Segunda-feira, 23 de Setembro de 2019
Vida

Nova montagem da Companhia Metamorfose retratará personagem 'Capitu', de Dom Casmurro

A montagem se difere dos produtos cênicos infantis trabalhados pelo grupo e está em fase de produção. O espetáculo buscará reproduzir todos os elementos de época referentes ao cenário, figurino, e linguagens da obra original, além de retratar a personagem Capitu – na montagem de mesmo nome - como símbolo da mulher. A estreia do espetáculo está prevista para maio



1.jpg Espetáculo infanto-juvenil "Chapeuzinho Amarelo" ganhou diversos prêmios na nona edição do Festival de Teatro da Amazônia
04/03/2013 às 23:12

A história da personagem mais enigmática da obra Dom Casmurro, de Machado de Assis, será revisitada pelo novo espetáculo da Companhia Metamorfose. A montagem se difere dos produtos cênicos infantis trabalhados pelo grupo e está em fase de produção. O espetáculo buscará reproduzir todos os elementos de época referentes ao cenário, figurino, e linguagens da obra original, além de retratar a personagem Capitu – na montagem que levará o mesmo nome - como símbolo da mulher e figura principal da montagem.

A diretora da companhia e do espetáculo, Socorro Andrade, afirmou que a Metamorfose possui duas maneiras de produzir teatro, e anunciou que “Capitu” é a aposta da trupe para o ano de 2013. “São duas formas que nós nos identificamos. Uma é trabalhar com o público infantil, e a outra é trabalhar com a história da cidade. Temos os projetos que deram certo, como o “Livro Vivo”, onde apresentamos a história de Manaus por meio de apresentações teatrais”, ressaltou Socorro.

Contar a história de Manaus

Ainda conforme a diretora, a Metamorfose se debruça bastante em constituir espetáculos que contem a história da capital amazonense. “Temos uma maneira de pesquisar a nossa história, então fazemos toda uma pesquisa de época, de figurino, de postura, comportamento e linguajar. Nos envolvemos muito com isso, em caracterizar personagens antigos e fazer eles viverem de novo”, disse Andrade.

A partir de trabalhos já executados pela companhia com base em obras de Machado de Assis, surgiu o desejo de dar vestes teatrais à história de Capitu. Segundo Socorro, o seu diálogo com a atriz Denise Del Vecchio colaborou bastante para o amadurecimento da idéia e o entendimento da obra em si.

“Denise Del Vecchio fez a leitura de Dom na Bienal do Livro Amazonas. Você escutando a obra sendo lida por um ator te dá uma outra imaginação. Eu ela conversamos muito sobre a obra, sobre a literatura de Machado, e cresceu mais ainda a vontade de ter Dom Casmurro em cena”, lembrou Andrade, que também é diretora de cultura da Fundação Municipal de Cultura e Turismo (Manauscult).

A nova montagem da trupe girará em torno de Capitu, segundo Socorro, que representa um forte emblema na obra Dom Casmurro. “Estamos estudando o papel da mulher nesta obra, e logo, estudando Capitu. Você se envolve tanto que acha que em momentos ela traiu o marido, já em outros acha que não, e é uma obra intrigante, cheia de valores sociais. Com isso, vamos dar vida à essa mulher”, apontou.

Capitu será vivida pela atriz e jornalista Karla Catherine

A Companhia Metamorfose 'namora' a obra há 2 anos para compor o espetáculo. No momento, o grupo está em processo de criação: já venceu a etapa de captação de texto e está em processo de estudo de mesa. Uma das poucas definições do espetáculo no momento é que a personagem Capitu será vivenciada pela atriz e jornalista Karla Catherine.

“A Karla é uma atriz que atua conosco desde pequena, que cresceu no nosso meio. Ela consegue captar a obra de Machado de Assis com uma rapidez, naturalidade e sensualidade impressionante. Desde o ano passado ela estuda a personagem. Estamos em processo de consumo, para depois vomitar a obra ao público. Agora é que vamos entrar no processo de leitura e no trabalho de texto. A princípio, a previsão é que a montagem estréie daqui a 2 meses”, ponderou Socorro.

Socorro pontuou que a companhia possui extremo respeito pela obra Dom Casmurro. O grupo, segundo ela, já assistiu a várias montagens e produções relacionadas ao autor e está munido de várias linguagens relacionadas à Capitu. Tudo para que a companhia absorva e tente reproduzir fielmente a obra junto aos cenários, figurinos e linguajares dos personagens.

“Dessa forma iremos caracterizar os personagens tal qual eles foram na época. Faremos um estudo de pele e maquiagem”, assegurou Andrade. Um dos pontos altos da apresentação será o momento em que o personagem de Machado de Assis – autor de Dom Casmurro, obra que abriga a personagem Capitu - surgirá da plateia e subirá algumas vezes no palco para dialogar sobre o que ele está vendo na cena. “Ele irá falar com o público, assim como ele conversa no livro com os leitores. Uma das características dele é narrar sempre em primeira pessoa, ele sempre vive as histórias, os personagens sempre falam por ele. Então a história terá cenas rápidas marcadas por essas interferências dele”, garantiu a diretora.

Foco é a semelhança com ambiente, figurino e linguajar original da obra

Tanto a escolha da atriz Karla Catherine para viver Capitu, quanto a futura escolha dos demais atores para interpretar o restante dos personagens baseia-se em um conceito ostentado pelo grupo: o de reproduzir cenários e papéis da forma mais parecida possível com os da história original, disse Andrade.

“Há uns personagens que chamamos de Physique Du Rôle, termo utilizado para especificar quando o ator se parece fisicamente com o personagem, aproximando-se e dando o que ele pede. Quanto aos intérpretes de Machado de Assis e dos demais personagens nós vamos descobrir quem está melhor apto para o papel durante o processo, conforme a pessoa for se aprofundando e incorporando naturalmente o papel”, completou.

E é no estudo de mesa, fase em que a companhia se encontra no que diz respeito à montagem “Capitu”, que é feita a chamada “leitura branca”, onde os atores fazem experimentações de tons de voz, de visuais, entre outros, conforme Socorro. “Neste processo homens podem fazer leituras de personagens mulheres, e vice e versa”, contou.

Montagem "Capitu" pode ser levada às escolas e universidades


O compromisso da Companhia Metamorfose em reproduzir na montagem os aspectos da obra original envolvem um projeto, que visa levar também o espetáculo às escolas, faculdades e cursos de literatura, para mesclar arte e educação, destacou Socorro.

“Queremos levar o espetáculo às instituições de ensino para que alunos e acadêmicos possam ter contato com a obra e conhecer como viviam as pessoas no início do século”, afiançou. A Companhia Metamorfose já trabalhou com diversas montagens de obras que retratam a história. Dentre as montagens, Socorro cita o musical “Do tamanho de um bonde”, cujo texto é de Alfredo Loureiro e conta a história da implantação dos bondes em Manaus.

“Há os que trabalhamos em parceria com a Secretaria de Cultura (SEC) por meio do projeto Teatro História, chamado Livro Vivo, que conta a história do Teatro Amazonas e de sua decoração, do Museu Seringal Vila Paraíso, e trabalhamos também com uma montagem embasada no livro A Selva, de Ferreira de Castro. A companhia tem um acervo de roupas de época, como cartolas, bengalas, fraques, um chapéu de coco, e etc.”, concluiu Socorro.


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