Segunda-feira, 24 de Junho de 2019
Dia dos Pais

Pais falam sobre a importância de participar ativamente do dia a dia dos filhos

Segundo eles, pai não é somente um "ajudante" da mãe e deve, sim, dividir todas as responsabilidades da família



2016-08-04-PHOTO-00000024.jpg Marco Antonio faz questão de trocar fraldas e não se considera um "ajudante" (Fotos: Acervo Pessoal e Érica Melo Fotografia)
14/08/2016 às 14:23

“Não basta ser pai; tem que participar.” Quantas vezes você já ouviu essa frase? Pode até soar meio clichê, mas a visão da sociedade moderna em relação à presença paterna na vida das crianças está, enfim, em transição de “ajudante da mãe” para “pai presente”. Desde o pré-natal e nascimento, passando pelas noites em claro, troca de fraldas e, claro, brincadeiras e descobertas da prole.

O primeiro Dia dos Pais de Marco Antonio Marinho, 38, também será a comemoração de dois meses de nascimento de Murilo. Ainda em fase de “aprendizagem”, ele esteve em cada exame, consulta, ajudou na elaboração do plano de parto e acompanhou cada contração sentida por Mariana, 33, até a chegada do primogênito. Para o funcionário público, trocar fraldas, dar banho e brincar são “atividades naturais e prazerosas”.

“O pai jamais será mero ajudante, pois ele sabe que cada ação não representa um encargo, mas a participação na vida de uma ‘criaturinha’ que passou a ser a coisa mais importante de sua vida. “A única coisa que o pai não pode fazer é dar o peito”, brinca. “Em relação ao restante, estamos empatados: dou banho, troco fraldas, corto as unhas, coloco para arrotar e dormir; e tudo mais que meu filho precisar”, completa.

Segundo Marinho, é preciso mudar a visão machista que impera na criação dos filhos. “Muitos homens entendem que essa parte deve ser feita exclusivamente pela mãe. Isso, no entanto, é fruto de uma cultura machista, que deve, e certamente, será mudada com o tempo. Para mim, já está mais que na hora de acabar com a suposta vergonha ou acomodação de certos homens quanto aos cuidados com os pequeninos”, finaliza.

Rockson recebeu Bernardo diretamente, em um parto domiciliar planejado (Foto: Érica Melo Fotografia)

Dedicação desde o começo

Já Rockson Costa Pessoa, 32, não apenas esteve ativo durante a gestação e trabalho de parto, como recebeu Bernardo pessoalmente nas mãos. O bebê nasceu no dia 6 de julho, na casa dos avós, em um parto domiciliar planejado. Em sua primeira comemoração de Dia dos Pais, ele troca fraldas e acompanha a esposa, Klicyane, 25, nas madrugadas em claro.

“Foram as minhas mãos que o receberam neste mundo e espero que elas, com meus braços, possam ser a segurança para meu filho por muitos anos”, diz, ao citar a ligação entre pais e filhos. “Se, por um lado, o machismo nos impedia de existir de modo íntimo com os filhos, por outro, criou-se o engano de considerar que os pais não fossem necessários. No final das contas, a criança é a realidade de um casal e ambos são relevantes”, enfatiza

Na opinião do psicólogo, enquanto “as mães são o seio”, os pais devem se encarar como “os mais fortes braços”. Para isso, é preciso estabelecer um acordo sobre o papel de cada um na vida da criança, sem aquela ideia limitada de “coisa de homem e coisa de mulher”. O comprometimento e compreensão, ressalta, devem ser ainda maiores durante os primeiros meses da chegada de um bebê.

“Os pais devem, em minha humilde opinião, ser o suporte emocional das mães. Falo isso em referência aos recém nascidos (minha realidade). Sempre que meu filho mama, minha esposa pede que eu o faça arrotar. E isso compreende manhãs e madrugadas. Ajudo com a troca de fraldas, não tanto pela rotina do trabalho, mas ajudo. Com o avanço dos meses devemos ser o aconchego também”, declara.

Nada de 'ajudinha'

Com o mesmo pensamento, João Victor Rodrigues, 32, defende que maternidade e paternidade se complementam, sem cargo de “ajudante”. Para ele, esse suporte mútuo influencia na formação da criança, pois toda forma de cuidado e carinho é entendido pelos pequenos como atenção recebida dos pais. Então, o professor universitário atua em conjunto com Rachel, 35, na criação do filho Joaquim Luiz, de 2 anos. 

“A referência da criança tem que ser os pais atuantes em sintonia. Preparar a comida, trocar uma fralda, dar banho, escovar os dentes, dar remédio, levar ao médico e outros cuidados devem ser realizados igualmente pelos dois. Assim, os filhos perceberão que ambos, pai e mãe, se dedicam e dão atenção igual”, enfatiza, ao lembrar seu papel na criação do menino. “Com todas as obrigações divididas por igual, ele sente confiança em ambos”, finaliza.

BLOG Paulo Cezar Junior, 40, empreendedor e pai de Gabrielle, 3

Entendo que pai e mãe são igualmente importantes na criação e desenvolvimento de nossos filhos. Cada um tem seu papel e referência para a criança; e ambos são responsáveis e formadores de como eles irão viver, construir suas relações consigo mesmas e com o mundo. Muitos pais, seja por medo, falta de informação ou, inclusive, por uma postura super protetora da mãe, abrem mão da paternidade em prol de serem meros auxiliares e/ou coadjuvantes, exercendo apenas uma postura de cobrança. Isso, além de ineficaz, é prejudicial (com um grande impacto silencioso) para os próprios pais, mães e crianças. Eu digo que nossas relações são como depositar dinheiro no banco para, um dia, sacar. O amor, a presença, a participação, o brincar são os ‘depósitos’. Você tem que fazê-los para que, no momento que precise ‘sacar’ (seja a bronca, o chamar atenção, a negativa de algo) tenha saldo para isso. Gostamos de brincar de monstro, de dar beijos e abraços, contar histórias malucas, dançar, brincar de bonecas... É a junção do meu mundo e referência para o mundo mágico da minha filha; e é extraordinário! Cada família tem uma dinâmica, mas é muito importante que pais e mães saibam lidar com as figuras de apoio e comando. Em minha visão, uma criança não se desenvolve de forma completa se não tiver isso presente.

BUSCA RÁPIDA

Desde março desse ano, já está valendo a lei que permite prorrogar por mais 15 dias a duração da licença-paternidade, além dos 5 dias já garantidos pela Constituição Federal, o que totaliza 20 dias. A lei inclui o prazo aos pais no programa Empresa Cidadã, criado em 2008. Contudo, a adesão é pequena, devido limitações para a implantação e, muitas vezes, a opção não se mostrar interessante às empresas.

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