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O canto da sereia Betina: curitibana criada em Manaus faz sucesso nacional

Cantora de 28 anos vai lançar primeiro álbum, "Carne de Sereia", com parcerias como BNegão. Em entrevista, ela relembra das raízes musicais amazonenses 18/12/2015 às 17:15
Show 1
Para a cantora, seria um grande honra divulgar o disco na capital amazonense
Laynna Feitoza Manaus, AM

“Fazer carreira na música não é uma coisa que você começa de um lugar muito específico, tudo começa com uma vontade, um sonho, e aí você vai dando passinhos em direção a algum lugar que não se sabe muito bem qual é”, ressalta a cantora curibana Betina Rodrigues, de 28 anos, pouco antes de descrever detalhes sobre a vida que levou em Manaus, cidade em que viveu na adolescência.

Às vésperas de lançar o seu primeiro disco oficial, “Carne de Sereia”, ela celebra as parcerias fraternais e profissionais – a exemplo da estabelecida com o rapper BNegão – e o percurso que a sua liberdade tomou para levá-la a necessidade de expressão e “desabafo”, como assim define.

A sua primeira apresentação com banda, aliás, foi numa festa do colégio em Manaus, com figuras como Caio Mota (Fora do Eixo) e Habib Mokdci (MB-4). “Depois disso fui fazer barzinho com apresentações de voz e violão, e aí resolvi botar minhas ideias na roda quando lancei meu EP”, aponta Betina. “Eu cheguei em Manaus com 15 anos. Me lembro de sentir estar em um mundo completamente novo, realmente foi um choque cultural toda a ‘quentura’ da população do estado”, relembra ela, cuja mãe e irmãos ainda moram na cidade.


“Me lembro de ir nos shows da Johnny Jack Mesclado com frequência e de escutar a Cabocrioulo por intermédio do meu irmão mais novo”, reflete. Mesmo um pouco afastada do lado de cá, ela diz gostar muito das bandas Johnny Jack Mesclado, Cabocriolo e Supercolisor. “No Norte tem Jaloo e Felipe Cordeiro, artistas que também admiro. Sei que a música amazonense é muito rica e diversificada e em breve passarei um tempo aí pra me aprofundar mais na cena musical”, garante.

Influência

Citada pelo site da Rolling Stone como “cria” de BNegão, Betina explica que o conheceu no MIMO (Festival de Música Instrumental de Paraty) e desde lá manteve uma troca de gostos musicais e afinidades grande com o artista. “Não só essa amizade com ele, mas com todos os Seletores de Frequência me foi muito natural e importante. Assim, um dia recebi a ligação e o convite para participar do projeto deles ‘Sítio do Pipa Pau Amarelo’ (show musical lúdico). A alegria não podia ser maior”, coloca, salientando o aprendizado que teve com cada um deles.

O lançamento do primeiro disco de Betina está previsto para o primeiro trimestre de 2016, depois do Carnaval. Mesmo com as influências de BNegão, a cantora não consegue descrever nenhuma semelhança tão clara entre o seu disco solo e a carreira compartilhada com o rapper. “Mas ele definitivamente é uma grande influência pra mim, e nós dois gostamos de um swing. Isso é certo. E a música está em mim desde sempre, é um processo muito natural e até arbitrário comigo essa necessidade da expressão, do desabafo. Isso é uma grande força motriz pra realizar as coisas”, relaciona.

Disco e videoclipe

“Carne de Sereia” terá nove faixas e foi produzido pelo artista China. O nome, por sua vez, é fruto de uma brincadeira entre amigos. “Esse nome ficou rodeando meu pensamento, ai fui pesquisar e descobri várias lendas interessantíssimas a respeito do consumo da carne de sereia, e consegui ver uma relação forte com a construção de alguns temas dentro do disco”, pontua. O trabalho, que tem letras sinestésicas e lúdicas, já conta com o videoclipe de “Cafuné”, música que dispara com acentos em folk-country, guitarras e baterias a la New Young Pony Club, e um baixo pesado que lembra Interpol, mas que contrasta com a voz fluida e suave de Betina.

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