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Pais ganham 'vale night' e retomam a vida social pós filhos

Mesmo que o início do resgate de um casal seja desconcertante após o nascimento do filho, é importante valorizar os dois papeis – o de pais e de casal 05/10/2015 às 10:35
Show 1
O casal Aulicio e Néia crê que é possível sim manter a chama do romantismo acesa após o nascimento dos filhos
LAYNNA FEITOZA Manaus (AM)

O lugar que decorou o “primeiro” grande encontro da designer de interiores Marcela Aureliano, 33, e do fotógrafo Zamith Filho, 48, é o Teatro Amazonas, mais precisamente em um show de Jazz. “Lembro que ele estava mais arrumado do que de costume, perfumado e, como sempre, lindo! Tive a sensação de que ele estava um pouco nervoso e querendo muito sair comigo naquele dia”, lembra ela. 

Já ele não lembra dos detalhes da roupa de Marcela. O amor, porém, ressoa igual. “Mas ela estava linda, é isso que importa”. A cena narrada mais parece um capítulo digno de um primeiro encontro, não é? E era Mas foi o primeiro encontro do casal sozinho, após o nascimento do filho Lorenzo, hoje com um ano e cinco meses.

Marcela lembra que, até o momento, as atenções eram voltadas para o bebê, em casa. “Nosso filho ficou com a minha sogra e com a irmã do meu marido (minha cunhada). Lorenzo ficou relativamente tranquilo, sentiu um pouco a nossa falta, mas elas souberam desviar a atenção dele. Estávamos bem tranquilos e aproveitamos bastante o show. Deixamos o celular a postos para qualquer ligação de emergência”, coloca ela. 

Aureliano confessa que, antes disso, nem os pais e nem o filho estavam preparados para iniciar a nova fase. “Poderíamos ter feito essa saída antes, mas não iríamos aproveitar o momento. Ficaríamos preocupados, pensando se Lorenzo estava bem. O bom foi que sentimos juntos que esse momento tinha chegado e que poderíamos deixar Lorenzo com uma pessoa da nossa confiança e que ele ficaria bem sem nós por algumas horas”, alega. 

O casal curtiu bastante, principalmente no início do evento, alega Zamith. “A gente trocou carinhos, e rimos um pouco, porque estávamos saindo sozinhos depois do nascimento do Lorenzo. Pegamos na mão, sorrimos bastante um para o outro e, depois da apresentação, corremos para a casa da avó, para buscar ele”, assegura.


A história se repete

Com a professora Néia Matos, 30, e o empresário Aulicio Santos, 31, não foi diferente. Os dois são pais das pequenas Ana Clara, 2, e Maria Flor, 3 meses. O primeiro encontro pós-bebê foi oito meses após o nascimento da filha mais velha. “Fomos jantar, e depois a uma casa noturna para dançar. Sem dúvida foi um momento maravilhoso, aguardamos a hora certa de deixar nossa pequena e nos curtir como há tempos não fazíamos”, conta ela.

Na época, Ana Clara ficou com a avó materna. “Ela já tinha uma rotina de sono maravilhosa e não acordou, ficou super tranquila”, pondera a mãe.  Já Aulicio derrete-se inteiro. “A minha esposa estava vestida com um vestido preto com tons dourados, parece que foi hoje. Nos divertimos bastante, dançamos a noite toda, e naquele dia me apaixonei um pouco mais, bem como continuo me apaixonando até hoje”, concorda.

Programe-se

Mesmo que o início do resgate de um casal seja desconcertante após o nascimento do filho, é importante valorizar os dois papeis – o de pais e de casal, segundo a psicóloga e terapeuta de casais Aretuza Cortez. “É importante preservar e priorizar os momentos de intimidade. A vida a dois deve ser mantida, até mesmo para servir de exemplo para os filhos. No futuro eles irão se recordar do ambiente e modelo de família em que foram criados”, diz.

O planejamento para a grande saída pós-bebê pode se dar através da organização das tarefas do dia a dia, bem como a divisão de tarefas, o que inclui o cuidado com o bebê. “Enquanto um prepara o banho do bebê, o outro pode aquecer o jantar ou organizar a mesa. Enquanto um tira a mesa do jantar e lava a louça, o outro pode dar a mamada do bebê e colocá-lo pra dormir. Com a divisão de tarefas, ambos terão mais tempo para o outro”, destaca Cortez.

O ideal é que o momento a dois seja algo acordado por ambos, e não uma obrigação semanal ou mensal. “Precisa haver o desejo do encontro íntimo, ou necessidade de estarem juntos sem a criança. O dia da semana é muito relativo, porque às vezes não depende só do casal e sim de uma pessoa de confiança [para deixar o filho]. Uma rede de apoio é importante para o bom funcionamento de tudo. Para que o bebê fique seguro e a programação do casal ocorra de formatranquila”, salienta Aretuza.

Blog

Hanan Tarayra
Médica Pediatra

“Na realidade não existe uma idade específica do filho [para que os pais possam sair sozinhos]. Acreditando que nos primeiros seis meses de vida a criança precisa de alimentação exclusiva do leite materno, é óbvio que até os seis meses o ideal é que a mãe fique com essa criança até ela realmente entrar na segunda fase, que é o segundo semestre de idade, em que são introduzidas aos poucos outras alimentações, e isso fará com que haja a possibilidade da mãe se ausentar. O que ela deve comer aos cuidados de quem ficar com ela depende de orientação pediátrica e se ela não estiver mais em aleitamento materno exclusivo. Também é preciso garantir a segurança domiciliar do filho quando se sai: peça para o cuidador deixá-lo longe de tomadas, de portas abertas, de produtos tóxicos e, de preferência, dormir só no berço”.




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