Terça-feira, 21 de Maio de 2019
CINEMA

Novo filme do cineasta Sérgio Andrade vai abrir o Festival Olhar do Norte, em Manaus

Longa-metragem “A Terra Negra dos Kawa” terá sessão única no dia 12 de abril, no Café Teatro. Obra marca a experiência do cineasta com a ficção científica



23/03/2019 às 15:05

Depois de passar pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e pelo Festival do Rio, no ano passado, o filme “A Terra Negra dos Kawa” terá estreia na terra natal do seu diretor, o amazonense Sérgio Andrade. O longa-metragem foi escolhido para abrir a programação do segundo Festival Olhar do Norte, que acontece em Manaus entre os dias 12 e 15 de abril, no Café Teatro.

Filmado na capital, “A Terra Negra dos Kawa” marca a experiência do cineasta com a ficção científica – Sérgio também assina os longas “A Floresta de Jonathas” e “Antes o Tempo Não Acabava”. A nova obra mostra a relação de um grupo indígena com a terra preta existente na região e seus poderes curativos, energéticos e até sobrenaturais. A chegada de três cientistas ao local funciona como elemento desestabilizador, pois um deles tem intenções escusas. O elenco conta com  atores indígenas de uma mesma família (Severiano Kedassare, Emerlinda Yepario, e os filhos Kaya Sara e Anderson Kary-Bayá) e intérpretes com longo currículo, como Mariana Lima, Marat Descartes e Felipe Rocha. 

O enredo se inspira na chamada “terra preta de índio”, tipo especial de solo preparado e cultivado por povos indígenas ancestrais, tornando-o mais fértil que o solo agrícola amazônico. Segundo Sérgio, o filme teve repercussão positiva nos festivais em que foi exibido. “Essa é uma obra diferente e desconcertante se comparada com o tipo de filme que eu vinha fazendo. Tem uma leveza, um humor”, comenta o diretor. Para ele, “A Terra Negra dos Kawa” também vem num momento de insegurança quanto aos direitos dos povos indígenas por conta dos destinos da política brasileira após as eleições de outubro.

“Essa insegurança agora se verifica como certa, principalmente em relação às questões de terra, que o filme aborda metaforicamente. O fato de eu ter me debruçado sobre o tema da terra preta reflete isso, pois eu tinha ali um fenômeno físico que servia de metáfora para a propriedade da terra indígena, e ao mesmo tempo para o encanto e o poder que os povos originários têm”.

Sérgio se diz um fã de longa data da ficção científica, desde quando assistia aos filmes de Kubrick e John Carpenter, ainda criança, no antigo Cinema 2, que ficava no Centro de Manaus. “Esse tipo de filme marcou minha infância e fez parte da minha formação, assim como o terror”, explica ele, que também tem planos de produzir um filme ou uma série na linha desse último gênero.

Enquanto prossegue com as tratativas para lançar “A Terra Negra dos Kawa” em circuito comercial e levá-lo ao exterior para exibições em festivais indígenas, o cineasta amazonense adianta qual será seu próximo projeto: o longa “Sacopenapã”, uma co-produção entre a Rio Tarumã Filmes, de Sérgio, e a Raccord, do Rio de Janeiro. “Ganhamos um edital de fluxo contínuo da Ancine e até agora temos garantida só uma parte do orçamento. Posso dizer que será um filme muito libertário, com um lado político forte”.

Selecionados

O Festival Olhar do Norte divulgou há poucos dias os filmes que participarão da Mostra Outros Nortes, categoria não-competitiva dedicada a curtas-metragens nacionais com destaque em festivais nacionais e internacionais. Os dez selecionados tiveram destaque em eventos como a Mostra de Cinema de Tiradentes, Festival de Gramado, Festival Internacional de Curtas de São Paulo, Cine Ceará, Goiânia Mostra Curtas e Festival de Vitória. Os curtas representam os estados de Pernambuco, Maranhão, Distrito Federal, São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

“Mais do que as  trajetórias de destaque que alcançaram em festivais pelo Brasil e pelo mundo, esses curtas levantam discussões fundamentais para o momento político e cultural que vivemos. Eles dão voz a grupos que necessitam ter suas ideias e reivindicações ouvidas. São diretores muito conscientes dos aspectos técnicos, com trabalhos estimulantes como linguagem, mas que também se aprofundam em questões muito sérias, tornando suas obras ainda mais contundentes”, afirma Diego Bauer, um dos curadores do festival.

Os selecionados se juntam aos outros sete filmes da Mostra Norte, que irão concorrer ao prêmio de Melhor Filme da segunda edição do Olhar do Norte. A programação completa pode ser conferida nas redes sociais do festival e da Artrupe Produções.

Serviço

o quê: Festival Olhar do Norte
quando: De 12 a 15 de abril
onde: Café Teatro (avenida Sete de Setembro, Centro)
quanto: Acesso gratuito

o quê: Exibição de “A Terra Negra dos Kawa”, de Sérgio Andrade
quanto: Dia 12 de abril, às 19h
onde: Café Teatro (avenida Sete de Setembro, Centro)

Mostra Norte

BR 319:  Bem-Vindo à Realidade (Gustavo Faleiros, 16 min – AM)
Covato –  Desenterre seus segredos (Emanoel Franklin, 16 min – PA)
Do Outro Lado  (Ricardo Brito, 13 min - TO)
A Estranha Velha que Enforcava Cachorros  (Thiago Moraes, 7 min – AM)
A Goteira  (Bernardo Ale Abinader, 15 min – AM)
Vila Conde  (Rômulo Souza, 14 min - AM)
Zana –  O Filho da Mata (Augustto Gomes, 15 min – AM) 

Mostra Outros Nortes

Afronte  (Bruno Victor e Marcus Azevedo, 15 min – DF)
Aquarela  (Thiago Kistenmacker e Al Danuzio, 15 min – MA)
Apenas o que você precisa saber sobre mim  (Maria Augusta, 15 min – SC)
Catadora de gente  (Mirela Kruel, 18 min – RS)
Nova Iorque  (Léo Tabosa, 24 min – PE)
Estamos todos aqui   (Chico Santos e Rafael Mellim, 20 min – SP)
Entre Parentes  (Tiago de Aragão – DF)
Peripatético  (Jéssica Queiroz, 15min – SP)
Papa-Figo  (Alex dos Santos Reis, 16min – SP)
Peixe, Pizza e Picaretas -  Fish Head (Maionard Stuart Farrell, 24min - SP)


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