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CULTURA

Orquestra Amazonas Filarmônica apresenta ‘Odes Fúnebres’ nesta quinta (4)

Entre os destaques, duas obras nunca antes apresentadas no Estado: a “Trenodiaparaas Vítimas de Hiroshima”, de Penderecki, e a “Sinfonia das Lamentações” do Góreck 04/10/2018 às 13:24
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Foto: Euzivaldo Queiroz
Lucy Rodrigues Manaus (AM)

Provocar uma reflexão sobre as tragédias, inclusive as culturais, por meio de obras musicais do século XX. Esse é o intuito do espetáculo “Odes Fúnebres”, que será apresentado pela orquestra Amazonas Filarmônica nesta quinta-feira (4), às 20h, no Teatro Amazonas, sob regência do maestro Marcelo de Jesus. Dividido em três partes, o espetáculo, que tem entrada gratuita, traz obras dos compositores Arvo Pärt (1935), Krzysztof Penderecki (1933) e Henryk Górecki (1933-2010). “‘Cantus em homenagem a Benjamin Britten’, de Arvo Pärt, foi utilizada no documentário de Michael Moore para ‘ilustrar’aqueda das torres gêmeas. Fiz um paralelo com a nossa grande tragédia cultural, que foi o incêndio do Museu Nacional. Teremos vídeos e imagens do Museu no telão, do seu acervo, e do incêndio fatal”, explica o maestro Marcelo de Jesus.

Estreias

Entre os destaques, duas obras nunca antes apresentadas no Amazonas:a “Trenodiaparaas Vítimas de Hiroshima”, de Penderecki, e a “Sinfonia das Lamentações” do Góreck. “Estrearemos uma das obras mais importantes do século XX, ‘Trenodia para as Vítimas de Hiroshima’, de Krzysztof Penderecki; obra que ganhou o 1º prêmio no 'Concurso Tribuna Internacional de Compositores' da Unesco, em 1961. Ela retrata o horror da explosão da bomba atômica e as suas consequências na cidade e população de Hiroshima. Durante a execução, será projetado um vídeo de uma explosão atômica, retratada no episódio 8 da terceira temporada da série ‘Twin Peaks’, além de imagens das pessoas e da cidade após serem atingidas pela radiação”, descreve. Outra estreia amazonense, conforme adianta De Jesus, será a “Sinfonia Nº3 (Sinfonia das Canções Tristes) de Henryk Gó- recki. Ela está dividida em três movimentos, todos lentos, e em cada um deles, tem a participa- ção da soprano convidada, Dhijana Nobre.

“O primeiro movimento tem texto de uma canção popular da segunda metade do século XV da cidade de Opole, e contém uma passagem na qual Virgem Maria fala com Jesus no momento da crucificação; o segundo movimento conta com um texto de uma inscrição gravada na parede da cela n.3, numa prisão em um porão da Gestapo, em Zakopane, assinada por Helena Wanda Blazusiakówna, com as palavras ‘18 anos de idade, encarcerada desde 26 de setembro de 1944’; já o terceiro movimento, usa uma canção folclórica no dialeto da região de Opole e descreve a dor de uma mãe que perdeu seu filho, provavelmente durante as Revoltas na Silésia, entre 1919 e 1921”, contextualiza.

A soprano Dhijana Nobre comentou sobre o desafio e a emoção de participar do concerto interpretando uma obra com tão forte carga dramática: “É um prazer ser convidada pelo maestro Marcelo de Jesus porque se sabe que nestes convites tem sempre um desafio gostoso a se cumprir, já que em seus projetos sempre podemos esperar delicadeza, sensibilidade e novas sensa- ções e experiências”, comenta a cantora.

“Ao ouvir a Sinfonia de Gorecki, logo me apaixonei pela música e ao pesquisar sobre a obra, a emoção tomou conta ao saber da origem dos textos históricos pelos quais ele musicou. O texto em polonês e os grandes fraseados foram um desafio à parte, contudo, não tiraram o prazer de cantar a doçura do poema que fala sobre um tipo de amor único: o de mãe. Meu desejo é transmitir toda a emoção esperada para o momento. Teremos música e fortes e reais imagens de um período triste da nossa história mundial, e claro, toda a generosidade da nossa arte oferecida ao público com todo o nosso sentimento”.

No telão serão projetadas imagens criadas por Átila de Paula, especialmente para este concerto. A recomendação é para maiores de 16 anos, devido ao conteúdo realista das imagens e dos vídeos.

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