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Pais devem ter atenção redobrada para as atividades extracurriculares das crianças

Mais que a quantidade de atividades, é necessário estar atento à qualidade e à proposta desses cursos, orienta a psicóloga Raquel Castro 20/02/2016 às 08:47
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Crianças entendem como ‘trabalho’ a escola e os cursos
Lídia Ferreira Manaus (AM)

De segunda a sexta,  o início da tarde é no reforço. Às segundas e quartas são os dias de natação; às terças e quintas são do inglês, e pelo menos duas horas das  manhãs de sábado são da aula de música. Cada vez mais – e cada vez mais cedo – essa têm sido a rotina de muitas crianças. Mesmo recheada de atividades prazerosas, é preciso atenção a essa agenda extracurricular.

Mais que a quantidade de atividades, é necessário estar atento à qualidade e à proposta desses cursos, bem como relacioná-las às necessidades de cada idade, orienta a psicóloga Raquel Castro. O primeiro ponto é escolher atividades que atendam as características de cada criança, o segundo é que ela participe da seleção e ainda é importante avaliar os benefícios dessa atividade.

“Ela precisa participar da escolha da atividade, pois isso vai dando maior sentido para ela”, explica. Raquel relaciona três aspectos para a qualidade da atividade extracurricular. São eles o estímulo à questão corporal, à artística e à intelectual. Para cada um, há uma faixa etária recomendada. Por exemplo, entre os 6 meses e 3 anos, são indicadas atividades que estimulem a consciência corporal e coordenação motora, como a natação, a musicalização e o desenho.

“Mas deve ser de forma lúdica e não competitiva, não pode ser experimentada como algo que envolva uma responsabilidade”. A partir dos 4 anos, a criança pode ter sua oralidade mais estimulada com os cursos de idiomas, mas também com brincadeiras em sua metodologia. E, a partir dos 6 anos, é recomendável a iniciação em esportes que já tenham regras, como o judô e cursos de matemática e redação.

“Após os 6 anos de idade ela está bem consciente das implicações e responsabilidades que ela tem”, enfatiza. O pequeno Guilherme, de 7 anos, já tem o futebol na agenda desde os 5. Além de praticá-lo na escola, como atividade extracurricular duas vezes por semana, ele ainda vai para a escola de futebol do Clube ABC de Natal aos sábados, localizado na capital do Rio Grande do Norte, onde mora com o pai.

“Ele mesmo escolheu o futebol, e todo o dia em que tem aula nós vemos como ele fica contente, vai muito animado. Para nós, enquanto  pais, é muito importante que ele goste do que está fazendo, que se divirta e faça questão de ir para a aula de futebol”, comenta a mãe, Aline Medeiros.

A administradora ressalta que pretende incluir mais duas atividades na agenda do Guilherme ainda este ano. Uma delas é o curso de inglês, e outra, de instrumento. “Vejo como uma boa alternativa para os pais que trabalham fora. Acho que é melhor do que ficar em casa vendo televisão ou jogando videogame. Sem dúvida é essencial sentir o filho gosta daquela aula, esse é o primeiro ponto”.

De olho no futuro

Raquel Castro explica que essas atividades são entendidas pela criança como “trabalho dela”, pois há objetivos a serem atingidos e, caso isso não ocorra, ela pode se frustar. “Quanto mais os pais preenchem a agenda, mais se torna possível que nem todos os objetivos sejam atingidos”, alerta.  

De acordo com Raquel, o ato de brincar é fundamental para o desenvolvimento dos pequenos, especialmente as brincadeiras onde há interação com outras pessoas da mesma idade e sem a interferência de um adulto.

“Os pais têm a melhor intenção, e muitas vezes o que esperam é que essas atividades extracurriculares promovam o desenvolvimento. Mas o próprio brincar dá condições disso,  a criança tem um universo à volta dela quando brinca”.

Pesquisa

Em uma enquete publicada no site da “Crescer”, 37% dos pais disseram que planejavam colocar os filhos em atividades extracurriculares duas vezes por semana; 20% responderam que matriculariam as crianças em cursos três vezes por semana; 18% disseram que optaram por quatro vezes na semana, e 12%, uma vez por semana.

Blog Raquel Castro

Psicóloga e professora

“Brincar é tão importante para criança quanto comer, quanto o desenvolvimento dela, quanto  dormir, quanto ir  ir para escola, por exemplo. Através do brincar a criança consegue, além de organizar o seu cotidiano,  compreender as relações sociais, controlar seus impulsos, dar vazão à angústia dela, organizar conteúdos que muitas vezes ela desconhece.

O que a gente considera brincar? Brincar está relacionado a espontaneidade. Aquele brincar em que a criança mesma constrói as suas relações, ela lida com as regras e propõe essas regras, diferente das atividades extracurriculares que os pais propõem para as crianças, mesmo que seja na melhor das intenções.

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