Terça-feira, 21 de Maio de 2019
MÚSICA CLÁSSICA

Ópera de Giuseppe Verdi abre programação do Festival de Ópera nesta sexta (26)

Festival amazonense chega à 22ª edição com montagens de clássicos e homenagem a Claudio Santoro



1472172_E2CB6B69-F8B8-49AF-A3D4-17D9BF1BDE5A.jpg
foto: Antonio Lima
26/04/2019 às 14:56

Rosiel Mendonça

Uma dramática história de amor ambientada na Espanha do século XVI surge como pano de fundo da ópera “Ernani”, do italiano Giuseppe Verdi, que abre a programação do Festival Amazonas de Ópera (FAO) nesta sexta-feira (26), às 20h, no Teatro Amazonas. A 22ª edição do evento segue até o dia 30 maio, com repertório de clássicos como “Maria Stuarda”, de Gaetano Donizetti, “Tosca”, de Giacomo Puccini, “Alma”, de Claudio Santoro, entre outras montagens líricas e populares.

Apresentada em forma de concerto, “Ernani” (1844) será executada pela Orquestra Experimental da Amazonas Filarmônica, sob regência do maestro Luiz Fernando Malheiro, com participação do Coral do Amazonas e dos cantores Enrique Bravo (tenor) e Maria Katzarava (soprano) nos papéis principais.

“‘Ernani’ é a quarta ópera do Verdi, um dos mais importantes compositores do século XIX e, sem dúvida, o maior da Itália”, explicou Malheiro, durante o ensaio geral. “Quando ela estreou, a Itália estava num momento de reunificação, e o Verdi passou a ser visto como herói desse processo no meio artístico e intelectual. Todas as obras dele nesse período trazem algum tipo de referência a esse sentimento”.

Para a montagem de abertura, o Festival Amazonas de Ópera conseguiu reunir um elenco internacional gabaritado, além de cantores que vêm se sobressaindo na cena lírica local. “Estou bastante feliz com o resultado, em especial pela participação da nossa Orquestra Experimental, formada por músicos jovens e pré-profissionais”.

O chileno Enrique Bravo, radicado em Manaus há 19 anos, considera um desafio dar voz a Ernani. “É uma interpretação difícil pelos agudos poderosos e pela extensão do papel, típico do bel canto”, afirma. Para o maestro, o formato de ópera em concerto também proporciona uma experiência diferente, em especial aos fãs da música clássica em sua essência. “A ópera de verdade é cênica, fazendo a junção entre música e teatro, mas as versões que destacam apenas a música, muito comuns mundo a fora, também têm um apelo diferente, dão outro tipo de prazer”.

Sem medo de ousar

Desempenhando a dupla função de maestro e diretor artístico do festival amazonense, Malheiro comenta que o repertório do FAO em 2019 é relativamente tradicional, levando em conta a época em que as obras foram compostas – a exceção é a ópera “Alma”, concluída na década de 1980 pelo amazonense Claudio Santoro, cujo centenário de nascimento é um dos motes do evento deste ano.

“O festival sempre se destacou por apresentar um repertório bastante eclético, sem nenhum tipo de preconceito ou preocupação se uma obra é mais popular ou menos. Essa é uma característica do nosso público, que é muito sensível e aberto a qualquer tipo de repertório. Às vezes fazemos coisas super ousadas, com obras contemporâneas e música de difícil absorção, o que em outros centros do Brasil, como São Paulo e Rio de Janeiro, não é tão bem recebido como aqui. Não temos o menor medo de ousar”, disse Malheiro.

Do outro lado

Já o secretário estadual de cultura, Marcos Apolo Muniz, que durante anos trabalhou nos bastidores do Festival de Ópera, agora encara a tarefa de acompanhar o evento de uma perspectiva mais ampla. “Esse novo olhar causa até certa inquietude porque sempre fui uma pessoa muito proativa e até hiperativa no campo da execução, então está sendo uma grande escola trabalhar nesse evento desde o seu planejamento e gestão”, declarou o secretário, que mesmo assim não abre mão do seu envolvimento com os detalhes técnicos que acompanham a preparação para o FAO.

News portal1 841523c7 f273 4620 9850 2a115840b1c3
Jornalismo com credibilidade

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.