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Novo recurso do aplicativo WhatsApp que denuncia a leitura de mensagens gera polêmica

O duplo tique azul, adequado semana passada no aplicativo, tem a missão de denunciar ao remetente que a mensagem enviada ao destinatário foi lida 16/11/2014 às 13:25
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A “mágoa via App” pode ser evitada com compreensão mútua
Laynna Feitoza ---

“Vi que a mensagem chegou. Será que ele(a) leu?”. Agora essa dúvida parece não existir mais. Tudo porque o aplicativo WhatsApp conta com um novo recurso, adicionado por uma atualização que entrou em vigor na semana passada: o duplo tique azul. O símbolo tem a missão de denunciar ao remetente que a mensagem enviada ao destinatário foi lida. Com a novidade, muito se especulou nas redes sociais o quanto essa ferramenta poderá comprometer ou até “romper” relações sociais. “Porque se eu sei que a pessoa leu e não respondeu, ela está me ignorando”, pensam os mais radicais. E você? Se importa com as consequências de uma mensagem lida e não-respondida, ou prefere deixar tudo isso para lá?

A blogger de moda Rayssa Gadelha, do Blog da Rayssa, considera que a tecnologia tende a aproximar ou afastar as pessoas, mas que as reações dependem muito do assunto. “Se fosse um namorado ou amiga lendo um texto importante e não me respondesse eu também ficaria extremamente chateada. Mas se fosse algo do dia a dia ou alguém distante, iria entender e até contornar a situação. Em alguns casos as pessoas leem e realmente estão sem tempo de responder, já passei por isso. Eu tento não ‘crisar’, afinal seria besteira acabar uma amizade por isso e enviaria a mensagem mais uma vez”, garante ela.

As relações mais sustentadas pelo ambiente virtual (que fazem maior uso do WhatsApp para se comunicar com o mundo) devem sentir mais essa mudança. É o que pontua o jornalista e cientista social Felipe Costa, 21. “Eu uso WhatsApp para conversar com os amigos, mas entendo que eles são ocupados e que isso não implica em desinteresse. Agora as pessoas que depositam no aplicativo a comunicação inteira do relacionamento em detrimento de uma conversa pessoal, essas devem sentir mais dificuldade em se adaptar”, sinaliza Costa.

A linguagem

Quando o WhatsApp muda suas notações e introduz uma a indicar que a mensagem foi lida e o remetente não recebe uma resposta, acontece uma quebra na cadeia de visibilidade, de acordo com o doutor em análise do discurso, professor Sérgio Freire. “Alguns leem isso como ser ignorado, outros com outros sentidos. Porque o silêncio também é linguagem e pode significar muitas coisas diferentes. É na relação ‘um pra um’ que esse sentido se constrói. Deturpar ou entender diferente é sempre uma possibilidade na linguagem. O sujeito não tem controle sobre a interpretação alheia. É o risco de se falar uma língua” pondera o professor.

O emocional

Para o psicólogo Eduardo Honorato, que é doutor em Saúde da Mulher e da Criança e mantém pesquisas sobre comportamento, cibercultura e educação em saúde, o foco não deve ser o aplicativo e não devemos buscar formas de “lidar com ele”.

“Porque logo ele muda e um outro vem e o substitui, mas a necessidade de afeto não, e muda apenas de ‘roupagem’ (sintoma). As tecnologias podem evoluir, mas os conflitos continuam os mesmos. Da mesma forma que não responder um SMS, ou ler um e-mail e não responder, ou não retornar uma ligação despertavam a carência das pessoas”, diz ele.

Ainda conforme Honorato, devemos aprender a lidar com frustrações e entender que todos temos demandas diferentes no cotidiano, o que nem sempre faz com que a resposta imediata via App seja regra. “Ansiedade não é algo ruim e faz parte da nossa lista de sentimentos e sensações. Todos somos ansiosos e temos que aprender a lidar com isso. Se essa ansiedade está causando sofrimento, profissionais devem ser consultados”, encerra.

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