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Pausa que revigora: cochilo após o almoço é hábito que traz benefícios

Sesta contribui para a recuperação da disposição e do ânimo, entre outros efeitos benéficos para o bem-estar e a saúde; apesar disso, costume tradicional vem perdendo espaço no mundo moderno 11/09/2016 às 05:00
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Pequeno descanso de meia hora ajuda a melhorar a concentração e o humor, contribuindo também para um rendimento melhor no trabalho (Foto: Divulgação)
Jony Clay Borges Manaus (AM)

Habituado a tirar uma soneca depois do almoço desde que morava com os pais, na adolescência, o psicólogo Márcio Viana, 31, manteve o hábito e concilia o cochilo com sua rotina de trabalho numa unidade de saúde. Para ele, o descanso faz a diferença ao longo do dia.

“Quando volto a trabalhar fico mais disposto, e consigo trabalhar bem até o fim da tarde. Quando fico no batente direto, às três ou quatro da tarde já me sinto desgastado. Não consigo me concentrar no que os pacientes dizem, a coluna começa a doer, a mente não raciocina bem, coisas que associo à falta do sono do almoço”, ele comenta.

Os resultados positivos que Viana relata obter com o cochilo da tarde também são corroborados pela ciência. Segundo pesquisas, fazer a sesta contribui na recuperação da disposição e do ânimo, entre outros efeitos benéficos para o bem-estar e a saúde.

“A sesta ou cochilo é benéfica para a grande maioria das pessoas, melhorando o humor, a performance  e a disposição no trabalho”, endossa Carlos Maurício Almeida, médico neurologista especialista em Medicina do Sono.

Além do ânimo e da concentração, a prática pode até reduzir o risco de infarto. Segundo estudo de pesquisadores gregos divulgado no ano passado, isso ocorre porque o cochilo da tarde contribui para diminuir a pressão sanguínea e até a rigidez nas artérias.

Repouso necessário
De acordo com Almeida, que também é professor da Universidade do Estado do Amazonas, a vontade de dormir que surge depois do almoço é reflexo de uma necessidade do organismo, dentro do chamado processo sono-vigília. Esse mecanismo, ele explica, é controlado por dois fatores: o circadiano, que funciona como um relógio biológico, e o homeostático, associado ao gasto de energia.

“Nos adultos, naturalmente há um período maior de propensão ao sono, das 23h às 6h, e um período de menor propensão, que é o período pós-prandial. Ou seja, dormir após o almoço é fisiológico. No entanto, tal hábito foi sendo perdido em algumas culturas em virtude das atividades diárias e do trabalho moderno”, comenta o especialista.

A necessidade de sono varia a cada pessoa: os adultos dormem em média de 6 a 8 horas por dia, mas quem dorme fora dessa faixa e não tem queixas relativas ao bem-estar também está dentro da normalidade.

Sem excesso
No caso da sesta, por outro lado, Almeida aconselha não prolongar o repouso muito além de meia hora, “especialmente nos insones, pois pode dificultar mais ainda a consolidação do sono noturno”.

“Uma pesquisa do ano passado relacionando a sesta e o risco cardiovascular encontrou uma curva em J, um efeito dose-resposta, significando que o risco diminuía se as pessoas dormiam por até 30 minutos e depois aumentava progressivamente. Porém, são necessários mais estudos para confirmar isso”, informa.

Duração à parte, a sesta pode ajudar na recuperação do sono de quem não dorme o suficiente. Ele cita como exemplo dados dos EUA, dando conta que 70 milhões de americanos dormem menos de 6 horas ao dia. “Assim sesta pode ser uma maneira de compensar também a privação do sono noturno moderna”, avalia ele.

Para adeptos como Viana, a sesta é aliada do dia a dia: “Você acorda cedo, tem desgaste físico e mental no trabalho. Esse repouso é necessário para ‘funcionar’ de forma adequada”.


Carlos Maurício Almeida, neurologista especialista em Medicina do Sono, recomenda apenas não prolongar a sesta por muito mais de meia hora (Foto: Acervo pessoal)


FRASE
“A perda de sono pode ser considerada um problema de saúde pública, pois eleva o risco de doenças metabólicas e cardiovasculares, de acidentes e de infecções (...) Assim, a sesta pode ser uma maneira de compensar também a privação do sono noturno moderna”
Carlos Maurício Almeida, neurologista


SAIBA MAIS
Estudos

Pesquisa conduzida pela Escola de Medicina de Harvard na Grécia com 23.000 adultos apontou que pessoas que dormiam no meio da tarde tinham 30% a menos de chance de ter doenças coronárias.

Distúrbios
Segundo a OMS, 40% da população mundial apresenta algum tipo de distúrbio ou síndromes de sono. Entre elas estão sonolência diurna, hipersonia, sono não reparador e fadiga.


LISTA
Algumas medidas para a higiene do sono

- Adote horários regulares para levantar e ir para a cama, mesmo nos finais de semana
- Evite cochilos prolongados à tarde. A sesta após o almoço não deve ultrapassar uma hora
- Mantenha televisor, videogame e computador fora do quarto de dormir
- Acostume-se a usar o quarto apenas para dormir ou fazer sexo
- Evite estimulantes como café, chás preto e verde, energéticos, por pelo menos 6 horas antes de dormir. O mesmo vale para álcool e cigarros
- Faça do quarto um ambiente favorável ao sono: confortável, silencioso e escuro
- Evite refeições pesadas antes de dormir
- Pratique exercícios físicos regularmente, sempre ao menos 6 horas antes do horário principal de sono
- Sem sono? Não fique rolando na cama. Levante e saia do quarto até o desejo de dormir voltar

Fonte: Associação Brasileira do Sono

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