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FOTOGRAFIA

Mulheres reinventam a fotografia através do onírico e do real no Amazonas

No Dia Mundial da Fotografia, três fotógrafas criam novas frentes para o segmento com um toque conceitual 18/08/2017 às 20:27 - Atualizado em 19/08/2017 às 08:31
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O mundo surreal invade as fotos de Caroline Lins; nessa, o vestido, com a ajuda do vento, simula asas de borboletas (Foto: Caroline Lins/Divulgação)
Laynna Feitoza Manaus (AM)

Pelas lentes das câmeras, há quem conte histórias cheias de luz – e utilizando a luz, literalmente. Seja fotografando paisagens, ou pessoas, a sensibilidade se permite aflorar na hora dos cliques. Um time de fotógrafas da nova geração tem buscado, por sua vez, reinventar elementos clássicos da fotografia, levando as suas imagens a dialogarem com o onírico, mas também com a real e o regional. Seja na hora de fotografar, de editar ou produzir.

A fotógrafa Laryssa Gaynett (@justlary) trabalha com moda, mas gosta de misturar nas suas fotos elementos do cotidiano. Uma de suas propostas é tentar desconstruir a imagem da mulher difundida por aí, nas capas de revista. “A imagem de que a mulher tem que estar sempre perfeita, magra, porque a gente sabe que na vida real não é assim. Essa ideia imposta pela mídia acaba frustrando as mulheres consigo mesmas, porque algumas acabam não gostando de si, devido terem ouvido de alguém que elas não eram bonitas”, declara Laryssa.

(Foto: Laryssa Gaynett/Divulgação)

Sob o tema do empoderamento, Laryssa chegou a organizar uma exposição que compilava várias fotos de mulheres naturais, que ela havia clicado durante sua carreira. “Reuni várias fotos de mulheres, cada uma com sua beleza. As locações foram, em sua maioria, locais na natureza ou locais em que as pessoas se sentiam mais à vontade. A ideia é que a mulher se sentisse num habitat natural, para ser livre”, coloca ela, que nas edições de fotos só faz ajustes de luz e contrastes, nada para modificar a aparência. “Não faço edição de espinha, ou para emagrecer, nada que interfira nos traços reais da modelo”.

Surreal e fashion

O trabalho da fotógrafa Caroline Lins (@carolinelinsph) possui dois segmentos: um mais voltado para ensaios com temas fantasiosos, onde ela constrói fotografias surrealistas inspiradas no universo dos contos de fadas, e outra parte mais voltada para a fotografia fashion, onde ela busca várias referências e conceitos de moda, trabalhando em cima deles para mostrá-los sob a sua perspectiva artística. “Gosto de evidenciar essa fuga do cotidiano, o diferente, o criativo. Gosto que pessoas olhem para meu trabalho e se perguntem sobre a história por trás das fotos”, comenta ela.

(Foto: Caroline Lins/Divulgação)

Nas pós-produções de suas fotografias, Lins se preocupa em ressaltar e fazer combinações de cores que fiquem visualmente boas, o que faz as suas fotos terem um “glow” (brilho) natural . “Os programas que utilizo são o Lightroom e o Photoshop – o que acredito que seja, além de um excelente programa de edição, uma ótima ferramenta de expressão artística. Como a fotografia é uma arte muito subjetiva, tudo depende a que resultado você quer chegar com a ferramenta. Nas minhas produções sempre tento manter limites para manter um equilíbrio bom e chegar no resultado que desejo”, destaca.

Criatividade

Sobre a febre da naturalidade nas imagens, a fotógrafa Juliana Oliveira (@fazfotofranquias) afirma que ainda há quem trabalhe com super carregamento nas imagens – seja de maquiagem ou edição – mas, para ela, o menos é mais. “O natural é mais bonito. E quem é mulher acaba passando essa naturalidade, porque vê esse lado mais sensível da foto. Seja quantos anos passarem, a fotografia vai puxar para um lado cada vez mais ‘clean’. Assim como a Apple e as empresas do Google não tem identidade visual carregada, a fotografia vai pelo mesmo caminho”, assegura.

(Foto: Juliana Oliveira/Divulgação)

Juliana é especialista em newborn (fotografias de recém-nascidos) com tema amazônico. “Fazemos todo um processo criativo para trabalhar um newborn diferenciado de acordo com a região”, pondera ela. Um de seus ensaios mais celebrados é o “Encontro das Águas”, onde o bebê é clicado, numa réplica de canoa, em meio aos dois rios. Mas como? “A foto foi feita dentro de uma piscina em um estúdio. De um lado foi jogado café com leite, e de outro tinta preta. E surgiu o Encontro das Águas, com o bebezinho dormindo no meio”, completa.


 

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