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Entrevista

'Papai é pop': jornalista faz sucesso com reflexões e histórias sobre paternidade

Com fatos engraçados do cotidiano, Marcos Piangers incentiva homens a serem mais ativos e presentes na vida dos filhos. Nas redes sociais, jornalista alcança mais de 900 mil curtidas 02/02/2017 às 05:00 - Atualizado em 02/02/2017 às 12:22
Show portal papai pop
Anita e Aurora são as fontes de inspiração de Marcos Piangers em cada texto (Foto: Giselle Sauer/Divulgação)
Natália Caplan Manaus

Marcos Piangers, 36, trabalha há 16 anos com comunicação jovem e plataformas digitais. Apresenta o programa “Pretinho Básico”, produz conteúdo para rádio, jornal, Internet e televisão. Mas o currículo de jornalista é um detalhe diante de outra profissão ainda mais desafiadora, que assumiu em 2005: a paternidade. Ele é o pai coruja de Anita e Aurora, de 11 e 4 anos de idade, respectivamente. Ambas são fonte de inspiração da nova fase.

São mais de 928 mil curtidas na página oficial somente no Facebook, onde compartilha reflexões emocionantes e histórias divertidas sobre o dia a dia da paternidade real. Em 2015, o catarinense escreveu o best seller “O Papai é Pop”, que ultrapassou a marca de 100 mil exemplares. O sucesso resultou no lançamento do volume 2, no ano passado, garantindo um lugar no ranking de livros mais vendidos do Brasil. Em ambos, o catarinense incentiva pais a serem mais participativos na criação dos filhos. Em entrevista ao BEM VIVER, faz questão de ressaltar: ‘pai não ajuda’.

Como surgiu a ideia de compartilhar experiências sobre paternidade?

Sou jornalista há muitos anos. Comecei a escrever desde que minha primeira filha nasceu, com algumas historinhas e frases engraçadas que ela falava. Todo esse material foi guardado. Até que, em 2013, uma amiga me convidou a publicar num caderno para pais e filhos, no jornal ‘Zero Hora’. Os textos começaram a ganhar ressonância e comecei a colocá-los na minha fanpage.

Não ter presença paterna na própria infância influenciou na maneira de criar as meninas? 

Sem dúvida. Eu considero, na maioria das vezes, uma influência negativa. A falta de um pai é a falta de um referencial também. No momento em que eu não tive um pai, eu também não tenho referência de como ser um bom pai. Num mundo ideal, uma família teria uma mãe e um pai participativo, que divide todas as tarefas, é amigo e confidente dos filhos, despertando neles uma segurança maior. Eu sempre digo que isso é bom para a mulher, porque ela não tem que fazer tudo sozinha; bom para a criança, que fica mais segura; e para o pai, que pode experimentar essa delícia que é ter um filho, a experiência mágica de ver o crescimento de uma obra prima, única, que é criar outra pessoa. É algo singular, que muitas vezes é ignorada por pais. 

Então, você acredita que a figura do pai é essencial? 

Um pai participativo seria algo muito bom na relação familiar, mas se eu falar que é essencial, vou tirar os méritos de tantas mães que criam os filhos sozinhas; que tornam um pai ruim, ou ausente, ou abusivo, desnecessário. Não importa se é uma mãe, pai, avó ou vizinho que cria você. Se for uma família pouco convencional, ou diferente, não importa. O que é essencial é o afeto e o carinho. 

Como foi que a ‘ficha caiu’ e você pensou: ‘eu sou pai!’?

No dia do nascimento da minha primeira filha, em 20 de março de 2005. Anita nasceu em Curitiba e foi um choque descobrir que, a partir daquele momento, eu teria que cuidar desse serzinho, que esse ser depende de mim para viver; participar do crescimento do bebê é mágico e, ao mesmo tempo, muito desafiador. Não me admiro que tantos homens fiquem meio chocados ou ‘fujam da raia’, porque é difícil e o homem não é preparado para isso.

Qual seria esse ‘preparação’?

Seria muito legal se, desde pequenininhos, os homens fossem preparados para ser pai e marido, tratar bem a mulher. Não ser simplesmente preparado para pagar contas. Se não tivéssemos essa cultura antiga de meninas cuidando de bonecas e meninos jogando futebol... 

Você é favor do conceito de ‘pai participativo’, ao invés de ‘pai que ajuda’. Por quê?

Não estamos mais nos anos 50. A mulher entrou no mercado de trabalho, paga contas e sustenta a casa. E nada mais justo do que o homem também ser um homem de casa, dividir as funções, ser participativo na relação com a esposa e os filhos. ‘Ah, eu vou trocar fralda uma vez na semana e isso está bom’ ou ‘ah, eu já pago as contas’. Pai tem que dividir e, se possível fazer ainda mais. Faltam grupos de homens discutirem mais essa questão e entender que pai ajudar é um absurdo.

Mas você sempre pensou assim?

Aprendi com muita dificuldade, conversando com a minha esposa, com minhas filhas e minha mãe. É difícil para o homem entender que a mulher passa por uma transformação fisiológica, profissional, social quando ela engravida, vira mãe. Ao entender isso, depois de muita conversa, você percebe que pai não pode só ajudar. 

Os dois livros “Papai é Pop” são uma forma de levar essa mensagem?

Quero passar uma mensagem de que a paternidade é mágica, é agradável e que você pode ser feliz sendo pai e mãe. E justamente discutir essas questões de ter pai e mãe ativos, homens que entendam que cuidar dos filhos é uma dádiva, uma benção, um presente que a vida nos dá. Deixar isso passar é uma lástima. 

Qual é a importância dos filhos na vida dos pais?

A criança é esse ser que fica ao teu lado, te lembrando de como a vida é deslumbrante, como tudo ao seu redor é cheio de magia. Os filhos te ajudam a ser mais curioso, interessado e, muitas vezes, mais criativos também.

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