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Parintinense Rossy Amoêdo e outros filhos da ilha brilham no desfile da Portela, no Carnaval

Para a escola de samba Portela, no Carnaval do Rio de Janeiro 2015, o carnavalesco Alexandre Louzada criou a grande águia e Rossy abraçou o desafio de coordenar a confecção da obra máxima da agremiação 22/02/2015 às 15:13
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Rossy Amoêdo aparece ao lado de Alexandre Louzada (centro), carnavalesco responsável pela criação da “águia redentora”
Laynna Feitoza Manaus, AM

Em uma Marquês de Sapucaí lotada, com foliões à flor da pele esperando a sua escola de samba preferida “carnavalizar” na avenida, poucas são as coisas que podem tirar o foco da passarela para algo específico.

E foi o que aconteceu no fim de semana passado, durante o desfile da agremiação Portela no Carnaval 2015: uma águia branca parintinense “abençoou”, com o seu bater de asas, a trajetória do Rio de Janeiro, deixando centenas de pessoas boquiabertas.

O monumento esplendoroso pode ser chamado de parintinense por ter brotado, em partes, das mãos de alguns dos mais pródigos filhos da ilha tupinambarana, e sob as batutas de um, em especial: Rossy Amoêdo, vice-presidente da Associação Folclórica Boi Bumbá Caprichoso.

A águia redentora, com traços vívidos do surrealismo (em que metade era Cristo Redentor e a outra metade era ave) simbolizava o principal monumento carioca abraçando as pessoas da cidade.

O carro, em si, comemorava os 450 anos da capital fluminense. “Como o Cristo é o símbolo de maior visibilidade do Rio, o carnavalesco, dentro desse contexto, criou a águia”, salienta Rossy.


Águia Redentora. Foto: Marco Antônio Teixeira/UOL

Alexandre Louzada, o carnavalesco em questão, criou a águia e Rossy, com aproximadamente 14 anos em que trabalha fazendo peças em carros alegóricos de escolas como Mangueira e Beija-Flor, abraçou o desafio de coordenar cerca de 20 pessoas na confecção da obra máxima do desfile da Portela.

Feita de materiais como ferro, isopor e caniço de carbono, a águia tinha 20 metros de envergadura e fora projetada em uma avenida cuja área possuía 13 metros.

“A asa ultrapassava uns quatro metros para cada lado. Sem falar que, para chegarmos até a Sapucaí, tínhamos que passar por ruas, avenidas e viadutos. E com o problema da chuva, você imagina o deslocamento. Foi um projeto muito ousado: enquanto todos ficavam maravilhados com a águia, nós ficávamos sob adrenalina em cada segundo da permanência dela na avenida, com receio de que desse algo errado. Mas graças a Deus deu tudo certo”, pondera ele.

Sob muitas mãos

Com uma equipe que vai dos escultores de isopor até os projetores hidráulicos, Rossy, de 37 anos, descreve o processo de ter erguido uma obra daquelas.

“É como se você fizesse uma maquete, mas que ainda não é real e que precisa ser transformada. Fizemos o estudo com o carnavalesco, e tivemos o escultor, um ferreiro para fazer a estrutura toda, o cara que entra para colocar a lycra e colar pena por pena”, relata Amoêdo.

São muitas mãos envolvidas. Tirando a parte hidráulica e a pintura, tudo foi feito por pessoas de Parintins, que trabalhavam comigo no AM e que agora trabalham comigo aqui”, continuou Amoêdo.

A escultura, ferragens... o rapaz que colocou as penas (15 mil, ao todo) é de Parintins. Aliás, se ele não tivesse feito aquele trabalho com tanta precisão, não teria funcionado. Além de fixar, ele dava realidade a cada peninha que estava ali”, disse.

Como coordenador da concepção da águia, Rossy afirma que seu papel foi fazer com que o escultor falasse a mesma língua do ferreiro e do arte-finalizador, promovendo harmonia entre todas as partes.

“Eu trabalhei para a Portela no Carnaval retrasado, e para outras escolas de samba, como já citei. De lá para cá ficou conversado com o Alexandre que haveria um desafio maior neste ano e de fato houve. Acredito que depois dessa águia vai ficar difícil fazermos algo que a supere”, comenta ele. A repercussão, por sua vez, o deixou emocionado.

“No momento em que a águia subiu e desceu, houve um frisson na Sapucaí. As pessoas deixaram de olhar para o desfile e passaram a olhar para a águia. Lembro até de um comentarista que, no momento em que a ave passava, disse que aquele havia sido o ‘gol’ da Portela”, revela Amoêdo.

E o que será que vem por aí no próximo Carnaval? “Eu ainda não tenho definições. Hoje busco ficar mais no Amazonas, vou voltar a fazer uns trabalhos na minha terra, mas não vou abandonar o Carnaval do Rio”, adianta, mantendo mistério sobre os trabalhos que vêm realizando.

E Amoêdo, como bom artista parintinense que é, não enxerga a águia redentora da Portela como o projeto mais desafiador e dificultoso que teve de realizar. “Eu acho que talvez a águia seja a de maior repercussão. Já fiz coisas em Parintins, mas nada teve um alcance de mídia tão forte. Talvez hoje a águia fique como referência”, diz Rossy.  E certamente ficará.

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