em 1992), e o momento atual da Anônimos. Para o Festival Amazonas Rock, a banda amazonense prepara um repertório com um toque psicodélico e músicas mais longas.

Inclusive, para revisitar esse período da sua própria trajetória, Os Mutantes voltarão a ter, por um dia, a mesma formação da banda na época do lançamento de “Tudo foi feito pelo Sol”, sucessor de “O A e o Z”. Gravado em 1974, o disco será tocado na íntegra em show marcado para o próximo dia 12, no Sesc Palladium de Belo Horizonte.

‘Wandinho dos Mutantes’

Gilberto Gil, Caetano Veloso e Jorge Ben são alguns dos poucos compositores que tiveram suas músicas gravadas em disco pelos Mutantes. Dois amazonenses, no entanto, são exceção à regra: “Jogo de calçada”, de Wandler Cunha e Ilton Oliveira, acabou entrando no terceiro disco da banda paulista, “A Divina Comédia ou Ando meio desligado”, de 1970. Quem contou essa história ao BEM VIVER foi Wandler Cunha (ex-Os Embaixadores), radicado em Brasília desde 1988.

De acordo com ele, Os Mutantes estiveram pela primeira vez no Amazonas em 1969, quando encerraram o 2º Festival de MPB Estudantil do Amazonas, realizado por Joaquim Marinho no parque aquático do Rio Negro Clube.

“O Ilton escreveu a letra de ‘Jogo de calçada’ e me entregou para eu fazer a música e participarmos do festival. Para nossa felicidade, ficamos em segundo lugar e, enquanto eu me apresentava, Os Mutantes estavam atrás do palco esperando a hora de entrar. Eles ouviram a música e depois o Joaquim me chamou num canto dizendo que o Serginho [Dias] queria falar comigo. Fiquei muito surpreso com isso e fui lá bater um papo rápido com ele, a Rita Lee e o Arnaldo Baptista”.

Segundo Cunha, foi então que surgiu o convite: Os Mutantes estavam terminando de mixar “Ando meio desligado” e procuravam uma música para fechar o disco. “Para nós seria um prazer, porque só havia duas bandas que a gente gostava: Beatles e Mutantes”. Depois disso, Arnaldo Baptista ainda mudou algumas palavras da letra e acabou entrando como co-autor da canção. “Mas eles respeitaram a harmonia e a melodia originais”, completou Cunha.

RICO NÃO, MAS REALIZADO

Wandler conta que hoje em dia a história ainda rende muita conversa entre os amigos. “A música nada mais é que um evento urbano [crianças jogando uma ‘pelada’ na calçada do prédio de Ilton] transformado em poesia, o que deve ter chamado a atenção dos não menos urbanos Mutantes”, palpita.

Ricos os amazonenses não ficaram, mas saíram nos jornais da época e viram a sua música ser transformada em sucesso nas rádios locais, fazendo Wandler Cunha ficar conhecido como “Wandinho dos Mutantes”. “Isso foi um presente que caiu do céu. O que importa é que tenho meu nome nos anais da música brasileira. Para mim isso basta”, finalizou o músico, que compõe até hoje.


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