Terça-feira, 18 de Junho de 2019
Vida

Opulência e ruína: conheça a arquiteta manauara que causou sensação na Casa Cor 2015

Orlane Santos inovou ao incorporar tecnologia de ponta a uma proposta inegavelmente histórica: um banheiro inspirado na Belle Époque amazonense



1.jpg Ela reforçou como a estética brasileira, e mais especificamente a amazônica, tem sido explorada no exterior
10/07/2015 às 16:17

No meio da Casa Cor 2015, realizada em São Paulo, um ambiente ao mesmo tempo moderno e “old fashioned” chamou a atenção: um banheiro inspirado tanto pela Belle Époque amazonense quanto a floresta cujas riquezas possibilitou esse desenvolvimento econômico e arquitetônico.

A responsável pelo espaço, a arquiteta manauara Orlane Santos, inovou ao incorporar tecnologia de ponta a uma proposta inegavelmente histórica, mantendo o pé firme no tema da Casa Cor deste ano, a brasilidade.

“A questão da brasilidade é bem pontual, mas a da Amazônia é mais. Quando eu pensei no conceito do ambiente, eu quis trazer esses temas não só por eu ser de Manaus, mas por essa ser uma das regiões que mais inspiram arquitetos e designers hoje, e que ainda costuma ser muito ignorada no mercado brasileiro”, explicou Orlane.

Ela reforçou como a estética brasileira, e mais especificamente a amazônica, tem sido explorada no exterior. “Eu vou ao Salão de Design de Milão há sete anos e notei, durante esse tempo, um crescimento expressivo do número de instalações que mostram coisas do Brasil. Este ano, em particular, várias plantas da nossa vegetação baixa apareceram ornando ambientes do salão internacional. A Louis Vuitton, que participou do salão com uma coleção chamada ‘Nômades’, abusou de cascas de árvores na composição de cadeiras, redes, mesas e poltronas. Acho que o Brasil não explora isso por pura falta de conhecimento mesmo”, contou, em tom de desabafo. 

‘Fase irônica’

Na hora de escolher a época a que o banheiro faria referência, Orlane comentou que a Belle Époque manauara lhe pareceu ideal por representar um ponto ambíguo da nossa história.

“Foi uma fase irônica, em que o crescimento da cidade passaria a significar uma falta de respeito com a natureza responsável por esse crescimento. Esse contraste aparece no ambiente quando temos o painel rosa e dourado, que evoca o Teatro Amazonas, símbolo dessa época, com o painel na parede, que dá a impressão de que a mata quer invadir o espaço”, recontou a arquiteta.

Até agora, Orlane comentou que a recepção do ambiente tem sido muito positiva e despertado o interesse de muitos visitantes da feira paulistana. “A Casa Cor é enorme e vem gente do mundo inteiro para ver os trabalhos. Você não tem noção da reação das pessoas ao saber não só que eu me inspirava na Amazônia, mas que também era de Manaus. Muitos ficavam para ouvir a explicação das inspirações e interagiam bastante”, concluiu a arquiteta.

Tecnologia surpreende

A referência histórica do ambiente não ficou no caminho do uso de inovações no espaço. “Essa questão é inevitável, mesmo porque, na hora de resgatar algo do passado, ou você traz para a atualidade ou as pessoas vão associar o ambiente a um relicário e dizer: ‘isso já foi feito’”, comentou Orlane.

E a atualidade aparece no vidro Inteliglass, um vidro transparente que se torna opaco mediante a passagem de uma corrente elétrica, acionável por controle remoto ou sensor de presença. “Esse item fez vários visitantes gargalharem, pois o colocamos na porta do reservado. Ele foi lançado nos vestiários da Prada, em Milão, que eram transparentes e se tornavam opacos quando alguém entrava neles. No Brasil, só conheço dois lugares que o têm: os hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês”, explicou. Além disso, a iluminação difusa que imita a luz natural à perfeição foi obtida através de LEDs. “Isso remete à sustentabilidade do projeto”, disse a arquiteta.


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