Quinta-feira, 18 de Julho de 2019
GESTÃO

Novo secretário de cultura anuncia a criação de núcleo de apoio aos artistas

Marcos Apolo Muniz apresentou projetos que pretende implementar à frente da Secretaria de Estado de Cultura



ACEAPOLOJA5177_D1A974A2-8A6C-4D65-9833-4460D8EA7E82.JPG Retorno dos editais de fomento também é uma das metas do secretário (Jair Araújo)
04/01/2019 às 14:33

Escolhido para comandar a Secretaria de Cultura no governo Wilson Lima, o produtor Marcos Apolo Muniz reuniu a imprensa nesta quinta-feira (3), no Palacete Provincial, para apresentar os programas e projetos que devem nortear a atual gestão. Entre os destaques estão o estímulo ao empreendedorismo cultural e a parcerias entre o Estado e a iniciativa privada, além de ações de valorização do artista, com a promessa de retorno dos editais de fomento e de implementação do Sistema Estadual de Cultura.

Definindo-se como alguém pragmático, o novo secretário disse querer estimular uma visão empresarial de planejamento na SEC, onde ele trabalhou, entre 1998 e 2012, na coordenação técnica de eventos como o Festival de Ópera. “Quero deixar uma marca não só de diálogo com todos os segmentos, mas de ampliação e continuidade das ações”, afirmou Apolo. “Foi uma honra receber esse convite, mas o que mais me alegrou foi a recepção positiva da classe artística, o que faz com que minha responsabilidade aumente”.

Segundo ele, o compromisso com a diversidade cultural vai orientar o trabalho da SEC nos próximos quatro anos. “Todos os segmentos precisam ser valorizados. Às vezes nos identificamos mais com determinado ritmo ou determinada linha e acabamos desprestigiando as outras. Nosso pensamento é que todos precisam ser assistidos igualmente e até potencializados, com oportunidades para todos os artistas”.

A articulação com os municípios do interior do Amazonas também deve ganhar um novo impulso por meio de capacitações e diagnósticos sobre o potencial cultural de cada um deles. Apolo defende que esse tipo de política deixe um legado e gere frutos. “Essas cidades já desenvolvem cultura, o que precisamos é interagir com elas. Hoje temos municípios com tradição em diversos segmentos, não só o folclórico, mas percebemos a necessidade de ampliar essa ação. Com muita criatividade poderemos vencer barreiras como a logística”.

Já na capital, o foco será na descentralização das atividades, geralmente concentradas no Centro, e na realização de ações em escolas públicas para gerar impacto social através da cultura.

Sistema Estadual

O secretário quer ainda valorizar os artistas e estimular o empreendedorismo cultural. Para isso, será criado um núcleo de apoio na SEC, que fornecerá ferramentas e condições para a formação, treinamento e assessoramento de artistas e produtores amazonenses. Apolo aproveitou para sair em defesa dos grandes festivais realizados pela secretaria, que em breve divulgará o calendário para 2019: 

“Eles são importantes porque, além de gerarem emprego e renda, são uma forma que a classe encontrou de realizar as suas ações e mostrar seu trabalho”. O próximo passo, de acordo com ele, é estimular as parcerias público-privadas para diminuir os gargalos de financiamento para a cultura como um todo. “Apesar de termos um pólo industrial estabelecido, não temos uma participação frequente da iniciativa privada na cultura. Com esse apoio, com certeza conseguiremos levar muita coisa adiante”, comentou.

Outra meta, talvez a mais complexa, é a implementação do Sistema Estadual de Cultura, com a formulação de uma lei de incentivo e a ativação de um fundo e dos conselhos de cultura e patrimônio histórico. Junto a isso, também há a promessa de retomada da política de editais de fomento, parcialmente paralisada nos últimos anos. 

“Estamos bem atrás de outros Estados quanto à integração ao Sistema Nacional de Cultura, que tem mecanismos facilitadores na busca de recursos. Isso vai acontecer em diálogo com a classe artística e o governo federal”, adianta Apolo, que aguarda os encaminhamentos que o governo federal vai dar à área após a extinção do Ministério da Cultura.

Restauro garantido

De acordo com Marcos Apolo, a extinção do MinC não afetará o restauro do pano de boca do Teatro Amazonas, confirmado no último sábado (29) com a assinatura de um convênio entre a SEC e o Iphan. “O recurso [R$ 1,5 mi do governo federal] já está previsto e devidamente consolidado. Traçamos um cronograma de ações para poder começar o serviço. Tudo vai ser através de licitação, então acredito que o restauro deva iniciar nos próximos quatro meses”, afirma Apolo. 

Quanto à transformação da antiga Penitenciária Raimundo Vidal Pessoal em um novo centro cultural a ser administrado pelo Estado, o secretário disse que ainda vai conhecer o projeto elaborado pela gestão passada, mas tudo dependerá da disponibilidade de recursos para a reforma e revitalização do espaço, atualmente desativado.

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