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Novo espetáculo da Cia. Escalafobéticos traz Maroca Pipoca como atriz

Na peça 'Maroca Pipoca, Apresentada e Confiada', a personagem Maroca Pipoca, interpretada pelo ator Wallace Abreu, deixa a apresentação do talk-show 'Bate Papo de Comadre' para se aventurar na carreira de atriz. Mudança na construção dramatúrgica se deve à necessidade de experimentação e de proporcionar novas sensações ao público, diz diretor 20/06/2013 às 13:45
Show 1
Na peça, Maroca abandona a vida de apresentadora e passa a se dedicar à carreira de atriz
Laynna Feitoza Manaus, AM

A personagem Maroca Pipoca, diva baré dos palcos de humor manauaras, optou por largar a carreira de apresentadora de TV e apostar na carreira de atriz. A história narrada acima retrata o novo espetáculo do antigo Grupo Beija Fulô, rebatizado de Cia. de Humor Escalafobéticos. Chamado de ‘Maroca Pipoca, Apresentada e Confiada’, a peça, prevista para estrear no mês de julho marca, além da mudança no enredo da personagem principal, a reconfiguração da trupe, que a partir de agora passa a trabalhar sob um novo nome e uma nova filosofia dramatúrgica.

A nova produção da trupe – que já realizou cerca de 70 espetáculos pelo projeto ‘Escalafobéticos’ – é realizada pela Secretaria de Cultura do Amazonas (SEC-AM) e caracteriza um novo formato de experimentação teatral, de acordo com Wallace Abreu, que se divide entre a interpretação de Maroca Pipoca e a direção do espetáculo e da companhia. Segundo ele, a modificação se deve à necessidade de proporcionar ao público sensações novas e de retornar à clássica dramaturgia.

“Mudamos um pouco porque queremos oferecer um novo ‘Escalafobéticos’ para o público. Estávamos em um processo em que trabalhávamos bastante o teatro de improviso e stand up, e nessa nova jornada estamos deixando isso para trás. Estamos trabalhando agora com uma nova estruturação de texto, com marcações de cena, o que a gente não vinha fazendo mais. O teatro de improviso que estávamos realizando estava em cima de improvisos que não eram ensaiados/trabalhados para serem executados. Estamos voltando à clássica dramaturgia”, pontuou Wallace.

Transição

Com uma linguagem de humor adquirida a partir da mesclagem de outras, o espetáculo mostrará a transição da Maroca apresentadora de TV para a Maroca atriz. As produções teatrais do grupo, que sempre visaram o ineditismo a cada apresentação, há cinco temporadas trabalhavam a figura de Maroca – inspirada na apresentadora Baby Rizzato - como condutora do talk-show fictício ‘Bate Papo de Comadre’, o que consolidou a estrutura da personagem e condensou novos rumos a ela. Ainda segundo Wallace, a Maroca apresentadora será temporariamente ‘congelada’ para respirar os ares de atuação.

“As ações sempre se desenrolaram em torno da Maroca apresentadora. Ela tem uma personalidade estruturada, já é uma personagem que tem uma característica da identidade. Em relação ao trabalho de ator e espectador, o público já reconhece que ela está apresentando o programa de TV. Para não perdermos isso e ao mesmo tempo buscar um novo ganho nesse ramo da televisão, agora a Maroca vai tentar a carreira de atriz. Ela deixa de lado o sonho de ser apresentadora, começa a cair nesse campo e vai tentar a vida como atriz”, ressaltou o diretor.

Amigas e rivais

O novo espetáculo soma, além da figura de Maroca Pipoca, o atual Mister Eco Amazonas, Gustavo Jimmy, que interpretará o ator decadente Gaspar, a atriz Tharcila Martins que fará uma participação especial como a diretora de TV Fofa Maya, além dos atores Everton Martins e Yago Ferreira. Ao lado de sua nova meta, que é atuar, a personagem carrega sua inestimável parceira – a Miss Pé Rexé, interpretada pelo ator Eduardo Gomes – para caminhar junto a ela. O enredo da trama, segundo Abreu, se passa nos bastidores de uma novela das 8 chamada ‘Jirau das Paixões’ e é marcado pela amizade e rivalidade, em um divertido embate entre o ego das duas novas ‘atrizes’.

“Na novela, Maroca dá vida à Verônica, enquanto a Miss interpreta a Berta. As gravações da novela e os seus bastidores ocorrem todas durante a peça. Nos bastidores é que serão reveladas as intrigas. Elas são amigas e rivais ao mesmo tempo. Como na trama se passa a escalação da protagonista da próxima novela das 8 e elas disputam o papel da personagem principal, acabam construíndo essa relação de inveja, de uma querer aparecer mais que a outra. Essa briga entre as duas vai costurando a trama até o final, o qual eu não posso revelar”, diverte-se o ator.

Nova construção dramatúrgica


A trupe, que leva na bagagem a missão de imprimir nos palcos a realidade e as linguagens do cidadão manauara com uma generosa pitada de humor carrega dessa vez, segundo Wallace, uma realidade que não está tão próxima, mas que existe no mundo da TV. “Agora exploramos a linguagem televisiva. Nesse universo de programas de entretenimento e durante essas cinco temporadas, exploramos a Maroca nesse âmbito. Mas já exploramos esse universo o suficiente. Neste outro não saímos do universo da TV, de certa forma. Mas é um mundo novo”, completou Abreu.

Ele afirmou ainda que a nova carpintaria cênica da produção não está relacionada ao estereótipo do espetáculo, mas à sua linguagem, na esfera da transição do enredo da personagem. “Antes nós construímos um espaço contando com a plateia como se fosse o público desse programa. Com a telenovela, estamos trazendo um novo formato para o espetáculo. Não está relacionado às questões visuais, e sim nas construções dramatúrgicas em que a trama está se desenvolvendo”, alertou o diretor.

Mudança de nome

A mudança da assinatura da companhia, que passa a atender, com a mudança de carreira da Maroca Pipoca, pelo nome de Cia. de Humor Escalafobéticos, se deve à necessidade de tornar mais clara a premissa da novidade em cada apresentação. Com a mudança, a trupe passa a herdar o nome do espetáculo, enquanto que cada produção terá um nome diferente a partir de agora, lembra Wallace.

“Queremos acabar com a ideia de que os espetáculos, por terem sempre o mesmo nome, são trabalhos velhos. Tivemos várias situações que envolveram essa problemática. Ficamos um tempo longe dos palcos por isso: pelo fato de alguns produtores locais acreditarem que o ‘Escalafobéticos’ não era um trabalho novo, que seria sempre aquele mesmo espetáculo”, concluiu Abreu.

Sobre as expectativas acerca de como o público ‘sentirá’ Maroca Pipoca como atriz, ele confidencia: “Pode ser que a gente execute essa proposta e perceba que não é isso que procurávamos. Mas vamos experimentar a primeira apresentação, sentir a relação com o público, e sentir mais um pouco”. O bom do teatro é que podemos mudar sempre sem a obrigação de sermos estáticos", finalizou Wallace.

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