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Nova insulina representa avanço no tratamento do diabetes

Lançada no Brasil pelo laboratório Novo Nordisk, insulina degludeca de ação ultralonga oferece maior flexibilidade para os pacientes 16/10/2014 às 12:59
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Paula Toller, da banda Kib Abelha, convive com a doença há cinco anos e deu depoimento sobre o tratamento
Lucy Rodrigues São Paulo (SP)

Prestes a estrear a turnê de seu novo álbum “Transbordada”,  Paula Toller, 52, resolveu, esta semana, dividir com o público mais que canções.  Diagnosticada com diabetes tipo 1 desde 2009,  a convite da farmacêutica Novo Nordisk, a reservada vocalista do Kid  Abelha fez um relato emocionante sobre sua experiência com a doença durante o lançamento da nova insulina degludeca de ação ultralonga, ocorrido na última terça, 7, no Centro de Diabetes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

A nova opção de tratamento que chega ao mercado brasileiro este mês promete mais flexibilidade e menor risco de hipoglicemia aos diabéticos do tipo 1 e do tipo 2, que fazem uso diário de insulina para se manterem saudáveis, como é o caso da cantora. “Descobri que estava com diabetes no verão de 2009. Estava muito magra, mas me sentindo linda. Aconteciam algumas coisas fora do comum, mas para todas tinha explicação: tinha muita sede, mas a gente tava no auge do verão 40 graus; fazia muito xixi, mas eu achava que era porque eu estava bebendo muita água e café; sentia muito cansaço também, mas pensava que era porque estava malhando e correndo. Um dia, fui a uma consulta de rotina no dermatologista que me atende há mais de 30 anos, e ele olhou para mim, me achou muito magra e pediu os exames de sangue. Quando recebi a notícia foi um choque”, relembra a artista. 

Passada a fase de negação, Toller conta que foi aprendendo a viver com a doença. A rotina da cantora teve de ser adaptada ao tratamento, que inclui monitorização constante dos níveis de açúcar no sangue, aplicação de insulina em horários específicos, cuidados com alimentação e a prática diária de exercícios físicos. “Quando iniciei o tratamento, fui aprendendo a usar insulina e a me acostumar com uma nova rotina, que para mim complica um pouco nas viagens. Passei a ter horários certos, não posso pular refeições, pois tenho medo da hipoglicemia. Hoje, tenho que parar e até mudar alguns horários de shows e isso me restringe um pouco. Por outro lado,  acho que sou mais saudável agora  -claro entre aspas- do que eu era antes, porque tenho uma alimentação muito mais saudável, faço exercícios diários e não deixo de comer nada. Como doce, mas é uma quantidade regrada. Pretendo viver muito ainda e se eu puder ajudar a passar informação para as pessoas eu faço.  Sei que se não controlar o diabetes, os prejuízos no futuro serão graves e não têm volta”, relatou. 

Novo medicamento

De acordo com endocrinologista diretor do Centro de Diabetes da Unifesp Antonio Roberto Chacra, um dos maiores avanços da nova insulina degludeca  é a redução da incidência de hipoglicemia (quando a taxa de açúcar circulante no sangue cai muito, podendo causar inconsciência). “A hipoglicemia é um fenômeno que afeta quase todos os diabéticos que usam insulina. Ela pode ser muito grave, causar o coma e pode acontecer mediante qualquer esforço físico maior, tempo prolongado sem se alimentar, entre outros fatores. Esse é um dos motivos que levam dois terços dos pacientes a não aderirem ao tratamento, exceto quando já tiveram comprometimento grave pela doença”, explica o médico.

Outra vantagem da degludeca em relação às insulinas já existentes no mercado é sua ação de até 42 horas no organismo, contra 24 horas das outras. “Depois do antibiótico, a insulina é a molécula que mais salvou vidas na história da humanidade. No ano 2000, com o lançamento dos análogos de insulina de ação lenta, o controle do diabetes melhorou muito, mas não o suficiente. Com a chegada de uma insulina com maior tempo de duração, esperamos melhorar a qualidade de vida, proporcionar mais flexibilidade e facilitar a adesão ao tratamento pelo paciente, uma vez que por conta da ação prolongada ele não precisará mais aplicar uma nova dose exatamente no mesmo horário, sem que isso cause alterações importantes nos índices glicêmicos”, afirma o endocrinologista Freddy Eliaschewitz, diretor do Centro de Pesquisas Clínicas de São Paulo (CPClin). 

Aprovada em fevereiro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a insulina degludeca é produzida pela farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk e começará a ser vendida no Brasil este mês com o nome comercial Tresiba. A Anvisa ainda espera novos estudos para liberar seu uso em crianças e grávidas. 

*A jornalista viajou a convite da Novo Nordisk

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