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Pais e filhos: o que as crianças precisam saber sobre a mesada?

Saiba como ensinar os filhos a administrar os recursos e a separar desejos de necessidades 21/11/2015 às 16:44
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Os pais de Nickolas, Brian e Monique (foto) o ensinam desde pequeno a poupar
Laynna Feitoza Manaus, AM

Os pedidos dos filhos são bem difíceis de serem negados pelos pais, ainda que seja necessário. A idade do “mãe/pai, me dá dinheiro” vai chegar para você enquanto genitor e, na cabeça de muitos, impera a dúvida: quando será a hora de ensinar a diferença entre os sonhos do futuro e os sonhos de consumo? Como explicar aos nossos filhos que o porquinho de porcelana da sala está ali para um motivo muito maior do que comprar brinquedos e bombons? Para começar a introduzir tais conversas, você vai ter que começar a introduzir o sentido da tão emblemática mesada.

Segundo o educador financeiro Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), existem três tipos de mesada que podem se aplicar à evolução da faixa etária da criança. A mesada voluntária deve começar aos três e já envolve conscientizá-la acerca do que ela deseja e do que ela precisa.

“O ideal é que haja três cofrinhos: um de curto, outro de médio e outro de longo prazo. Assim, a criança começa a entender que o tempo é uma coisa importante, saber a diferença entre ter um cofrinho maior e porque vai demorar mais tempo para ela usá-lo”, diz ele.

É fundamental, porém, que a criança tenha seus próprios sonhos, e não somente apego ao dinheiro. “O dinheiro serve como um meio, mas não é um fim. Os fins devem ser sempre os sonhos dela. É preciso criar um elemento na criança para que ela não consuma todo o dinheiro sem critérios”, assegura Domingos. Depois da mesada voluntária, entra a mesada financeira, por volta dos sete ou oito anos.

“Você percebe que precisa implantar a mesada financeira quando a criança quer mais dinheiro toda hora. É o momento de sentar com a criança e discutir qual valor dará a ela. Para isso, é preciso saber o custo de vida da família. Quando falamos em padrão de vida, temos que descobrir qual o valor que a criança pede todos os dias e meses, somar durante trinta dias o valor que ela pediu, tanto do pai quanto da mãe”, afirma o educador.

Organização

Reinaldo coloca que, se caso resultasse no valor de R$ 100 por mês, seria complicado dar toda esta quantia a uma criança, de uma vez só, para ser gastado. “O que eu coloco é que a criança deve ganhar apenas 50% desse valor”, diz, lembrando que o ato de sentar e conversar com a criança é implantar que o conceito de mesada é uma doação de dinheiro de uma pessoa a outra.

“E principalmente perguntar ao filho quais seus reais sonhos e desejos. Dizer ‘vamos te dar um dinheiro mensal: uma parte para você consumir e outra para ‘comprar’ estes sonhos’. Ela vai ficar empolgada e vai desabafar sobre os sonhos, e é aí que se deve mirar aos três sonhos e aos três desejos”, aponta.

A pior coisa que se pode fazer é dar mesada ao filho baseado na obediência dele e em outros pequenos méritos do cotidiano, segundo expõe Reinaldo. “Fazer uma lista e fazer a criança perder dinheiro com base no que ela não cumpriu, ou no que não fez direito é inadequado. Não podemos atrelar recursos às crianças baseado em meritocracias ou premiações. Imagina você estar em um lugar, pedir água e o filho perguntar ‘quanto vai custar a mais na minha mesada?’ Isso mostra uma não-coerência”, ressalta.

Por fim, existe a mesada econômica, que é mais ampla e ajuda a criança a conscientizar-se mais acerca da realidade da casa. “Nessa etapa, deve-se propor à criança que busque economizar na água, na luz e em outros quesitos. Depois, dizer a ela que o dinheiro que for economizado nas contas irá para a sua mesada dos sonhos futuros”, pondera. “Mesada não é só dinheiro. Se o pai não tem como dar a mesada financeira ou voluntária, a econômica é a melhor opção”, encerra Reinaldo.

Monique Alencar, mãe de Nickolas, 5

“Antes mesmo de ter um bebê eu já tinha esse plano de desde cedo abrir uma poupança para ele no banco. Para começar, o plano era colocar R$ 100 na conta pra deixar rendendo e nos meses seguintes nós colocaríamos R$ 50 todo mês e é o que estamos fazendo até hoje. Ele sabe o que é mesada, mas não entende muito ainda como isso funciona. Só sabe o que eu digo pra ele, que é para guardar para comprar os ‘brinquedos’ dele. Falo isso como incentivo pra ele poupar porque às vezes os avós dão dinheiro pra ele e uma parte eu dou pra ele gastar e a outra, uns 20%, eu guardo na poupança. Aí ele entende que a vovó deu para a mesada dele, ele diz”.

“Por exemplo, às vezes ele quer algum brinquedo mais caro e eu ensino ele a colocar esse dinheiro num cofrinho. Ele tem um cofrinho onde coloca as economias menores que servem para comprar as coisas que ele gosta e fazemos metas pra ele ir colocando no cofrinho até dar a quantia que ele precise para comprar o que ele quer. Assim ele também aprende a esperar, a ser mais paciente para comprar algo. Porque nem sempre nós que somos pais queremos gastar, porque já gastamos muito com educação, saúde, lazer e etc.”

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