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Novo espaço reúne cinco séculos de história da arte brasileira

Ao todo, o espaço, localizado na avenida Paulista, em São Paulo (SP), exibe mais de 1.300 obras datadas desde o descobrimento do Brasil até o início do século 20 14/12/2014 às 16:04
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Obras de arte, gravuras, desenhos, aquarelas, mapas, manuscritos, livros e periódicos são alguns dos objetos expostos
Jony Clay Borges São Paulo (SP)

Cinco séculos de história da arte e da cultura no Brasil agora se encontram à disposição do público, reunidos em dois andares na sede do instituto Itaú Cultural, no coração da capital paulista.

Inaugurado no último sábado (13), o Espaço Olavo Setubal – Coleção Brasiliana Itaú vai exibir, em caráter permanente, o valioso acervo constituído a partir de 1969 pelo líder do Itaú, que dá nome à iniciativa, e que é um dos mais completos da produção artística brasileira desde o descobrimento até o início do século 20.

Ao todo, o espaço na avenida Paulista exibe mais de 1.300 obras, selecionadas dentre os destaques das coleções Brasiliana Itaú e Itaú Numismática – que reúnem em conjunto mais de 12 mil peças. Obras de arte, gravuras, desenhos, aquarelas, mapas, manuscritos, livros e periódicos, além de moedas, medalhas e condecorações, fazem parte do acervo, que retrata a História do Brasil desde a chegada dos colonizadores.

Obras raras

Entre as peças em exibição está “Povoado numa planície arborizada”, pintura de Frans Post que foi a primeira adquirida por Olavo Setubal para a coleção. Outras das primeiras paisagens do Brasil podem ser vistas em obras de nomes como Rugendas, Debret, Chamberlain, Auguste Sisson, Schlappriz e Franz Keller – este autor de uma aquarela retratando Manaus à época da construção da Catedral, produzida em 1868.

Outra peça-chave do acervo é “Panorama da cidade de São Paulo” (1821), de Armand Pallière: a obra encomendada ao pintor por Dom Pedro I é uma das poucas a retratar a paisagem paulistana no período, e permaneceu praticamente desconhecida até pouco tempo.

O acervo abrange ainda ilustrações feitas por viajantes e naturalistas; primeiras edições de autores clássicos, como Machado de Assis, e edições raras e autografadas de outros como Guimarães Rosa e Clarice Lispector; e exemplares da “Klaxon”, primeira revista modernista brasileira.

“A democratização desse acervo é algo que nos orgulha muito”, declarou Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural, em coletiva sobre a inauguração do espaço, na última quinta-feira. A iniciativa, ele aponta, supre uma lacuna importante ao tornar a coleção acessível de forma permanente: “A qualquer hora será possível ter contato com o que foi feito no Brasil e sobre o Brasil nesses cinco séculos. Isso é espetacular”.

Exibição

A exposição no Espaço Olavo Setubal – Coleção Brasiliana Itaú é dividida em nove módulos, cada um iniciando com “Brasil”: Desconhecido, Holandês, Secreto, Dos Naturalistas, Da Capital, Das Províncias, Do Império, Da Escravidão e Dos Brasileiros. Apesar da organização histórica, o curador Pedro Corrêa do Lago ressalta: “É uma exposição de arte, e não de História”.

“Os artistas que criaram no Brasil ou se inspiraram nele produziram obras de arte preciosíssimas por si mesmas”, afirma ele, destacando a relevância de peças originalmente criadas com enfoque inteiramente diverso. “Muitas dessas obras foram feitas com a intenção de serem o mais pitorescas possível, de forma a atrair a atenção da Europa (...) A importância delas hoje é revelar para nós, brasileiros, o que fomos naquela época”.

Ele destaca, por exemplo, a riqueza da iconografia produzida sobre a paisagem do Rio de Janeiro, reunida no módulo Brasil da Capital, que abrange o período a partir da vinda da Família Real. “O Rio foi avassalador para os visitantes do Brasil”, ele afirma, comentando que a maioria dos viajantes encontravam todo o exotismo que buscavam na então capital do País: “Para cada imagem de São Paulo, há umas cem do Rio, pois poucos seguiam a viagem depois de passar por lá”.

Acervo à parte, impressiona também a forma como as obras são expostas no Espaço Olavo Setubal – Coleção Brasiliana Itaú. A começar pela entrada, onde uma escada entre os dois andares é ornamentada com ilustrações da fauna brasileira feitas por naturalistas, que parecem flutuar sobre as paredes do lugar, sem molduras.

“Noventa e nove por centro das obras, exceto os óleos, não têm moldura, são apenas colados sobre papel com cola estéril”, explica Daniela Thomas, que assina o projeto expográfico ao lado de Felipe Tassara. “Quisemos que as pessoas vissem as obras (inteiras), que tivessem a experiência que o colecionador tem”.

Displays digitais

O projeto também lança mão de displays digitais, que destacam e animam detalhes de imagens, e de inovações tecnológicas literalmente difíceis de se enxergar. “Usamos um novo vidro antirreflexo, que não distorce a cor”, exemplifica Daniela. “Reunimos aqui equipamentos e tecnologias das mais avançadas no campo da museologia”.

O Espaço Olavo Setubal – Coleção Brasiliana Itaú fica nos pisos 4 e 5 do Itaú Cultural, na avenida Paulista, com visitação de terça a sexta, das 9h às 20h, e sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h. Mais informações podem ser obtidas por meio do site do Itaú Cultural.

*O jornalista viajou a convite do Itaú Cultural

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