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Ortopedista fala sobre as dores do crescimento infantil

As crianças podem ser acometidas pela dor do crescimento, que quase sempre se localiza na região das pernas, o que assusta muitos pais 16/11/2014 às 18:10
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Compressas quentes e massagens ajudam na diminuição da dor do crescimento
Laynna Feitoza Manaus (AM)

Quem pensa que crescer é algo fácil para os pequenos se engana. A infância pode ser lugar de muito tempo livre, brincadeiras e diversão, mas também pode envolver algumas dores. Talvez não como as causadas pelo tempo e estresse, assim como acontece com os adultos, mas crescer também dói.

As crianças podem ser acometidas pela dor do crescimento, que quase sempre se localiza na região das pernas. A condição assusta muitos pais – em que, por falta de informação, acham que a dor é charme do pimpolho ou que é sintoma de alguma doença terrivelmente grave. Mas antes de se descabelar por aí ou julgar que seu filho é manhoso, vá ao médico para confirmar ou desconfirmar as suspeitas que tiver. Pode ser só seu filho crescendo.

Quem enfrentou a dor do crescimento foi a pequena Sthefane Luísa Theocharopoulos, 4, chegando a colocar a mãe, a assistente administrativa Dariany Silva, de cabelos em pé. “No final dos dois para os três anos as dores eram mais no joelho e na parte inferior (canelas). Percebíamos que a dor aumentava no frio, e então enrolávamos ela no edredom, mas nada adiantava. Até que uma senhora falou que poderia ser reumatismo, e indicou que fizéssemos compressa com panos quentes. Esquentávamos as fraldas com o ferro e assim passava a dor. Isso pesou mais quando comecei a trabalhar e fazer faculdade. A falta de tempo, de estar com ela presente abalou o seu emocional”, revela Dariany. 

As mães nunca ficam tranquilas com a situação, e Dariany também não ficou. “O sentimento de mãe é um dos mais tristes. A vontade é de você pegar a dor para você, porque eles são pequenos e não sabem explicar o que sentem”, declara a assistente. Mas Silva não hesitou em levá-la a um especialista, e após análises e exclusões, descobriu que se tratava mesmo da dor do crescimento. “O médico falou que era normal. Que, havendo dores, evitássemos que ela ficasse no frio e fizesse força brusca. Além de, claro, dar atenção a ela”, coloca.

Primeiro passo

De acordo com o ortopedista Marcelo Loquette, especialista em Afecções da Coluna Vertebral, a dor do crescimento ocorre principalmente na fase do primeiro estirão do crescimento, entre três e 10 anos de idade. “Ocorre entre meninos e meninas de igual proporção”, destaca.

Ainda segundo ele, os sintomas se dão em crianças saudáveis e ativas, que costumam brincar durante o dia, sem queixas. “Elas vão dormem bem, e acordam chorando com dor, chamando pelos pais. Em geral, a dor se dá nos membros inferiores, em ambos os lados, na região das coxas e das panturrilhas”, confirma o médico. Os sintomas acometem cerca de uma em cada oito crianças.

Na investigação de doenças mais graves, a primeira conduta a ser tomada passa pela avaliação do ortopedista: a exclusão de manchas na pele, inchaços, febre e limitação de atividades recreativas deve ser feita pelo profissional médico. “Normalmente não é necessário estabelecer um tratamento para essas dores, visto se tratar de uma patologia benigna e auto-limitada. Porém, compressas quentes, aplicação de massagens, a prática de exercícios regulares e a utilização de analgésicos podem ser administrados”, garante.

Conforme o médico, não existe um consenso em relação às causas da dor do crescimento. E o que acontece com o corpo da criança no momento em que dói? “O desequilíbrio no ritmo de crescimento dos ossos, tendões e músculos, quando um se desenvolve de forma mais acelerada que o outro pode propiciar a ocorrência das dores. Quando essa velocidade se iguala, a dor tende a cessar. Também pode haver dor por fadiga muscular, naquela criança que desenvolve uma série de atividades físicas durante o dia”, pondera Loquette.

As reações familiares

Geralmente se observa duas reações por parte dos pais. “Em alguns cria-se uma interrogação na cabeça, pois a criança durante o dia corre, pula, brinca sem queixas, e no final da tarde e principalmente à noite inicia queixa de dor; vai dormir chorosa, e acorda bem no outro dia para retomar sua rotina lúdica. Outros pais mostram-se preocupados, pois imaginam que alguma doença grave possa estar ocorrendo com seu filho. É comum também encontrarmos distúrbios emocionais nos pequenos, tais como ingresso na escola, nascimento de irmãozinho, ou mãe que começa a trabalhar”, pontua o especialista.




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