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Entretenimento
Beijo ao redor do Brasil

O beijo nosso de cada dia

No Brasil, o costume de dar um beijo ou mais de um para cumprimentar uma pessoa varia por região 28/01/2013 às 10:33
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A quantidade de beijos no cumprimento varia de região para região no Brasil
Felipe de Paula Manaus

Se você já ficou no impasse entre dar um, dois ou três beijinhos na hora de cumprimentar alguém, saiba que você não está sozinho nessa. A dúvida é mais comum do que se pensa, já que o costume, muito difundido no Brasil, varia em número de beijos de acordo com cada região do País.

O amazonense Caio Rodrigo Oliveira, que mora a três anos no Paraná, conta ter tido que interromper o segundo beijo – típico no Amazonas – por várias vezes: é que naquele estado o costume é de dar apenas um beijo na face. “Quando eu via, a pessoa já tinha tirado o rosto”, conta ele, que, no entanto, sabia se livrar bem da situação, e até tirar vantagem, por assim dizer. “As meninas achavam que eu queria dar um beijo na boca. Quando eu via que a pessoa ficava assustada, eu explicava que em Manaus se dão dois beijos. Mas se ela desse um sorrisinho, aí eu aproveitava”, conta ele, aos risos.

Beijoqueiros

Mas não é só no Brasil que o número de beijos no cumprimento varia tanto. E nem é sempre que se cria familiaridade com essa diferença. O advogado Vanylton Santos, amazonense que morou um ano e meio na França, disse que achou “estranhíssimo” o cumprimento com quatro beijos e jura que já viu pessoas íntimas dando até seis numa despedida ou encontro na rua. “Eu mesmo dava um, dois beijos e saía. É um pouco constrangedor”, diz ele, referindo-se ao conhecido “vácuo” em que já ficaram alguns conhecidos seus na França.

Beijoqueiros por natureza, os franceses variam de um até quatro ou mesmo seis beijos na bochecha, como explica Claudia Vitel, nativa daquele país. “No sul, damos dois beijos em cada bochecha, em Paris dão um, no Norte até três, e tem mesmo lugar que dão quatro beijos”, diz a estudante, que mora em Manaus.

Beijo é ciência

Segundo o doutor em Linguística pela Unicamp, Sergio Freire, há uma área da linguística, a Proxêmica, que trata justamente do significado dos gestos e de suas variações regionais. “Os significados corporais variam também e são aprendidos como traços culturais”, diz ele. “É preciso ser poliglota na própria língua e multicultural na própria cultura”, completa, ele, dando uma dica para quem não pretende ficar no tão temido “vazio”.

No trabalho

Numa cidade cosmopolita como Manaus, não há muito regra cultural quando se trata de cumprimento com beijinho no ambiente de trabalho. Nesse caso, consultores de moda aconselham que quem decide se há ou não beijo no cumprimento é a pessoa mais alta na hierarquia, mas no caso de pessoas da mesma idade e posição, a mulher é quem deve tomar o primeiro movimento, indicando se prefere os beijinhos (fique atento para o número, que como já vimos, pode variar) ou apenas um aperto de mão.

Curiosidades

- Na maior parte do Brasil, o costume é dar apenas dois beijos, um de cada lado. Porém, no Rio Grande do Sul, Goiás e Minas, pode-se dar até três. Em São Paulo e no Paraná, o comum é dar apenas um.


- Segundos estudiosos do assunto, como o folclorista brasileiro Luis da Camara Cascudo, os romanos foram o “centro derramador” do costume na Europa, que logo ganhou hábito no caloroso povo brasileiro.


-  Na Rússia, o maior sinal de reconhecimento era um beijo do Czar.


- Nos EUA os beijos nas bochechas só são dados por pessoas íntimas e não é o cumprimento padrão como no Brasil ou na Europa.


-  Em algumas tribos africanas se presta homenagem ao chefe ao beijar o chão por onde ele passou.


- A palavra ‘ósculo’ é sinônimo de  ‘beijo’ em português. A palavra é originada do latim ‘osculum’, que significa ‘boca pequena’.


- Os romanos  antigos beijavam uns aos outros nos olhos ou na boca como cumprimento.


- Na Ucrânia, cumprimentar homens beijando é tão comum quanto cumprimentar assim as mulheres.


- Na Rússia, o beijo na boca entre homens equivale ao aperto de mão dos  brasileiros.


- Na Idade Média, os cardiais defendiam o direito de beijar as Rainhas na boca.


-  Na Roma Antiga, os beijos eram divididos em basium, que era o beijo de cumprimento, osculum, o beijo de afeição e suavium, o beijo de amor.

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