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Para não 'dar zebra': campanha mundial de saúde alerta para o Net Câncer, tipo raro da doença

10 de novembro é o Dia Mundial de Conscientização Sobre o Net Câncer, um grupo raro de cânceres que se desenvolvem a partir do sistema endócrino 10/11/2015 às 11:57
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A zebra foi o animal escolhido pelos médicos para simbolizar a luta contra a doença
ACRITICA.COM ---

Nesta terça-feira, 10 de novembro, é o Dia Mundial de Conscientização Sobre o Net Câncer, um grupo raro de cânceres que se desenvolvem a partir de células do sistema endócrino, os chamados tumores neuroendócrinos. Uma campanha global está mobilizando diversos países para alertar sobre os sintomas da doença, que são facilmente confundidos com outras morbidades.

As ações têm como mote uma zebra, que faz alusão à expressão “deu zebra” e instiga as pessoas a prestarem atenção nos sintomas e se conscientizarem que podem estar sujeitas a esse tipo de câncer – por mais raro que possa ser.

De acordo com a Dra. Rachel Simões Pimenta Riechelmann, oncologista clínica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira (ICESP), os tumores deste tipo são de crescimento lento e silencioso, muitas vezes assintomáticos, e aparecem em células com capacidade de produzir hormônios.

O excesso de produção de determinado hormônio pode indicar a presença da doença. “Os sintomas são amplos e dependem do local em que o tumor está instalado. O tipo mais comum é o tumor carcinoide, que produz a síndrome carcinoide, e está associado a diarreia e a vermelhidão no rosto. Há ainda o insulinoma, que apresenta uma alta produção de insulina”, explica.

Incidência

Os órgãos mais comumente afetados são o pulmão, o sistema gastrointestinal e o pâncreas. A incidência, apesar de desconhecida, é estimada pela International Neuroendocrine Cancer Alliance (INCA) em 5 casos novos anuais no mundo para cada 100 mil pessoas. Não existe um grupo de risco, e a confusão que é feita com outras doenças pode tardar o diagnóstico e prejudicar o início do tratamento.

Uma pesquisa conduzida pela entidade aponta que 60 a 70% dos pacientes são diagnosticados em um estágio avançado da doença. “Há uma dificuldade de acesso a tecnologias em saúde que facilitam o diagnóstico. O exame de Cromogranina A, por exemplo, não é aprovado nem pelo SUS e nem pelos convênios médicos e é o único biomarcador sanguíneo para este tipo de câncer”, afirma o médico Gustavo Girotto, oncologista clínico do Hospital de Base de São José do Rio Preto e investigador principal em oncologia do centro integrado de pesquisa do hospital.

Sintomas e tratamento

De acordo com o INCA, os pacientes com este tipo de câncer são tratados, em média, de 3 a 7 anos por outro tipo de câncer. “Os sintomas são muito inespecíficos e as pessoas pensam em algo mais comum como infecção intestinal ou intoxicação alimentar. Se não tiver um refino no diagnóstico pode parecer um câncer de tumor tradicional e não um tumor neuroendócrino”, afirma Girotto. Os sintomas associados aos tumores neuroendócrinos incluem diarreia, dor abdominal, tosse, obstrução intestinal, diabetes, úlcera e rubor.

Assim que diagnosticado, o tratamento da doença inclui cirurgia, quimioterapia, além de medicação injetável e oral para estacionar o crescimento do tumor. "É possível viver muitos anos com um tumor, mas o acompanhamento do oncologista é sempre muito importante", conclui a Dra. Rachel.

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