Domingo, 21 de Abril de 2019
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Vida

'Parsifal': Tenor Michael Hendrick revive papel 12 anos depois como titular da ópera

Convidado frequente do FAO, Hendrick já fez em Manaus “Sansão e Dalila”, de Camille Saint-Saëns, em 2009; Bacco, em “Ariadne auf Naxos”, de Richard Strauss, e foi solista em “Das Lied von der Erde”, de Gustav Mahler, e no “Requiem”, de Verdi. E agora volta para viver Parsifal


22/04/2013 às 10:01

Ópera preferida do repertório de Richard Wagner, “Parsifal” será um momento histórico e de reencontro com a peça para o tenor Michael Hendrick, que viverá o papel-título no XVII Festival Amazonas de Ópera (FAO), com estreia no dia 16 de maio, às 18h, no Teatro Amazonas.

Convidado frequente do FAO, Hendrick já fez em Manaus “Sansão e Dalila”, de Camille Saint-Saëns, em 2009; Bacco, em “Ariadne auf Naxos”, de Richard Strauss, e foi solista em “Das Lied von der Erde”, de Gustav Mahler, e no “Requiem”, de Verdi. E agora volta para viver Parsifal.

A história do tenor com a última composição de Wagner vem de tempo. Há 12 anos, quando ele atuava na Companhia de Ópera de Chicago, era o “doppioni” (tenor substituto do artista principal) na montagem de “Parsifal”.

“Aprendi todo o papel, mas só entraria no palco se o primeiro tenor ficasse doente. Um dia ele passou mal e fiz uma única apresentação. Mas naquela época não me sentia o ‘Parsifal’, de fato. E agora, 12 anos depois, está tendo a oportunidade de viver realmente a personagem”, fala Hendrick, que já está mergulhado no papel e nos ensaios de cena em Manaus.

Especial

Para o tenor, a música da composição é especial, fantástica e transcendental. “Quando a plateia assistir ‘Parsifal’, verá que é uma das mais gloriosas que já ouviu, na qual simplesmente se pode sentar e apreciar de forma única, contemplativa”.

E justamente essa sensação de harmonia será conduzida pelo diretor cênico e cenográfico, o mexicano Sergio Vela, que concebeu o espetáculo sem distrações. “Temos a música e a voz. A primeira vez que o Sergio apresentou o projeto percebi que a forma usada não vai distrair o espectador da verdadeira cena, que é a composição, o texto”, conta o norte-americano.

Perguntado sobre como será esse novo “Parsifal” em sua vida, o solista diz que será sua estreia, de fato, e que quando pensa no papel só vem à sua mente a palavra compaixão. “’Parsifal’ é uma personagem que vem ao mundo e que enxerga um caminho para fazer um mundo melhor, que realmente sente o sofrimento do outro e que busca a verdadeira natureza humana na compaixão”.

 Michael Hendrick conta a criação de Wagner foi por um papel simples, natural, que se conhece por meio dos sentimentos decorridos ao longo da ópera, que vão ficando cada vez mais fortes, uma verdadeira consagração. “E no fundo, todo ser tem um pouco de ‘Parsifal’, na sua essência”, diz o tenor.

Obra traz a discussão entre sacro e profano

Entre os intérpretes para os personagens marcantes da ópera há veteranos e nomes novos da cena operística. A direção cênica será de Sergio Vela e a produção conta com parceria do Fundo Nacional para a Cultura e Arte do México.

Para o maestro Malheiro, o desafio de montar “Parsifal” é que se trata de uma peça complexa, longa e bastante intimista, a última escrita pelo alemão, com linguagem hermética.

 “Ela não tem cenas de coro, é mais reflexiva e filosófica, que precisa de estudos aprofundados. Estamos trabalhando bastante a parte musical, cênica e o texto em alemão. Para o público haverá legendas em português”, diz o diretor artístico do FAO.

Peça sacra

A ópera tem como tema principal a história do Santo Graal, um assunto muito explorado nos últimos anos pela literatura, como “Código da Vinci”, e cinema, apesar de ter estado na moda desde a metade do século 19. “Wagner traz as discussões entre sacro e profano, a eterna busca do homem por sua evolução espiritual”.

“Parsifal” foi concluída em 1882 e sua estreia mundial aconteceu no Festival Bayreuth, dia 26 de julho, onde Wagner deixou um monumento na pequena cidade da Bavária, construindo lá um teatro para óperas, projetado especialmente para encenar seus próprios trabalhos. O compositor alemão morreu um ano depois, mas antes deu ordens que a ópera não deveria ter outro palco além de Bayreuth, por 30 anos (direitos de copyright), o que foi quebrado pelo Metropolitan Opera House em 1903, já que os Estados Unidos não assinaram a lei de direitos autorais.

No final da vida, o alemão estava tentado a conciliar aspectos de sua espiritualidade ao seu trabalho, cuja obra já havia vivenciado de tudo, de paixão sexual rebelde a traições e assassinatos, obsessão, a quintessência do romantismo até os desafios morais da condição humana. Aí nasce “Parsifal”, uma peça sacra, fundamentada na lenda medieval e cristã do Santo Graal e da lança que perfurou o corpo de Cristo na cruz, dando lugar ao amor universal e compassivo.

A produção é mista, com mexicanos e brasileiros em cena e nos bastidores. O diretor de cena Sergio Vela e o maestro Malheiro estão concebendo o espetáculo há 2 anos e meio, para atingir o grau de maturidade que a obra exige. “A nossa concepção cênica está pautada em cima do clima intimista, na iluminação. O cenário terá poucos elementos e a maior parte da ambientação será produzida por efeitos. Fora o elenco, que é muito bom, padrão internacional”, falou Malheiro.

Serviço

O que: Apresentação de Parsifal no XVII Festival Amazonas de Ópera
Quando:  16 de maio, às 18h (estreia), com reapresentações no dia 19, às 17h e dia 22, às 18h.
Onde: Teatro Amazonas



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