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TELEVISÃO

Nova série brasileira da Netflix proporciona viagem de volta aos anos 1980

“Samantha!” se perde entre a crônica, a sátira e o drama ao contar história de ex-celebridade mirim que quer volta à fama 09/07/2018 às 15:01 - Atualizado em 09/07/2018 às 15:50
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(Foto: Divulgação/Reprodução)
Tiago Melo Manaus (AM)

Os anos 80 continuam gerando um enorme fascínio nas produções audiovisuais atuais. Só para citar alguns exemplos mais recentes de filmes e séries, há “Bingo – O Rei das Manhãs”, “Stranger Things”, “Glow” e “It: A coisa”. A lista vai longe e a influência se estende para a moda, a música e demais ramos da cultura pop. 

Volta e meia, as produtoras flertam com outros tempos idos, como as décadas de 70 ou 90, mas o politicamente incorreto, a liberdade de expressão, a inocência e o senso de aventura, típicos dos anos 80, continuam mexendo com o imaginário coletivo dos telespectadores e rendendo frutos. 

“Samantha!”, a terceira série brasileira da Netflix após “3%” e “O Mecanismo”, cuja primeira temporada com sete capítulos estreou na sexta-feira (6), é mais um exemplo dessa febre oitentista. A pretensa comédia, que por vezes se perde entre a crônica, a sátira e o drama, conta a história de Samantha, uma ex-celebridade mirim da década de 1980, líder da Turminha Plimpom, que cai no esquecimento durante a adolescência e, já na vida adulta, tenta retomar a fama com planos mirabolantes. 

Muito se falou das semelhanças da personagem interpretada por Emanuelle Araújo com Simony, a cantora e apresentadora brasileira, que fez frente à Turma do Balão Mágico durante as manhãs da TV Globo, entre os anos 1983 e 1986, quando na verdade sua maior afinidade é com Bojack Horseman. A exemplo do cavalo falante, protagonista da série animada de mesmo nome, também da Netflix, Samantha é arrogante, egocêntrica e, refém do próprio sucesso, não mede esforços para alcançar seus objetivos. 

Enquanto Bojack possui carisma de sobra, e ainda assim é amparado por coadjuvantes interessantes, Samantha tem de dividir seu tempo de tela com personagens rasos e clichês que não evoluem. A série termina e, salvo algumas mudanças na dinâmica familiar, todos permanecem exatamente os mesmos que eram no primeiro episódio. 

Mais do mesmo

Seja o ex-marido Dodói (Douglas Silva), jogador malandrão em fim de carreira, o filho nerd (Cauã Gonçaves) e a filha empoderada (Sabrina Nonato), ou o empresário picareta (Daniel Furlan), a série é uma repetição de ideias, situações e até de estrutura de roteiro. 

Em suma, os episódios, que duram em torno de 30 minutos, apresentam a protagonista conseguindo uma nova oportunidade de sucesso, em seguida a desperdiçando por desespero, para, no fim, um salvador surgir de algum lugar lhe oferecendo uma nova oportunidade, deixando o que, em teoria, seria um gancho para o próximo episódio. 

Na prática, a fórmula não funciona e a falta de conflitos reais, bem como a falta de evolução de personagem, também não engajam o espectador.
No meio disso tudo, e de participações especiais de figuras reais da televisão brasileira, os roteiristas ainda encontraram espaço para encaixar discursos batidos sobre o preço da fama, a indústria midiática e o embate entre gerações. 

Presa entre o humor e o drama familiar, nova produção da Netflix, a terceira brasileira após “3%” e “O Mecanismo”, apresenta um resultado acomodado que parece ter vergonha de se jogar de vez no escracho ou que tem medo de tocar em questões realmente dramáticas

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