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Novo documentário de cineasta amazonense tem estreia mundial no Festival de Berlim

Filme ‘La arrancada’, sobre jovem atleta cubana, é o primeiro longa-metragem do diretor Aldemar Matias 22/01/2019 às 02:01 - Atualizado em 23/01/2019 às 17:27
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Obra foi gravada ao longo de 18 dias na capital de Cuba, Havana (Dublin Films©/Divulgação)
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

O cineasta amazonense Aldemar Matias volta a registrar a intimidade de uma família cubana em seu novo filme, o documentário “La arrancada”, que acaba de ser selecionado para a mostra Panorama do Festival de Berlim. Primeiro longa-metragem da carreira do diretor, a obra é uma co-produção entre Brasil, França e Cuba e fará sua estreia em fevereiro, durante a 69ª edição do evento que transforma Berlim na capital do cinema internacional.

Filmado na primavera de 2018, em Havana, “La arrancada” conta a história de Jenniffer, uma jovem atleta em dúvida quanto a uma possível carreira na equipe nacional de Cuba. Enquanto o irmão dela se prepara para deixar o país, a garota luta para encontrar seu lugar. Jenniffer é filha de Marbelis Rodriguez, que já tinha aparecido no documentário anterior de Aldemar, o premiado curta “El enemigo” (2015), também filmado em solo cubano.

“Eu estava lá tentando filmar um outro projeto com vários personagens e não estava dando muito certo. Chamei a Marbelis pra um dia de filmagem e a filha dela ‘se enturmou’ pra ir junto. Quando eu vi a interação das duas, pensei ‘Ok, agora sim temos uma história’”, relembra Matias, que logo abandonou a ideia anterior e partiu para 18 dias de gravações com mãe e filha.

“A Jenniffer estava passando pelo típico momento de fim da adolescência, de não saber exatamente que caminho tomar, que carreira seguir ou que mudança arriscar. Esse processo íntimo dela ganha outro peso em uma Cuba que também está se redescobrindo. A relação com a mãe, cheia de expectativas com o futuro da filha, é fundamental pra essa história”, comenta o diretor.

Aldemar acredita que filmar a intimidade familiar – como fez em “When I get home” (2014) – é umas das melhores maneiras de entender contextos políticos. Ele chega até a fazer uma relação entre “La arrancada” e o momento atual no Brasil, embora os dois países vivam transições políticas bem distintas. 

“O opositor, ou o que pensa diferente, não pode ser classificado como inimigo imediatamente. Porque ele é teu pai, tua filha, teu irmão. É muito mais fácil demonizar o desconhecido. A situação familiar obriga a criar algum tipo de ponte, de empatia. Jenniffer e Marbelis não têm posições antagônicas declaradas, nem conflitos estridentes, mas a diferença geracional naturalmente coloca as duas em lugares distintos”.

Afinidade

Aldemar Matias desembarcou em Cuba pela primeira vez em 2010, depois de se matricular numa oficina da Escuela Internacional de Cine y Television (EICTV), instituição referência no meio audiovisual. De lá para cá, ele fez outros cursos na escola e rodou três documentários de curta-metragem na ilha: “Años de luz” (2013), “When I get home” e “El Enemigo”. Antes disso, o diretor já tinha lançado em Manaus os curtas “A profecia de Elizon” e “Parente”, este último sobre testes de HIV em comunidades indígenas do Amazonas e Roraima.

Matias, que reivindica o direito de contar histórias de qualquer lugar, diz ter uma afinidade com Cuba por todas as experiências que viveu no país nos últimos nove anos. “Acho que tenho uma distância privilegiada pra falar sobre o lugar. Não sou nem muito turista pra ver as coisas de maneira folclórica, nem muito local pra ver o cotidiano com banalidade. O difícil é que Cuba sempre vem carregada de muitos preconceitos e costuma ser massacrada pela opinião pública. Ou às vezes idolatrada. Preciso me policiar pra não perder de vista as nuances do lugar. Isso não significa ‘ser imparcial’. Seria covarde. Todo filme tem uma posição política e eu sou consciente disso”.

Rota europeia

Atualmente, Aldemar se divide entre Manaus e a Espanha, onde participa de um projeto do Museu de Arte Contemporânea de Barcelona. “Faço um trabalho de audiovisual com a escolas do bairro para aproximar as crianças do museu”, conta ele.

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