Segunda-feira, 16 de Setembro de 2019
Nomes artísticos

O que está por trás da mudança nos nomes de alguns artistas?

Homenagem, marketing, superstição, por que alguns artistas com nomes já consolidados entre o público, resolvem adotar nova identidade?



1.png Zeca Torres usava antes o nome artístico de " Torrinho"
05/06/2013 às 08:46

Marilyn Monroe nunca gostou verdadeiramente do seu pseudônimo artístico – se pudesse, ela teria voltado a ser Jean Monroe, nome mais ou menos fiel ao de batismo, Norma Jeane Mortenson. “Suponho que agora está tarde demais para fazer isso”, chegou a declarar a diva do cinema norte-americano.

O caso de Monroe serve para exemplificar a importância que o nome de trabalho tem para o artista, que estabelece com ele não só um laço profissional, mas também afetivo. Da mesma forma, mudar de nome artístico pode ser mais comum do que parece, especialmente na música.

Com sete anos de carreira, a cantora e compositora amazonense Marcia Novo resolveu abandonar os acentos do nome no início do ano passado. Segundo ela, que foi aconselhada por produtores paulistas, a mudança foi uma questão de marketing. “Foi uma forma de padronizar a maneira como eu sou conhecida, principalmente na Internet. Quando jogavam meu nome na rede, muitas vezes os sites o relacionavam com outras pessoas que não tinham nada a ver com o meu trabalho”, contou.

No dia a dia, o parintinense Pedro César Ribeiro também atende por Pedrinho Ribeiro. Enquanto o apelido é mais usado pelos amigos e fãs mais íntimos, o nome de batismo é o que estampa os seus álbuns. “Morei 15 anos em Belém, onde lancei meu primeiro disco, e lá eles só me conhecem como Pedro César. Quando voltei para Parintins, ninguém queria me chamar assim”, explica o compositor.

Muita gente não sabe, mas o compositor Torrinho resolveu adotar o nome artístico de Zeca Torres em homenagem ao pai, maestro conhecido no estado do Acre, com quem ele conviveu apenas até os quatro anos de idade. “Às vezes brinco com isso durante os shows. Digo que fui a uma numeróloga e ela me disse que, se eu não mudasse de nome, um raio me partiria em duas partes e elas formariam uma dupla sertaneja”, conta José Evangelista Torres Filho.

Outros casos

As músicas brasileira e internacional estão cheias de casos de artistas que trocaram de pseudônimo. Os motivos vão desde brigas profissionais até jogadas de marketing e explicações de ordem espiritual ou mística. Jorge Ben passou a assinar como Jorge Ben Jor no fim dos anos 1980, quando suas músicas começaram se projetar no exterior. A mudança veio para evitar confusões com o nome do músico americano George Benson.

Interessada em esoterismo, a então cantora Sandra Sá procurou o numerologista Gilson Chveid-Oen, há mais de 20 anos, com a intenção de se livrar de uma gagueira que a prejudicava no palco. Para ela, a solução veio com o simples acréscimo da preposição “de” entre os dois nomes. “Um ano depois ela já estava vendendo 500 mil cópias”, afirma o numerologista.

O cantor de “Amor de chocolate”, MC Naldo, mudou de nome por motivos semelhantes. Ele passou a se chamar Naldo Benny no fim do ano passado, depois de descobrir que o segundo nome significa “abençoado”, em hebraico. “Achei que reflete muito o que estou vivendo agora”, afirmou, na época, assumindo que o novo nome também era uma aposta no mercado gringo.

Internacionais

Lá fora, a mudança de pseudônimo artístico não é uma novidade. Em 1993, Prince mudou seu nome para um símbolo impronunciável, que ele usou até 2000, quando resolveu voltar atrás. Mais tarde, o cantor pop admitiu que a mudança nada mais era que um protesto contra a Warner, sua gravadora.

Antes de ser uma diva do pop, Katy Perry chegou a gravar um CD de música gospel como Katy Hudson. Anos depois, em 2010, a cantora anunciou que estava pensando em adotar o sobrenome do então marido, Russell Brand. Para alívio dos fãs, a promessa não se cumpriu – em 2012, ela assinou o divórcio com Brand.


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