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Perigos andajá

Pediatras na marcha contra o andajá

Campanha nacional para abolir os andadores ou andajás já começou. O motivo para a eliminação dos aparelhos é o grande número de acidentes 08/02/2013 às 10:34
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Muitos pediatras consideram o andajá um acessório extremamente perigoso para as crianças
Cyinthia Blink Manaus

O governo do Canadá vetou  a comercialização de andadores -  também conhecidos  como andajás -    para bebês, determinando a total proibição de sua venda, revenda, propaganda e importação, no ano de 2007. Agora, em 2013, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) também está na marcha contra o aparelho.

A campanha nacional para abolir os andadores já começou e  o motivo mais importante para a eliminá-los é o grande números de acidentes. A maioria das crianças que se acidentou com andajás sofreu traumatismo craniano e, em alguns casos, faleceram.

“Já atendi vários pacientes que se acidentaram pelo uso do andajá. É muito comum que tenham rolado escada abaixo, ou encontrando um pequeno desnível pelo caminho terem virado”, conta a Kátia Rates, pediatra há 14 anos. Ela também afirma que os acidentes são de gravidade considerada de moderada à alta. “Normalmente, a cabeça é a primeira parte projetada quando a criança sofre uma queda, por isso o alto índice de  traumatismo craniano”, alerta.

A creche “Pequenos Brilhantes” (inf.: 3304-2802) atende crianças de 4 meses até 5 anos. E, de acordo com a coordenadora pedagógica, seguindo recomendações dos pediatras, eles não utilizam andajás. “As crianças não pisam com o pé inteiro, só com a ponta, podem ficar com a perna arqueada. Não é aconselhável, não temos aqui”, explica Simone Beatriz Verbine.

Armadilha

Os pediatras asseguram que os andadores podem causar ou acentuar uma deformidade (deixar a perna torta, por exemplo) e proporcionar  um deslocamento inadequado. É uma armadilha dentro de casa. Além de aproximarem as crianças de produtos químicos/tóxicos, remédios, objetos pontiagudos, cortantes, fogões, escadas, piscinas.

Na creche “Escola doce começo” (Inf.: 3584-5310), o uso do aparelho  é liberado. “Não está na nossa lista de materiais, mas as mães podem trazer. Em dois anos de creche nunca tivemos uma acidente por conta dos andajás.  Aqui tem um área plana e segura para as crianças usarem”, garante a diretora. Ela sabe a opinião dos pediatras sobre o aparelho e prefere deixar a decisão para os pais.  “É um recurso que alguns especialistas são contra, mas cada criança tem sua forma de ser estimulada”, declara Daniela Silva, diretora da creche.

Dependência

Simone Bargas, contadora, é mãe do Eduardo de 1 ano e 1 mês. Ela era contra o uso do andador, mas quando seu filho ganhou um de presente ela se rendeu. “O andajá tem seu lado positivo e o lado negativo. Primeiro que a criança aprende a andar mais rápido, mas precisa sempre da minha supervisão. Conheço bem os riscos, o Dudu só vai para o andajá se tiver acompanhado. Hoje, ele já anda, mas só consegue correr no aparelho, sozinho não tem autoconfiança e cai. Ficou dependente, isso foi negativo”, opina  a mãe.

Os médicos são unânimes:  andajás são equipamentos capazes apenas gerar prejuízos. O indicado é esquecer os andadores e ajudar as crianças da forma tradicional, segurando na mão, apoiando, até que ela consiga andar com suas próprias pernas, conforme Kátia Rates. “A natureza é perfeita. Primeiro a criança aprende a sentar, depois engatinha e finalmente, anda. Tentar pular uma dessas fases acarreta em malefícios”, conclui.

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