Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019
Vida

Nada a desejar: público adota versões alternativas de produtos

Condições de saúde acabam impedindo atos como tomar uma xícara de café ou aquela cervejinha, de maneira que o mercado passou a oferecer alternativas



1.jpg O farmacêutico Denis Zsankhotta começa os dias com uma xícara de café descafeinado
24/07/2015 às 17:18

Já pensou se café não te deixasse ligado, se cerveja não te desse barato e se chocolate não tivesse aquele amarguinho característico? Pode parecer pesadelo para muita gente, mas é como várias pessoas acabam dando um jeito de consumir esses produtos. 

De fato, condições de saúde, como restrições e alergias, acabam impossibilitando coisas simples como tomar uma xícara de café ou aquela cervejinha, de maneira que o mercado se ligou nessa necessidade e passou a oferecer alternativas, como o café descafeinado, a cerveja sem álcool e o chocolate sem cacau ou sem lactose.



“Eu tenho gastrite e, devido a isso, eu passei a buscar alimentos que não atacassem tanto o meu estômago. Isso veio depois de eu ter sofrido bastante por conta de alimentos fortes que eu gosto e insistia em comer mesmo com a gastrite”, explicou o farmacêutico Denis Zsankhotta, que começa os dias com uma boa xícara de café descafeinado. 

O produto, segundo ele, acabou virando uma forma de contornar sua restrição para manter um hábito. “Eu encontrei nele uma alternativa para não perder o costume de tomar o café em si, além de que o café faz bem para saúde”, comentou.

No entanto, a preferência de Denis vai além da questão gástrica. “Eu confesso que eu acho ele mais saboroso que o café ‘normal’, mesmo a minha esposa não tendo a mesma opinião que a minha [risos]. Já li que o descafeinado é melhor para a saúde, mas eu te digo que entre o com cafeína e o descafeinado, pelo meu paladar mesmo, eu realmente prefiro o segundo”, disse o farmacêutico.

Alergia

Uma questão de saúde também foi o que fez um produto alternativo entrar na vida da empresária Lucyana Carriço. “Minha filha é alérgica à proteína do leite de vaca, então a única forma que ela tem de consumir vários alimentos é achar versões que não contenham basicamente nada de leite”, explicou.

Nessa leva, entra o chocolate sem lactose. “Compramos um que não tem soja, nem lactose, nem glúten, nem qualquer tipo de química. Como a proteína da soja é similar à do leite, ela não pode comer os que usam leite de soja, por exemplo - mas eu fico feliz que a minha filha tenha uma opção”, comentou Lucyana.

Companhia

Já no caso da funcionária pública Mayara Santos, a questão foi uma questão de hábito e companhia: ela não queria perder o costume de tomar uma gelada com o marido depois de grávida. “É uma coisa que sempre fazíamos juntos e, para não ficar de fora, acabei partindo para a cerveja sem álcool”, contou.

Segundo ela, o mercado tem opções cujo sabor não diferem em nada do gosto das cervejas tradicionais. “Agora que já tive o neném, eu ainda continuo tomando sem álcool por causa da amamentação, então ainda bem que essas cervejas existem!”, concluiu, feliz.

Café descafeinado

A nutricionista Elianne Alcântara Salem destaca que, enquanto o café tem seus benefícios, a cafeína deve ser evitada por pessoas com problemas de hiperatividade ou gastrointestinais, como Denis.

“O café ajuda na circulação e estimula a produção de serotonina, que é o que te deixa ligado. No entanto, a cafeína o torna restritivo para algumas pessoas, de maneira que a versão descafeinada é uma boa pedida para elas”, contou.

No caso específico de quem tem gastrite, ela reforça o quanto a cafeína pode ser maléfica. “Ela estimula o estômago a produzir ácido clorídrico. A gastrite, que é causada por uma bactéria que se aloja na parede do estômago, fica pior ainda quando essa bactéria entra em contato com o ácido. Esse alojamento dela pode virar uma ferida, que dói muito mais”, explicou.

Elianne ainda dá a dica que, enquanto o café descafeinado ajuda no consumo da bebida por essas pessoas, é válido que elas evitem em excesso tomar chá preto, chá mate e refrigerantes com base de cola.

Cerveja sem álcool

Elianne foi muito enfática quanto às vantagens da cerveja sem álcool. “O etanol [álcool] é cancerígeno, causa diabete tipo 2, e afeta de forma negativa o coração, sem falar que afeta o fígado, causa cirrose hepática e pancreatite. Consumir cerveja e não se expor ao risco de contrair essas doenças é o maior benefício que consigo pensar”, ponderou.

No entanto, para quem por acaso chegar no produto achando que vai encontrar uma ajuda na dieta, ela esclarece: “Mesmo a versão sem álcool da cerveja tem cevada, que é um carboidrato, então vai engordar de qualquer jeito, agora a cevada tem uma quantidade de calorias menor que o álcool - pouco mais da metade. As calorias do álcool o tornam próximo da gordura, para você ter noção, e na cerveja com álcool, você consome as calorias da cevada e do alcóol”, explicou. Ela rebate o pensamento de que a bebida seja de todo ruim. “A cevada é um carboidrato complexo e faz bem”, disse.

Chocolate sem cacau/lactose

No caso do chocolate sem cacau ou  lactose, Elianne fala o que todos os entuasiastas do doce querem ouvir: chocolate é bom! “Claro que se você comer em excesso, vai fazer mal para você, como  qualquer coisa que você consumir exageradamente, mas o cacau ajuda na circulação, combate o envelhecimento precoce, bem como os radicais livres, sem falar que estimula a produção de serotonina, que te deixa desperto e satisfeito. Nesse caso, quanto mais cacau melhor, e isso você encontra no chocolate amargo”, contou.

A necessidade de produtos sem cacau ou lactose advém basicamente das pessoas alérgicas, como a filha de Lucyana. “Para elas, os chocolates alternativos não oferecem déficit nutricional e são bons. Uma alternativa regional ao chocolate com cacau, feita com cupuaçu [cupulate], dá conta do recado”, concluiu.


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