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NATUREZA

Paisagista Marcelo Novaes fala da importância do verde nas grandes cidades

Ele é um dos 30 profissionais participantes da edição de aniversário da Revista Natureza 29/03/2017 às 10:33 - Atualizado em 30/03/2017 às 09:33
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Marcelo observa que devemos evitar os excessos, isso pode prejudicar muito um projeto de paisagismo
Artur César Manaus (AM)

O jardim é uma importante forma de estreitar a relação do homem com a natureza, defende o paisagista Marcelo Novaes, um dos nomes mais respeitados na área do País. “Utilizo as plantas de diferentes cores, texturas e perfumes para que esta integração seja enriquecedora e prazerosa”, completa Marcelo, um dos 30 profissionais convidados para participar da edição comemorativa da Revista Natureza. A obra “Os grandes paisagistas na natureza” será lançado nesta quarta-feira, dia 29 de março, na Livraria Cultura do Iguatemi, em São Paulo.

Em entrevista ao BEM VIVER GENTE, Marcelo defende a importância desses pequenos oásis nos grandes centros urbanos, “onde o cidadão possa em contato com a natureza se reequilibrar, buscando tranquilidade, lazer e bem estar”. “A vegetação nesses grandes centros auxilia na melhoria da qualidade de ar, diminui a temperatura evitando incidência direta dos raios solares e tem grande impacto visual que auxilia na sensação de bem estar”, observa o paisagista, com 41 anos de carreira e inúmeros trabalhos de destaque.

Na opinião de Marcelo, normalmente em cidades onde naturalmente já existe maior contato com a natureza como Manaus e cidades litorâneas, onde a presença da natureza é muito forte, há uma sensação de que essa necessidade de integração já é atendida, por isso vemos menos projetos de paisagismo de qualidade. “Mas mesmo nestas cidades devemos sim nos preocupar com esta integração homem x natureza, qualidade de viva, trazendo ruas mais arborizadas, mais áreas verdes que diminuam o impacto da urbanização neste ambiente de natureza privilegiada”, destaca.

Reconhecimento

O profissional acredita que o paisagismo brasileiro hoje é de alto nível, com profissionais altamente qualificados e reconhecidos internacionalmente, com livros editados e prêmios internacionais. “Uma parcela disso podemos dedicar a Roberto Burle Marx, um paisagista brasileiro considerado um dos grandes nomes mundiais. Ele mudou o conceito do paisagismo projetando jardins mais integrados entre homem e natureza, criando jardins tropicais e exuberantes. Foi uma escola muito boa para nós profissionais”, lembra Marcelo.

“O que falta hoje no paisagismo brasileiro é um orçamento maior, para uma boa execução dos projetos e qualidade das mudas e implantação. Por sermos um País tropical, nós temos uma flora muito diversificada e maravilhosa. Nosso clima propicia o desenvolvimento de projetos que fiquem bonitos em todas as estações do ano, com jardins floridos o ano inteiro”.

Ele conta que trabalha com espécies típicas da região Norte em seus projetos, como a Abricó de macaco (Couroupita guianensis), Pau Mulato (Calycophyllum spruceanum ) e palmeiras como Açaizeiro (Euterpe oleracea Mart) e Pupunha (Bactris gasipaes Kunt). “A flora brasileira é uma das mais bonitas do mundo. Eu trabalho muito com plantas nativas, árvores, arbustos e palmeiras. Mesclo também com outras plantas tropicais que estão dentro desta linguagem tropical brasileira”.

Ele explica que o projeto de paisagismo não pode ser pensado de forma isolada. “O primeiro passo é pensa-lo como uma extensão da arquitetura e do cenário onde está inserido. Isso garante um jardim contextualizado e em harmonia com todo o seu entorno”, ensina.

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