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Novas comediantes mostram o poderio feminino no humor

Filmes e séries de TV mostram tendência de mulheres escreverem seu próprio material humorístico e mudarem como o gênero é percebido na comédia 12/06/2015 às 17:06
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"A Espiã Que Sabia de Menos", com Melissa McCarthy, estreou no topo das bilheterias dos EUA
Lucas Jardim Manaus (AM)

O sucesso de “A Espiã Que Sabia de Menos” no mercado estadunidense, onde conquistou o topo das bilheterias em seu final de semana de estreia (arrecadando US$ 29,1 mi, notório para um filme de seu porte), reforçou que a crescente força das mulheres na indústria cinematográfica está sendo percebida bem de perto nas comédias.

Sua estrela, Melissa McCarthy, está colhendo os louros de uma longa carreira (que teve seu primeiro destaque como uma coadjuvante no delicioso seriado “Gilmore Girls”) e atualmente passa por um momento de evidência dentre as atrizes e roteiristas que estão mudando como a mulher faz rir e como ela é vista fazendo isso.

Assim como Melissa, a atriz Kristen Wiig, egressa do semanal programa humorístico “Saturday Night Live”, também ficou em proeminência por conta de “Missão Madrinha de Casamento”, filme cujo roteiro foi coescrito por ela e acabou sendo indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original, um feito se considerarmos o gosto conservador da Academia e o teor altamente debochado e sexual do longa. Melissa McCarthy, inclusive, também aparece no filme e foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por sua interpretação.

Espaço

Filmes como “Missão...”, bem como “Quatro Amigas e um Casamento”, estrelado por Kirsten Dunst e Lizzy Caplan, reposicionam a mulher como um ser no controle de sua sexualidade e com a capacidade de fazer humor com ela, como é feito pelos homens há décadas.

“A mulher pode e deve falar sobre tudo, mesma na comédia. Acho ótimo que este movimento esteja acontecendo e estejamos conseguindo esse espaço”, comentou a atriz e comediante Rosa Malagueta.

Esses filmes encontram nos roteiros da saudosa Nancy Meyers e da mais atual Tina Fey um certo antecedente histórico e temático, e apontam uma tendência de mulheres desenvolverem cada vez mais seu material: sucessos recentes como “Ruby Sparks -  A Namorada Perfeita”, “Frances Ha” e “Celeste e Jesse para Sempre”, ainda que não partilhem da veia extremamente sexual de produções como “Missão...”, tiveram boa parte de seu apelo devido ao toque feminino e cômico trazido por suas roteiristas/atrizes principais, respectivamente, Zoe Kazan, Greta Gerwig e Rashida Jones.

Sexo

Enquanto isso, na TV, a figura de maior destaque da comédia americana feita por mulheres é Lena Dunham, criadora e estrela da série “Girls”, atualmente em sua quarta temporada.

O seriado abusa de cenas de sexo e o roteiro nu e cru expõe suas protagonistas a situações hilárias e revoltantes, o que já lhe rendeu muitas críticas. “Pode ser que os homens esperem das mulheres uma postura de mãe, é uma ideia, mas não sinto isso. O que sinto é um preconceito generalizado voltado às mulheres, fazendo qualquer coisa. Sinto muito isso no Brasil, mas as atrizes lá fora reclamam também, então é mundial”, disse Rosa.

Ela acha que a questão é cultural. “É algo pelo qual também passo. Meu pai, por exemplo, demorou muito para aceitar o fato de que eu fazia comédia. Tem a ver com aquelas coisas que mulher ‘não pode’: mulher não pode se vestir assim, mulher não pode falar palavrão...”, comentou.

No Brasil

Nacionalmente, Dani Calabresa e Tatá Werneck (foto), ambas egressas do saudoso programa de esquetes “Comédia MTV”, atualmente estão na crista da onda quando o assunto é girl power cômico.

Destas, Rosa comentou ser bastante fã de Tatá. “Acho-a maravilhosa. O negócio dela é que ela é daquele mesmo jeito mesmo, ela atua como ela mesma, mas não sei se isso é algo ruim. Significa que ela é muito engraçada normalmente, isso é um feito”, opinou.

Ela também disse adorar o trabalho da Samantha Schmütz, famosa pelo personagem “Juninho Play” e que agora atua no seriado “Vai Que Cola”. “O trabalho dela é sensacional”, falou.

Rosa espera que esse movimento feminino no humor continue, pois ela lamenta o que ela percebe como uma escassez ainda presente de mulheres na área. “Tem pouquíssimas mulheres fazendo, sempre foi um ramo muito masculino, mas espero que mude”, concluiu.

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