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Orquestra apresenta trilha de ‘Drácula’ e filme em espetáculo no Teatro Amazonas

Concerto ocorrerá nesta terça-feira (25), às 20h. Titular da Orquestra de Câmara do Amazonas (OCA) revela que grupo levou cinco anos para obter partituras da trilha 22/11/2014 às 16:44
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Espetáculo no Teatro Amazonas terá regência de Marcelo de Jesus
JONY CLAY BORGES Manaus (AM)

Clássico do cinema de horror do século 20, estrelado pelo célebre Bela Lugosi, “Drácula” (1931) curiosamente não tinha trilha sonora original. E assim permaneceu até 1998, quando o estúdio Universal decidiu encomendar do compositor norte-americano Philip Glass uma trilha para o lançamento do filme em VHS e DVD. Fãs do longa-metragem e o público em geral poderão conferir o resultado dessa iniciativa num misto de sessão de cinema e concerto que a Orquestra de Câmara do Amazonas (OCA) apresenta nesta terça-feira, dia 25, às 20h, no Teatro Amazonas.

“Será como uma sessão de cinema de antigamente”, antecipa Marcelo de Jesus, titular da OCA e responsável pela regência do espetáculo, fazendo referência à época do cinema mudo, quando as trilhas dos filmes eram executadas ao vivo, nas salas de projeção.

Intensa e dramática

De acordo com De Jesus, a música de Glass segue o estilo minimalista característico do compositor, mas exibe atributos únicos, se comparada a outros de seus trabalhos para o cinema. “Em comparação com a trilha de ‘As horas’ (2002), que é triste e romântica, por exemplo, a de ‘Drácula’ é dramática, com vários claros e escuros, grandes intensidades e impactos. É uma forma de assustar, algo que serve muito bem ao filme”, comenta ele.

Intitulada “The Dracula Quartets”, a trilha sonora de Glass foi escrita originalmente para quarteto de cordas, mas será executada numa versão adaptada para grupos de câmara na apresentação da OCA. “Em alguns momentos toca a orquestra inteira, em outros apenas um quarteto, numa adaptação que eu a orquestra estamos criando em conjunto”, explica De Jesus.

Em sincronia

“Drácula”, vale dizer, não é um filme mudo, portanto a música produzida pela orquestra vai dividir espaço com falas e outros sons originais da produção da década de 1930. Para garantir a execução da peça em sincronia com o longa, De Jesus optou por usar indicações de diversas cenas como deixas para a música.

“Tenho uma partitura com o filme inteiro marcado. Uma cena, por exemplo, tem a ação do corte de um dedo, e a música deve ir junto com essa ação. Não podemos apenas começar a música e tocar livremente. Tudo tem de estar exatamente sincronizado”, explica o regente, que rejeitou usar outros métodos de cronometragem. “Optei por esse recurso porque queria a liberdade da música. Quero que seja um concerto ao lado da exibição de um filme”.

Projeto antigo

Apresentar a trilha sonora de Glass para “Drácula” era um sonho antigo de De Jesus. Admirador da obra do norte-americano, ele ouvia a composição pela primeira vez no ano de 2001, num concerto no Cine Odeon, no Rio de Janeiro, promovido pela Universal para apresentar o clássico e a sua nova trilha sonora.

Músicos vão executar peça em conjunto com execução do filme (Foto: Antonio Lima)

“Eu trabalhava no Rio, e Glass estava lá para divulgar esse novo trabalho justo no dia do ataque às Torres Gêmeas. Foi uma noite bem marcante, e eu decidi que um dia iria reger aquela peça num concerto”, recorda o maestro.

De Jesus ainda teve de esperar por bastante tempo para concretizar o projeto. Isso porque o material de “The Dracula Quartets” permaneceu indisponível por cinco anos, período em que Glass trabalhou na promoção da obra. Depois disso, foram necessários ainda alguns outros anos para a orquestra local finalmente ter a partitura em mãos. “Demorou, mas o importante é que conseguimos o material”, celebra De Jesus.

A sessão-concerto de “The Dracula Quartets” da OCA integra a programação da Série Guaraná 2014/2015 de concertos, com realização da Secretaria de Estado de Cultura e patrocínio da Ambev.

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