Sábado, 24 de Agosto de 2019
ARTE

Novas produções e cursos ajudam a alavancar musicais em Manaus

Público amazonense foi conferir em peso o espetáculo "Playbill", que fez parte da Série Encontro das Águas



b0128-13f_C7486F03-A660-4274-9AC5-3EB374BF672C.jpeg Let's Click/Divulgação
29/07/2019 às 14:23

O teatro musical está em plena efervescência em Manaus. O sucesso do espetáculo “Playbill”, reapresentado no último domingo (28), no Teatro Amazonas, é apenas uma prova disso. Inserida na programação da nova temporada da Série Encontro das Águas, promovida pela Orquestra Experimental da Amazonas Filarmônica, a montagem inédita traz releituras de famosos números musicais da Disney e da Broadway, como “O Rei Leão”, “A Bela e a Fera”, “A Pequena Sereia”, “O Fantasma da Ópera”, “Hair” e “Cats”.

Quem assina a direção cênica de “Playbill” é o ator Matheus Sabbá, que vem se dedicando aos musicais desde a universidade . “Em ‘Playbill’, cada número tenta trazer a atmosfera da obra original, seja por meio dos recursos cênicos ou pela forma de os solistas se colocarem em cena”, explica.

Segundo ele, mais de 160 profissionais estão envolvidos nessa produção, finalizada em pouco mais de três semanas. “Os trechos que selecionamos para o repertório, além de serem clássicos, são facilmente identificados pela maioria das pessoas. Buscamos escolher musicais que conversassem com todo mundo, justamente porque estamos começando a fortalecer essa linguagem na cidade”.

O diretor comenta que o teatro musical ganhou novo impulso no Brasil a partir dos anos 2000, quando produções estrangeiras começaram a aportar por aqui, e hoje o País é um dos grandes polos mundiais nesse segmento. “Esse é um tipo de produção que agrega muitas linguagens e profissionais, gerando trabalhando e renda. Atualmente, o cenário está melhor ainda, porque estão surgindo grupos novos e não estamos mais apresentando só o que vem de fora. Os musicais brasileiros também estão em alta, e a ideia é descentralizar cada vez mais”.

Arranjos

Para traduzir as canções de “Playbill” para o formato da Série Encontro das Águas, o maestro Otávio Simões adaptou os arranjos para a Orquestra Experimental da Amazonas Filarmônica. “Normalmente esses musicais são escritos para orquestras pequenas, com 15 músicos. O espetáculo ainda tem o Coral do Amazonas e o Grupo Vocal dos Corpos Artísticos, então decidimos reescrever essas músicas para coro e orquestra grande”, destaca o regente.

“Playbill” conta também com o Balé Experimental do Corpo de Dança do Amazonas e com os solistas Alexandre Thiago Frota, Davy Chaves, Dhijana Nobre, Diego Altobele, Elane Monteiro, Humberto Sobrinho, Mirian Abad, Patricia Botelho, Thiago Gatto, Thiana Colares, Davi Lucas, Gabriella Proença, Judy Cardoso, Nicole Souto e Taylon Sousa de Jesus.

Experiência

Há um ano morando em São Paulo, onde está se aperfeiçoando em belting contemporâneo, técnica vocal específica para musicais, a soprano Patricia Botelho acredita no potencial desse gênero em Manaus. “Temos muitos cantores e bailarinos interessados na linguagem e escolas preparando atores que dancem e cantem. As sessões lotadas são uma prova de que Manaus tem público para esse tipo de espetáculo”, afirma.

A iniciação artística de Patricia foi ainda na infância, quando teve as primeiras aulas de dança e música. Depois de estudar em Recife e ingressar no Coral do Amazonas, a cantora lírica participou do Festival de Ópera durante 10 anos, inclusive como solista. “Comecei a estudar teatro para aperfeiçoar minha atuação nos palcos e me apaixonei por essa arte. Em 2018 decidi sair definitivamente de Manaus para estudar em São Paulo tanto o belting quanto o jazz musical e o sapateado”.

Por lá, surgiram oportunidades para cantar no ensemble do “Musical Sinfônico”, ao lado de Cláudia Raia e Jarbas Homem de Mello, e também no show “Sarah Brightman in Concert”. Paralelamente, Patricia compõe o ensemble do Studio de Canto de Marconi Araújo, onde atua como monitora das sopranos. Em “Playbill”, ela surpreende em números de “Chicago”, onde encarna a personagem Velma Kelly, “Priscila, a Rainha do Deserto”, no qual canta o hino “I will survive”, entre outros.

“Todos os números exigem bastante atuação e coreografia, com trocas super rápidas de figurino e maquiagem”, comenta Patricia, que indica a fórmula de um bom artista de musicais: “Todo cantor lírico que decide atuar em musicais precisa estudar belting, dança e teatro para que sua atuação cênica seja completa e ele esteja pronto para as audições que aparecerem”.

Destaque

A formação é outro fator que tem contribuído para fortalecer a cena dos musicais em Manaus, que já conta com cursos oferecidos pela Cia. Trilhares e pela Escola Interarte. O Liceu Claudio Santoro também abrirá turmas de Teatro Musical.

Outros talentos locais

Marcella Bártholo: a cantora está no elenco de quatro musicais em produção no Rio de Janeiro.

Clayson Charles: o ator participou do musical “Rio Mais Brasil”, que circulou por várias cidades.

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